segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

eu, vitor ramil, o louco de cara

que pintei de verde a grama em dia claro. que archei ar parlarvrar virdar. crarvardar nar tuar carar. eu, que ando comigo mesmo pelo planeta, deixo em gelo fino meus sinais. que ninguém me eleja como guia. adiós, goodbye.
vamos sumir? vem, nada nos prende, ombro no ombro. sem idade, sem nome, apenas com nossa juventude, o que, sabemos, não é nada mal. vem comigo caminhar os sapatos em copacabana, atrás de livro algum pra lermos no fim de semana. vem. as imagens descem como folhas no chão da sala. são pequenas folhas, folhas de pura prata.
não importa que deus jogue pesadas moedas do céu ou vire sacolas de lixo, que os chineses e os negros lotem navios e decorem canções, que os vikins queimem as fábricas do cone sul: pega carona no carro que vem. e vem. mesmo que você deseje a cura com lacan, que procure os serviços de um xamã. você pode ser um pregador, chutar os santos do altar, você pode ter um bom discurso, você pode nem saber falar. vem.
na luz do dia, todas as coisas vão me perder. perco-me em uma canção: ares de milonga que me carregam por aí. pássaro tão só num fio de luz. eu me pareço com ele. eu canto pra me consumir.
é fogo. deixa o fogo todo queimar. afinal, é cedo. e não é céu sobre nós. é quarto de não dormir, é sala de não estar. porta de não abrir, pátio de sufocar. se mais nada existir, mesmo o que sempre chamamos real, e isso pra ti for tão claro que nem percebas, é sinal que valeu. e mais que tudo foi no mês que vem.
eu, o louco do chapéu azul, pela grama verde quero te ver passar. vem.
porque um dia você vai servir a alguém. você pode ser rei no país do futebol, pode ser viciado em bingo e nunca ver a luz do sol, você pode ser um mago e vender livros de montão, pode ser uma socialite, enriquecer vendendo pão, mas um dia vai servir a alguém. seja ao diabo, ou seja a deus, um dia você vai servir a alguém, seja sendo um incendiário a fazer um índio arder, seja sendo o índio vendo a chama acender.
eu, plantado no alto em mim, contemplo a ilusão da casa. sentindo hoje em satolep o que há muito não sentia. onde eu fico só com a minha voz. imortal, como meu poema e meu cavalo. com os livros no quintal, rezando pra chover.
eu sei. o tempo é meu lugar. o tempo é minha casa. e a casa é onde quero estar. eu sei. o rosto se perdeu, o gesto se desfez, pelo que já não sei. o amor é simples, fácil dizer. as estrelas se apagaram. elas que, mesmo tão só, nunca sofrem. brilham quase sem querer, deixam-se ser o que são. vãos e vens como um lampião, ao vento frio de um lugar qualquer. estrela, estrela, é bom saber que és parte de mim, assim como és parte das manhãs. tão bom quanto poder gozar da paz que trazes aqui.

eu canto, eu canto. e sei. a arte me ensinou a ter minha voz. o ronco da queda d’água me chama de louco e nadando em águas profundas revelo poemas aos peixes. esse silêncio transparente é a casa das canções.

ítalo. 

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