terça-feira, 18 de março de 2014

é preciso aprender a ser só

é preciso aprender a só ser. a andar com fé.
a ser em conjunto também, gil, por mais que no fundo o problema seja só da gente, seja só nosso. reagir é ouvir, o próprio coração e os outros, tão presentes nos tantões de recônditos alcançados pelos versos de tuas canções, nos múltiplos personagens sensivelmente apresentados. não nos incomodemos, afinal, o que a gente pode, pode. o que não pode, explodirá. simples. porque mistério sempre haverá de pintar porraí.
parece ser aquilo que deus deu, aquilo que deus dá. é o que toda menina baiana tem, os muitos que na testa têm o deus sol, os frevos rasgados que fazem dançar e pular, o rei da brincadeira, o que trabalhava na feira, o josé, o joão, o poeta que desfolha a bandeira. boneca de pano e sabugo de milho também são gente. a geleia geral brasileira, como um sinal de que a fé não costuma faiá, mesmo que não queiramos falar com deus.
deus sabe das nossas confissões.
a fé num pedaço de pão, em um cesto de alegrias de quintal. derramar o bálsamo, fazer o canto cantar o cantar, a escrita escrever o escrito. refazendo tudo. também acho que quanto mais purpurina, melhor. realce em nossas vidas, sim. realce. não é obrigado a escutar quem não nos quiser ouvir. o afeto é fogo, quem não dança não fala, assiste a tudo e se cala. água mole, pedra dura, tanto bate que não restará nem pensamento, afinal, tudo agora mesmo poderá estar por um segundo. ê, volta do mundo, camará.
com isso, perguntamo-nos, todos, até onde essa estrada do tempo vai dar, não é mesmo? estrada cujo trilho é feito de um brilho que não tem, que não tem fim. o lance é não se impacientar. o que a gente sente, sente. assim também, há de surgir uma estrela no céu, como rês desgarrada, depois de um recolhimento de abacateiro, aquele ato de recolher-se ao íntimo, de alcançar o que se desconhece dentro de si mesmo. o cérebro eletrônico é mudo, ele manda, mas não anda.  
é tanto de tudo pra gente saber: o que cantar, como andar, aonde ir. o que dizer, o que calar, a quem querer. é tantotudo que ficamos sem jeito. no fundo, no fundo, o problema é só nosso. é o coração dizer não quando a mente tenta levar-nos pra casa do sofrer. é pesado o sonho pra quem não sonha. afinal, a caretice está no medo. o medo está na medula. o segredo está na cura. do medo. quem tem cara tem medo. quem tem medo tem cura. se quiser.

o amor, gil, uma semente de ilusão em um mundo tão desigual. o amor, nascido por metáfora, nascido pra morrer, pra germinar, plantar nalgum lugar, ressuscitar no chão. dura caminhada. por isso mesmo é que haverá mais compaixão, assim esperamos, como a novidade que vem dar à praia, o máximo paradoxo estendido na areia: nós todos podemos pensar que deus existe, ou o contrário. nós todos podemos chorar quando tristes, ou até quando não. só não nos cabe exigir do poeta o conteúdo que vai em sua lata.

ítalo. 

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