sexta-feira, 6 de março de 2015

puta, que tragédia


            desaba sobre nós, tom zé. vivemos a era do etê dentro do agadê, eu quero é saber a quantas anda você, se está zen ou deprê, up to date ou demodée. somos o pós-humano, o antropomórfico. e os nossos ideias, quem diria, não é?, no mesmo camburão da burguesia. mas o povo querida querida ainda suspeita: masturba e deleita, grana e direita. um ódio que nos destrói, o sangue corre corrói, vida de porra, my boy. motoboy a motocar. porém, o ódio pega como planta que se rega, mas no peito que navega a pessoa fica cega.
            o povo querida querida há de sobrevivermos.
e, se o caso é chorar, tom zé, não é com esse disco homônimo nem através de qualquer outra canção tua que se consegue tal feito. porque essas tuas canções levam ao riso, mas não à gargalhada, não ao espalhafato, e sim àquele riso discreto, oriundo de sacadas irônicas, típicos versos que passam desapercebidos ao mais desatentos – e como eles existem, zé: gente que não sabe com quantos quilos de medo se faz uma tradição, com quantas mortes no peito se faz a seriedade; gente que não se apieda – nem os datilógrafos, nem os filósofos – daquele anão que morreu de susto e ficou dividido entre o rockfeller e a branca de neve, perguntando-se e perguntando-se e perguntando-se; gente que não percebe a patada que o hilton hotel dirige ao edifício itália, ao dizer: a mania de grandeza não te dá vantagem. e a resposta do edifício, então? que maravilha aquela porrada: a torre de pisa vestida de noiva. no fundo, no fundo, tom, é gente que não sabe plantar o abacaxi de irará, gente que manda a consciência junto com os lençóis pra lavanderia. e, nesse caso, tens razão, zé, só nos cabe chorar, sem o sonho colorido de um pintor, fazendo da dor nossa acolhida. se quiser, dê-nos a mão. vamos chamar a dor pra fazer um samba antigo, pra te arrumar um amor e uma mágoa. mas, menina, amanhã de manhã o sonho volta, e a felicidade vai desabar sobre os homens.
crb vai ser agora o novo rei da bola. ufa.
é como o discurso do papa, em 16 de maio de 2013, sala clementina, palácio apostólico do vaticano: senhores embaixadores, a humanidade vive agora um retrocesso na história. isso porque dinheiro vem tiranizar, dinheiro quer comandar, o dig dim di di di dinhê. afinal, o homem só vende consumo, o usado fica descartado; surrado, surrupiado. tropicália lixo lógico.
todas as figuras são assim, desenhos de luz, agrupamentos de pontos, de partículas, quadro de impulsos. e ela veio, lá atrás, e nos mostrou isso. hoje, cada dia mais esperta, a moleca desconcerta e concerta e já desconcerta, onde a cultura vige e o conhecimento exige. foi assim que ela casou o saber de aristóteles com a cultura do mouro, por exemplo. foi assim que saímos da nossa idade média nessa nau diretamente para a era do pré-sal. ali, era urgente sair da tunda, levar a gente para a segunda revolução industrial, capacitados à nova folia. tecnologia: a pequena suburbana naquela periferia, uma simples vira-lata no fundo da via láctea. sem nome e sem dinastia.
e assim dizem e recontam a vida, zé. a boca anda louca – o nariz é quem diz; o dente é muito valente – mas é a língua que xinga; o queixo se queixa, mas o bigode não pode; a cabeça que padeça, o olho fica de molho, cabelo criando piolho, pescoço afinando no osso. já da boca, dali nem saliva se livra da língua da vida da vizinha.
baila baila baila: tiroteio esquenta. antes de entrar no elevador é sempre bom lembrar de verificar se o mesmo se encontra parado neste andar. senão, surge o urubu que, no seu pouso, prepara e separa-nos do caroço, vestindo-nos com a peste para a festa do caroço. esgoto, aborto, arroto, roto. e de desgosto cobrimos o vosso rosto. mascararemos todo mundo no fuzuê que zelito e cheba vão puxar, pois a diferença entre esquerda e direita já foi muito clara, hoje não é mais. assim como o braço não é mais o braço erguido num grito de gol. agora o braço é o rascunho de um rascunho, descoberto de carne, por onde escorre todo o sangue.
mas o que salva a humanidade é que não há quem cure a curiosidade. isso mesmo. o homem fez o fogo, por curiosidade. o vento sopra a vela, por curiosidade. eva comeu a maçã, por curiosidade. e daqui a alguns anos, essa geração y vamos ter que governar. ai, ai, meu deus. ai, ai, galope. daqui a alguns anos, infelizmente governar. é o demo é o demo é a demó, a democracia. democracia que escorrega na regra, não se pendura na trégua, não se segura, aiô. a liberdade é um mistério, é traiçoeira que nem amor de menina, é vaidosa. é muito prosa, é azeite. e eu quero saber como está mesmo você, tom, se vai lembrar ou esquecer a nossa dor, nosso prazer. pelos ares ou quasares querem ter o azul que nos teus mares dá-se a ver.

            oh, oh, que porra!

ítalo puccini

Um comentário:

Ph disse...

fazia tempo que eu não deixava um sentir aqui.
retornar é-me uma tragédia boa.
abraço!