domingo, 17 de junho de 2012

é bonito quando uma vontade bigorna.


‘jack’ somos brasileiros, lenine, permita-me escrever a ti. indagando – e isso é só o começo - quem foi que fez do sapo cantor de lagoa e de ti o leão do norte? como é que faz pra lavar a roupa? e por que deixam a mancha vir comendo pela beira, mais rápida que lancha, inclusive afogando peixe?
e de onde vem a canção, por fim?
a terra gira é para nós todos, a ponte é para ir e voltar, e a gente nunca faz ideia de quem vem lá. de quem vem lá. mas, ao contrário de ti, em muito do que eu faço eu não me lanço sem compromisso. preciso de chão para pisar. tu, do chão para gravar. tou sabendo.
eu não alimento nada duvidoso também, não.
lembro-me de quando éramos uns poetas loucos místicos. de quando éramos tudo o que não era são. lembro-me de que foi quando ela triscou por mim que vim a conhecer-te. de que seus olhos de raio-x cegaram-me de medo. eu também desejo todas elas juntas num só ser. mas tá difícil de encontrar, viu? alguém magra, leve, calma. em que tudo nela seja leve, em que tudo nela chame. alguém com quem seja bom ver o barco da vida virar. uma verba que me pague as despesas do verbo. em que paraíso distante alzira ela espera por mim?
é foda, lenine. é fogo. é a vida sempre em jogo. e ‘inda’ssim o que vale a pena é estar vivo. será que temos algum tempo pra perder? eis o mundo: precário, provisório, perecível. eis aqui dois vivos: impuros, imperfeitos, impermanentes.
é como se eu fosse pro vietnã lutar por algo que não será meu. ecos do ão. os edifícios abandonados, as estradas sem ninguém.
eu também já pensei que tivesse o mundo nas mãos. mas o céu é muito pra quem fica, não é mesmo? querer é muito para a vida. por que então a gente não acredita? parece que é sempre como se estivéssemos ali no fim do corredor. com dois olhos negros a nos encarar. é sempre aquele negócio da gente esperar do mundo e o mundo esperar de nós. a gente enverga mas não quebra. tá certo.
afinal, lenine, o que é que nos interessa?
bom, nego, já deu minha hora e eu não posso ficar. lá vem a barca trazendo o povo pra liberdade que se conquista. cê sabe como é isso da lua chamar e a gente ter de ir pra rua, né? desculpa negar teu convite. hoje eu quero sair só. é coisa de poeta navegar na contra-mão, eu sei. que sambá é também o que eu quero sentir. corra pra beira da praia e ouça o barulho bravio das ondas do mar. me dá um gole de cerveja e o resto deixa pra lá. 

ítalo, relembrando renato, cazuza, baleiro e chico.

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