quinta-feira, 4 de julho de 2013

vidas que são histórias, traveis

recorro novamente a esse título. a esse dizer. a esse querer de vida que não se acaba. a narrativa é inerente ao ser humano. queremos, sempre, contar histórias nossas, fazermo-nos ouvir perante os outros. assim como queremos, sempre, ouvir histórias contadas por estes outros. a vida são histórias. conhecer histórias é viver. um cruzamento de histórias. costuras de vida. uma palavra é um entrelaçamento de letras. uma história é um entrelaçamento de palavras. e sentires.
a literatura é apenas um dos meios que utilizamos para nos contarmos e para conhecermos mais a nós mesmos por intermédio de personagens aos quais, como leitores que somos, damos vida.
e pensando na vida como história é que eu não paro. pois se eu pudesse escolher um modo de enlouquecer, eu escolheria enlouquecer pela leitura de histórias. escolheria passar a viver como um personagem de um romance que está sendo escrito e lido ao mesmo tempo por alguéns. escolheria ser acompanhado de perto por leitores que me amassem e que me odiassem, que torcessem por mim, que tentassem me ensinar qual caminho seguir.
eu tenho sentido muita falta de ler, em grupos de dois ou mais, histórias de vidas e de  livros. nessa minha vida como personagem eu seria amigo dos personagens do "cordilheira", do daniel galera. e quem sabe eu até viesse à tona, como fazem os personagens da história “coração de tinta”. mas a minha história poderia ser mesmo a história que o cristovão tezza conta no “um erro emocional”. a história do personagem que bate na casa da personagem e lá passa horas conversando sobre o erro emocional que ele cometeu, o de se apaixonar por ela na noite  anterior. maravilhosa narrativa. ela não me sai da cabeça. isso de passar a noite toda a dois, num  apartamento, com pouca conversa – frases pontuais, divagações – mas com muita descrição  psicológica de cada um. eu, como leitor, passei a amá-los à medida que lia suas histórias. seus erros emocionais. afinal, quem é que não cometemos erros emocionais, não é mesmo? e que algo mais furar na própria carne de mexer nisso, de tentar pela fala – e toda a incompletude nela presente – ajeitar o que foi configurado como existência.
essa nossa pretensão humana me seduz também. de para tudo buscarmos uma  explicação lógica e clara a nós. e de sofrermos nessa busca.
assim como lily braun teve sua história contada pelo chico, eu visualizo minha história sendo contada por alguém. e saindo da imaginação e ficando cá na terra (a mafalda é muito linda quando está se balançando num balanço, leve como a vida, e ao parar diz “é só por os pés na terra que acaba a diversão”) é claro que há uma história sendo contada e sendo lida. a gente conta a si mesmo e aos demais. e a gente lê e é lido. e é tudo isso que nos significa. a gente vive dando significado ao mundo, nosso e ao nosso redor. mas minha história também está sendo cantada por aí no ritmo da de lily braun. como num romance, em que eu me pego mais escrevendo do que falando sobre os meus erros emocionais, na vã ilusão de compreendê-los e de ajeitá-los a partir de alguma compreensão.
mas se a gente deixar apagar essa vã ilusão, do que viveremos? é preciso voar para pousar outra vez com os pés na terra. as duas atitudes são pra lá de necessárias. todos  precisamos de alguém para nos chamar de anjo azul. precisamos abusar do scoth, comer e ser comidos, com os olhos e não. precisamos perder a pose e sorrir feliz. desmilinguirmo-nos ao som de blues e do que mais tiver para ouvir. e para sentir.

acho que a gente precisa se permitir a contar mais e ser mais contado. antes, a gente precisa querer mais isso. sem saber mesmo no que vai dar.

ítalo. 

Um comentário:

Jaciara da Silva disse...

Falando em Cristóvão Tezza: é você sentado ao lado da Taísa enquanto ele fala do livro "O Filho Eterno" e das principais influências na feira do livro em 2009?