sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Caminhos de uma nova escrita. E de novas possibilidades de leitura.


(Finalizando – momentaneamente – esta conversa, esta croniqueta).
É isto com o que nos deparamos no livro “Das tábuas da lei à tela do computador”, das escritoras Marisa Lajolo e Regina Zilbermann (Editora Ática, 2009). Um cuidado em resgatar toda a história do surgimento do texto escrito, das primeiras formas de expressão do ser humano, e das maneiras de se fazer entender oriundas daquela época.
Seguindo este caminho, como não poderia deixar de ser, ainda mais se levando em conta que a leitura, sem a escrita, não faria sentido, sendo a recíproca a maior prova da afirmação, as autoras apresentam ao leitor um panorama das diversas possibilidades de leitura com as quais hoje nos confrontamos, sejam, estas possibilidades, em termos da ação do ato de ler, quanto no que diz respeito às ferramentas utilizadas para estas leituras – exemplo do meio digital Ipad, um recurso de leitura que armazena vários e vários livros em uma tela um pouco menor do que um notebook.
Assim sendo, também, com o conceito de escrita, uma vez que a escrita mais disseminada pelo meio virtual demonstra um movimento de retomar a escrita desde sua invenção: através de sinais, de caricaturas, os hoje chamados emoticons. Bastam ser observadas expressões escritas para designar sentimentos, como                     :(             :)          *--*     ^.^       =D       =P       ¬¬       =O       =B      
Os emoticons [fusão das palavras inglesas emotion, "emoção", com icon, "ícone"] são amplamente utilizados por internautas para expressar humor e sentimentos durante troca de mensagens. Além disso, a maioria dos atuais comunicadores instantâneos já consegue decodificar essas combinações tipográficas e traduzi-las por equivalentes pictóricos, alguns inclusive com movimentos animados, de modo que ao digitar :) a seqüência se transforme imediatamente no desenho de uma "carinha feliz", assim J.
Esta aproximação muito grande entre tecnologia e escrita e leitura impõe ao ser humano, ao mesmo tempo em que permite a ele, uma capacitação para bem fazer uso de recursos como estes em prol de sua comunicação. Comunicação esta que a cada dia sofre interferências e alterações, seja na maneira oral, seja no modo verbal-escrito de se expressar. Conforme dizer das autoras, a escrita gira em órbitas da oralidade, enquanto que a leitura recompõe a unidade perdida entre as duas ações anteriores.
Estar alheio a essa contínua transformação é o mesmo que se alienar socialmente. Neste mundo não-linear, neste ritmo de vida que também não segue em linha reta e definida, não teria como ser diferente no que diz respeito às formas de comunicação e de interação. Temos um conhecimento não mais preso a uma página impressa ou a uma parede. Toda leitura, de todo e qualquer movimento, torna-se uma escrita em potencial, uma nova possibilidade de pensar e de agir e de se fazer ouvir.

ítalo.
(também publicada aqui)

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