sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

eu não sei se alguma coisa ainda acontece no meu coração

me larga, não enche, caetano. assim mesmo, com o pronome oblíquo iniciando a oração. foda-se a gramática. foda-se a tua música repleta de vocábulos intelectualoides. a melodia do teu samba não põe ninguém no lugar. e você não pede desculpas. ranzinza.
sai do meu sangue, sanguessuga que só sabe sugar. não me amarra dinheiro, não – aliás, onde queres dinheiro, eu sou paixão. tudo métrica e rima e nunca dor, né? mas a vida é real e é de viés. e vê só que cilada o amor me armou: você. você que não me ensinou a te esquecer. já cheguei a tal ponto de me trocar diversas vezes por você. só pra ver se te encontro. bruto.
eu quero tocar fogo neste apartamento. eu não me arrependo de você.
vagaba, bandida, né? seus vocativos demonstram o arrogante que você sempre foi. narciso e você acham feio o que não é espelho. fonte de mel nos olhos de gueixa blábláblá você é linda, mais que demais. que orgulho de rima, hein? nunca me faça mal? não se preocupe. eu vou viver sem você. eu vou. por que não? e não quero que você venha comigo. a tua presença não entra mais pelos sete buracos da minha cabeça.
alegria, alegria, covarde. odeio você.
você já me sugou todo o meu leite. o leite da sua vaca profana.
eu fui uma mulher – uma cornucópia de mulheres. uma beleza que te aconteceu, caetano. uma tigresa. hoje, com muito ódio no coração. sem conseguir dizer que tudo vai mudar. vou fazer um pedido ao tempo, este senhor tão bonito, compositor de destinos. assim, quando eu tiver saído pra fora do teu círculo – tempo tempo tempo tempo – não serei nem terás sido. afinal, de perto ninguém é normal, não é mesmo? grosso.
não há mais nosso estranho amor.
meu coração se cansou de ter esperança.
quer saber? que tudo mais vá pro inferno, meu bem. respeito muito minhas lágrimas. mas ainda mais minhas risadas. só vou gostar de quem gosta de mim. e não quero com isso dizer que o amor não é bom sentimento. na mão direita tenho uma roseira. no pulso esquerdo o bang-bang. mas meu coração não balança samba de tamborim. aqui, a tristeza é senhora. aqui, solidão apavora. o filho da dor. cretino.
é o sol, é a estrada, é o tempo, é o pé e é o chão.
e eu ainda vou preparar uma outra pessoa. que não será tua. cavalo.
esse laço era, sim, um verso. mas foi tudo perverso. eu é que agora não me deixo mais ficar. não adianta vir com tal abraçaço, de rimas tão óbvias. não acredito mais no seu prometido e cantado “mimar você”. não sou tua neguinha. parece bobagem, mas não era, não. não mais tua menina do anel de lua e estrela. você não mais saberá o que quer e o que pode esta língua. a minha língua. que tantos outros tocarão. boçal.
aqui não há nada fora da ordem. era eu quem tropeçava nos astros desastrada, algo de que você gostava. foi um amor assim delicado. que você pegou e desprezou. és o único culpado. eu era apenas sua mulher. de um cara que me consumia. estúpido.
 
ítalo puccini.

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