sexta-feira, 26 de outubro de 2012

sobre literatura e terapia


a literatura foi o primeiro caminho que encontrei para olhar cá dentro, para buscar um conhecimento mínimo daquilo que me constituo sendo. a terapia foi o segundo.
enquanto caminho, é mais do que natural um perder-se entre livros e dizeres. acaba sendo natural, em um primeiro momento, apontar para o livro e para o mundo ao redor, e 'esquecer' de ver neles os espelhos que são. 
foram a literatura e a terapia que me levaram a perceber em mim os desajustes antes direcionados à vida e todas suas arestas. 
respeitar-se é aprendizado construído graças a essas duas artes.


ítalo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O ato de não-ler


Não mais cabe discutir a importância de uma prática constante da leitura, não só para o desenvolvimento da consciência do ser humano enquanto um cidadão participante de uma sociedade, como também ao desenvolvimento do ser humano que cria uma ideologia, esta que o faz pensar e agir. Entretanto, cabe, sim, um repensar sobre essa prática da leitura. Não-ler também pode ser importante nesse processo de conscientização de si e do mundo.
            É o que propõe o filósofo alemão Schopenhauer, em seu artigo “Sobre a leitura e os livros”, presente no livro “A arte de escrever”, da coleção L&PM POCKET (2005). O autor apresenta um ponto de vista com relação à prática da leitura que, se trazido para os dias atuais, fica em direção oposta ao que tanto se tem discutido sobre a disseminação da prática da leitura.
Schopenhauer defende a ideia de que o ato de não-ler, ou seja, de se ausentar dos livros e, consequentemente, das diversas ideias existentes em outros autores, é uma atitude tão importante quanto o próprio ato da leitura em si. Uma opinião que, se muito divulgada, logo poderia servir de muleta para os aleijados da leitura. Contudo, Schopenhauer explica o porquê de afirmar que o ato de não-ler é tão importante quanto o de ler – a leitura aqui tratada, e pelo filósofo também, sobre a perspectiva dos símbolos gráficos, do texto escrito propriamente dito. Explicação esta que não caberá aos não-leitores como muleta.
O pensador não apresenta a opinião de que não se deve ler nunca, ou de que ler seja algo prejudicial à saúde, física ou mental, das pessoas. O que o filósofo alemão apresenta é que uma leitura livresca, contínua, ininterrupta, impede o sujeito de desenvolver em si uma opinião propriamente sua: “(...) quem lê muito e quase o dia todo, mas nos intervalos passa o tempo sem pensar nada, perde gradativamente a capacidade de pensar por si mesmo – como alguém que, de tanto cavalgar, acabasse desaprendendo a andar”. Sobretudo, o ato de não-ler, para Schopenhauer, significa a oportunidade de o sujeito acomodar em si mesmo as informações recém-obtidas, construindo-as, assimilando-as e acomodando-as em um conhecimento próprio, intrapessoal.
Importante relevar o detalhe das diferenças cruciais existentes entre a época em que Schopenhauer apresentou tal ponto de vista e a época em que atualmente vivemos. São duas realidades muito distintas. Contudo, a opinião do filósofo alemão pode ser interessante justamente em função dessa diferença de cultura e de época, uma vez que hoje em dia o que mais tem sido incentivada é uma maior prática de leitura por parte das pessoas, sem se atentar para o que se tem feito com essas leituras. Ler um material escrito atrás do outro e nada acrescentar a si pode ser tão inútil quanto não ler. Aí a atenção que se deve dar ao dizer de Schopenhauer.
            É preciso cuidado ao construir sentidos a esse não-ler. Proclamar aos quatro cantos que as pessoas não leiam pode ser prejudicial demais numa sociedade em que desculpas para não ler é que não faltam (coitado do tempo, sempre o vilão). Quem muito já leu – e permanece lendo – consegue compreender o quanto essa prática constante da leitura provoca transformações no ser humano. No entanto, sabe-se, quem não tem consigo a prática de leitura bem marcada pode interpretar que o fato de não-ler lhe faz bem, e utilizá-lo como “muleta”, conforme dito no início do texto.
É aquele que tem na leitura uma condição de existência que pode transformar esse não-ler proposto por Schopenhauer em uma atividade reflexiva das leituras que realiza. E somente com muita prática de leitura que se pode construir um significado construtivo para este ‘caminho alternativo’.

ítalo.

domingo, 21 de outubro de 2012

um dos maravilhosos diálogos presentes em alice no país das maravilhas


“A Tartaruga Falsa continuou.
‘Tínhamos a melhor educação... de fato, íamos à escola todo dia...’
‘Eu também ia à escola’, disse Alice; ‘não precisa ficar tão orgulhosa por isso.’
‘Com extras?’ perguntou a Tartaruga Falsa, um pouquinho ansiosa.
‘É’, disse Alice, ‘tínhamos aulas de francês e música.’
‘E de lavanderia?’ insistiu a Tartaruga Falsa.
‘Claro que não!’ indignou-se Alice.
‘Ah! Então a sua escola não era realmente boa’, disse a Tartaruga Falsa num tom de grande alívio. ‘Pois na nossa vinha ao pé da conta ‘Francês, música e lavanderia – extras.’’
‘Com certeza não precisava muito disso’, Alice observou, ‘vivendo no fundo do mar.’
‘Não pude me dar ao luxo de estudar essa matéria’, disse a Tartaruga Falsa com um suspiro. ‘Só fiz o curso regular’.
‘E como era?’ quis saber Alice.
‘Lentura e Estrita, é claro, para começar’, respondeu a Tartaruga Falsa; ‘e depois os diferentes ramos de Aritmética: Ambição, Subversão, Desembelezação e Distração.’
‘Nunca ouvi falar de ‘Desembelezação’’, Alice se atreveu a dizer. ‘O que é?’
O Grifo levantou as duas patas de surpresa: ‘Como? Nunca ouviu falar de desembelezação?’ exclamou. ‘Sabe o que é embelezar, suponho?’
‘Sei’, disse Alice sem muita convicção; ‘significa... tornar... alguma coisa... mais bela.’
‘Nesse caso’, continuou o Grifo, ‘se não sabe o que é desembelezar, você é  uma bobalhona.’
Não se sentindo estimulada a fazer mais nenhuma pergunta sobre aquilo, Alice se virou para a Tartaruga Falsa e disse: ‘Que mais tinha de estudar?’
‘Bem, tínhamos Histeria’, respondeu a Tartaruga Falsa, contando as matérias nas patas, ‘Histeria antiga e moderna, com Marografia; depois Desdém... o professor de Desdém era um congro velho, que ia lá uma vez por semana: ele nos ensinava a Desdenhar, Embolsar e Pingar a Alho.’
‘Como era isso?’ perguntou Alice.
‘Bem, não posso lhe mostrar pessoalmente’, disse a Tartaruga Falsa; ‘estou muito enferrujada. E o Grifo nunca aprendeu.’
‘Não tive tempo’, disse o Grifo, ‘Mas fiz o curso clássico. O professor era um bagrinho, ah, se era.’
‘Nunca estudei com ele...’, comentou a Tartaruga Falsa com um suspiro; ‘ensinava Latido e Emprego, pelo que diziam.’
‘É verdade, é verdade’, foi a vez do Grifo suspirar; e as duas criaturas esconderam a cara nas patas.
‘E quantas horas de aula você tinha por dia?’ indagou Alice, aflita para mudar de assunto.
‘Dez horas no primeiro dia’, disse a Tartaruga Falsa, ‘nove no seguinte, e assim por diante.’
‘Que programa curioso!’ exclamou Alice.
‘Só assim você se prepara para uma carreira: aulas mais rápidas a cada dia’, observou o Grifo.
A ideia era inteiramente nova para Alice e ela refletiu um pouco a respeito antes de fazer mais uma observação: ‘Nesse caso, no décimo primeiro dia era feriado?’
‘Claro que era’, disse a Tartaruga Falsa.
‘E como se arranjavam no décimo segundo?’ Alice insistiu, sôfrega.
‘Chega de falar sobre aulas’, o Grifo interrompeu num tom decidido. ‘Agora conte a ela alguma coisa sobre jogos.’”

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O professor: leitor ou não-leitor?


Ana Maria Machado, em artigo presente no livro “Balaio: livros e leituras”, apresenta a importância fundamental da leitura na formação do professor, destacando o agravante de que há um medo por parte do professor de entrar em contato com os livros, “Um objeto estranho e com tal carga simbólica que o ameaça”, consequência de sua má-formação, cada vez mais longe da leitura livresca.
Esta afirmativa abre caminho para uma reflexão sobre o professor enquanto um sujeito-leitor, ou não-leitor.
Relevando o contato diário com diferentes materiais de leitura (livros didáticos, trabalhos dos alunos, comunicados escolares), pode-se classificar o professor como um leitor. No entanto, se o professor não sentir a leitura como uma necessidade para si – e não só como uma exigência burocrático-profissional – ele não passará de um leitor-por-obrigação, e pouco conseguirá contribuir para a formação de novos sujeitos-leitores. Logo, a caracterização do professor como leitor ou não-leitor está relacionada à significância que o próprio professor concerne às atividades que realiza como docente.
Antes de simplesmente inquirir ao professor um julgamento de leitura, há necessidade de descrevê-lo e compreendê-lo em suas práticas, analisando em que situações ele se forma como um sujeito-leitor. Algo defendido por alguns teóricos, de que não se pode afirmar que o professor é um leitor, muito menos, pela sua atividade intelectual, que ele é um não-leitor. É preciso observar o professor sendo um “leitor interditado”. Ou seja, que iniciou um caminho em sua formação, mas que não necessariamente continuo entre livros e materiais de leitura. Onde parou? Por que parou?
É também importante ressaltar as questões que envolvem as condições de acesso e de produção de leitura dos professores. A formação de um sujeito-leitor é tão determinada pelas condições sociais nas quais ele se encontra, quanto pela própria tomada de iniciativa do mesmo em prol de tal formação. Daí sendo muito relevante analisar o que é que o professor lê, quantos livros ele tem condições de adquirir para seu aperfeiçoamento pessoal e profissional, e que tempo sobra para que ele busque a leitura de textos variados.
Vale ressaltar ainda que a definição de um professor leitor ou não-leitor passa, primeiramente, por outra definição: o que é ler ou não-ler? E, levando em conta que o ato de ler engloba diversas outras práticas e modos além de somente a leitura livresca (caracterização burguesa do que é ler), o professor, é, sim, um sujeito-leitor. A variedade aqui está no como o professor lê, ou seja, que sentido ele dá/constrói à própria prática da leitura. A partir desde viés poderá ser concentrando um olhar para o quanto acarretará na formação de novos leitores esta bagagem apresentada pelo educador.
Os caminhos são vários. Os desafios também. Contrariamente à estagnação, é preciso traçá-los.

ítalo. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Doença do esquecimento literário

            Parece nome de trabalho apresentado em congresso (só não sei se de educação ou de medicina, de tão horrível que é este título). E, para completar o caso, o assunto a ser desenvolvido nesta croniqueta é quase que vexatório. Então, um título fraco vai combinar com o tema.
            Continuo tratando alguns livros como puta.
É isso.
Perdão pela frase. E pela colocação tão abrupta dela no texto. Vou abrandar a situação (ao menos tentar) explicando de onde provém tal dizer.
            Foi Enzo quem uma vez me escreveu esta expressão, digamos, metafórica. Segundo ele, ler um livro e não se lembrar do que foi lido, ou comprar um livro sem recordar-se de que o mesmo você já possui, são modos de tratá-los (os livros) como putas: comeu e não é capaz de recordar que.
            E esta simplória metáfora me leva a trazer à tona o quanto o ato de ler pode ser, muitas vezes, relacionado a alguma conotação sexual – mesmo que inconscientemente. Refiro-me ao ato de ler sem entrar na história proposta por um texto. Não é apontar para narrativas ou poemas que apresentem cenas picantes, e sim focar a possibilidade da relação – quase explícita – a partir das palavras utilizadas para a prática da leitura: devorar e comer um livro, e sentir prazer com a leitura, por exemplo. E, agora, comer um livro (lê-lo) e não guardar na memória tal ato.
            Há quatro meses, comprei “O encontro marcado”, do Fernando Sabino, com a dúvida se eu já não o tinha. Sim, uma edição igual a então recém-comprada já se fazia presente em uma de minhas estantes. Senti vergonha de mim mesmo naquele momento. E tal sentimento se repetiu dois meses depois, quando trouxe para casa, bastante feliz, o exemplar de “Uma ilha chamada livro”, de Heloísa Seixas, comprado a apenas dez reais em uma livraria. E a vergonha foi maior desta última vez, porque eu não tinha ideia de que já havia lido o livro, muito menos de que ele já se encontrava em minha prateleira, e – ato mais grave ainda – muito sublinhado e anotado, por mim mesmo, com um registro de quando a leitura fora feita, há dois anos.
            Tentando atenuar o causo, e também porque me é característico dar livros aos amigos, foi o que fiz com os dois exemplares repetitidos. À Jozi dei o livro da ilha, e o outro, do Sabino, não me recordo a quem. Um vexame atrás do outro. Que somente me leva a desacreditar na literatura – e em mim mesmo, é claro. Esse papo de que a arte não precisa ter utilidade é bem bonito mesmo, mas ela te prega peças; taí o meu relato pra comprovar.
            Aproveito para fechar este breve e desastroso relato com um trecho do livro da Heloísa Seixas, porque o livro todo, repleto de textos curtos e de reflexões sobre as práticas da leitura e da escrita, é muito bonito (mesmo que eu tenha me esquecido de tê-lo lido): “(...) quanta coisa está contida numa página não escrita, numa não página, de um não livro. Afinal, o branco é a soma de todas as cores. As possibilidades são infinitas”. E o esquecimento faz parte delas.

ítalo. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

uma ilha chamada livro, heloísa seixas



na croniqueta desta semana eu conto um fato sobre minha relação com este livro. 
até chegar a sexta-feira, então, lanço três pequenos trechos do mesmo:

"a arte é quase sempre a transformação da dor";

"a vida real é às vezes muito maior do que a ficção";

"alguém já disse que quando um leitor se senta para ler um livro, são duas solidões que se encontram".

ítalo. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Poesia é esse negócio que faz assim, ó




poesia em forma líquida
deve ser bebida ou respirada
em momentos com vagar.
(Ondjaki, “Tu que viste tantas estrelas”)

            Mais uma croniqueta-resenha. Com a sua devida licença, leitor.
            Ondjaki é Angolano. Nascido em Luanda, tem apenas 35 anos, e alguns belos livros publicados. Tenho leitura de dois deles, “Há prendizajens com o xão” e “Avódezanove e o segrdo do soviético”. O prosador e poeta domina a linguagem da forma mais apropriada que se pode ter: reinventa-a. ressignifica-a.
            Começa, por exemplo, seu livro de poemas “Há prendizajens com o xão - o segredo húmido da lesma & outras descoisas” (Pallas, 2011) dedicando algumas palavras-poema a Manoel de Barros, em quem claramente se inspirou para o fazimento deste livro. Diz Ondjaki: “apetece-me chãonhe-ser-me”. É isto ressignificar a palavra. É criar verbo, é criar ação a partir dela. É fazer os animais se verbarem: “libélulas avoam danças / aranhas cospem tranças; / morcegos ralham noites / ursos linguam potes”.
            O chão é o elemento poético de Ondjaki. É no chão que se encontram as formigas – insetos que apresentam “um medonho desconhecimento para egos”. Um chão promovido à almofada, “mas ele sobre nós”. É ao aprendermos a olhar para o chão que podemos aprender a sermos. A chão-nhe-sermos. É do chão que vem o cheiro da terra que rejuvenesce a humanidade. E aprendizagem “é a palavra que, ela sim, ramifica e desramifica uma pessoa; ela enlaça, abraça; mastiga um alguém cuspindo-o a si mesmo, tudo para novas géneses pessoais”.
Prendizajem é saber que “a mosca exagera em / amizades com a merda”. É saber que, de tanto falar, é preciso saber ouvir: “para ser grilo / há que se ter algibeiras / onde também caibam silêncios”. Brilhar por desanonimato. É saber que “ser folha é / nem sempre estar para sol”. E que “bonito é que ela respira”. Porque nem sempre – ou quase nunca – o que a gente espera é o que acontece: “uma mosca parada / pode incomodar uma pessoa”.
É do chão que vem o mundo. Mas “para assistir ao nascimento de uma palavra convém esperar dentro do chão”. 
            Ou correndo por ele. Chutando-o. Rastejando-o. Criando rastros. É o que fazem os meninos de “Avódezanove e o segredo dos soviéticos” (Companhia das letras, 2009) – meninos estes que muito me lembraram os meninos-capitães da areia, do Jorge Amado: porque ingênuos-mas-espertos; porque justiceiros-mas-amorosos.
            Pelas ruas poeirentas da PraiadoBispo, em Luanda – capital da Angola – é que brincam meninos como o EspumaDoMar, Pinduca e Charlita, sem contar o próprio menino-narrador. Brincam em meio a uma agonia: a iminência de se mudarem, forçadamente, dali de onde nasceram e desde então vivem, uma vez que os soviéticos estão a construir um mausoléu que abrigará o corpo do ex-presidente AgostinhoNeto: uma obra descomunal, que parece um enorme foguete de concreto. O que não falta neste cenário de livro são culturas variadas, portugueses, cubanos e soviéticos (reflexo de uma Angola recém-independente). Luanda, um lugar onde “as pessoas morrem sem avisar. Que falta de educação!”, como bem observava a avóCatarina.
            Não bastasse o contexto político-social tão bem apresentado, Ondjaki envolve o leitor em uma linguagem que faz assim, abraça: “O vento deve ter uma casa no tão-longe e está sempre a tentar levar as nuvens para a casa dele, mas isso é uma coisa que eu penso sozinho sem contar a ninguém, porque outras crianças podem me chamar de chanfru e os mais-velhos podem querer me dar remédios para ver se fico bom da cabeça”.
            Uma história toda que “foi num tempo que os mais-velhos chamam de antigamente”. Afinal, “o inchaço do coração / facilita o despalavrear. / a liberdade pode advir / de uma veia”.

ítalo.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

bichos convidados pelo ondjaki - III


em seu "há prendizajens com o xão":



aranha: em complicada teia, bicha muita simples. contentada com qualquer refeição avindoura, seja um mosquito distraído, um grão de pólen, ou o grandioso infinito. contém inesgotável reservatório de saliva.


raposa: tem muito gosto por agalinhamentos, na via directa do instinto.


borboleta: pratica voos ébrios, mas vive sobriamente. se cheirada liberta o odor da amizade. a partir de suas asas podem ser construídas palavras amarelas.


sapo: vive em ânsias de ser beijado por princesas. acredita em vidas passadas, onde julga ter sido príncipe. mestre de cantoria e sapiência. pratica a perigosa arte de encher balões em suas próprias bochechas. gosta de quebrar silêncios da noite.