sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O professor: leitor ou não-leitor?


Ana Maria Machado, em artigo presente no livro “Balaio: livros e leituras”, apresenta a importância fundamental da leitura na formação do professor, destacando o agravante de que há um medo por parte do professor de entrar em contato com os livros, “Um objeto estranho e com tal carga simbólica que o ameaça”, consequência de sua má-formação, cada vez mais longe da leitura livresca.
Esta afirmativa abre caminho para uma reflexão sobre o professor enquanto um sujeito-leitor, ou não-leitor.
Relevando o contato diário com diferentes materiais de leitura (livros didáticos, trabalhos dos alunos, comunicados escolares), pode-se classificar o professor como um leitor. No entanto, se o professor não sentir a leitura como uma necessidade para si – e não só como uma exigência burocrático-profissional – ele não passará de um leitor-por-obrigação, e pouco conseguirá contribuir para a formação de novos sujeitos-leitores. Logo, a caracterização do professor como leitor ou não-leitor está relacionada à significância que o próprio professor concerne às atividades que realiza como docente.
Antes de simplesmente inquirir ao professor um julgamento de leitura, há necessidade de descrevê-lo e compreendê-lo em suas práticas, analisando em que situações ele se forma como um sujeito-leitor. Algo defendido por alguns teóricos, de que não se pode afirmar que o professor é um leitor, muito menos, pela sua atividade intelectual, que ele é um não-leitor. É preciso observar o professor sendo um “leitor interditado”. Ou seja, que iniciou um caminho em sua formação, mas que não necessariamente continuo entre livros e materiais de leitura. Onde parou? Por que parou?
É também importante ressaltar as questões que envolvem as condições de acesso e de produção de leitura dos professores. A formação de um sujeito-leitor é tão determinada pelas condições sociais nas quais ele se encontra, quanto pela própria tomada de iniciativa do mesmo em prol de tal formação. Daí sendo muito relevante analisar o que é que o professor lê, quantos livros ele tem condições de adquirir para seu aperfeiçoamento pessoal e profissional, e que tempo sobra para que ele busque a leitura de textos variados.
Vale ressaltar ainda que a definição de um professor leitor ou não-leitor passa, primeiramente, por outra definição: o que é ler ou não-ler? E, levando em conta que o ato de ler engloba diversas outras práticas e modos além de somente a leitura livresca (caracterização burguesa do que é ler), o professor, é, sim, um sujeito-leitor. A variedade aqui está no como o professor lê, ou seja, que sentido ele dá/constrói à própria prática da leitura. A partir desde viés poderá ser concentrando um olhar para o quanto acarretará na formação de novos leitores esta bagagem apresentada pelo educador.
Os caminhos são vários. Os desafios também. Contrariamente à estagnação, é preciso traçá-los.

ítalo. 

Um comentário:

Enzo disse...

(eu ia responder o email mas já tava aqui, então pronto)

sim, também acho que epígrafe é tatuagem, sempre achei!