sexta-feira, 25 de maio de 2012

Esta crônica não é séria


Twitto, logo existo. É mais ou menos assim, uma vez que a forma como esta ferramenta de comunicação social tem sido utilizada direciona para uma sinalização, aos seus seguidores, de onde você está ou do que você está fazendo ou do momento de sua vida pelo qual você está passando. E aqui tal afirmação é feita não de uma forma crítica, e também bastante longe da argumentação vazia de que o twitter serve apenas para ser um chip humano que as pessoas acessam para saberem como você está. Tal ferramenta pode ser muito mais do que isso. E me parece que é.
Tudo acaba dependendo de quem faz uso deste microblog simples e convidativo. (Como tudo na vida. Enfim).
Há, por exemplo, o caso de twittar uma indireta pra alguém e, de repente, este alguém nem mais lhe seguir. Seria como enviar uma carta grosseira pr’uma pessoa – ou bater na porta da casa dela – e ela ter se mudado. Você não ficou sabendo da mudança, nem do unfollow que recebeu.
Eis a democracia do twitter. Você segue e ‘dessegue’ quem quiser e quando quiser. Não há limites, muito menos regras. Esses dias alguém retwittou assim: “esse clima gostoso de twitter que é dar satisfação da sua vida gratuitamente pra algumas dezenas de semi-conhecidos”. E não é? Talvez não, se o uso for somente profissional. Mas deve ser muito legal mesmo ser um profissional no twitter, afinal, já não basta trabalhar oito ou mais horas por dia com alguma seriedade? ~ironia~
Rede social é e precisa ser descontração. Irritar-se com algo que não é do seu agrado é dar tiro no pé. Eu tenho orgulho da minha tl, vivo twittando e retwittando isso. Não sigo alguém porque é amigo e só. Sigo meios de informação, jornalistas ou escritores, e gente aleatória que só twitta ‘porcaria’. Pouco me importo o número de seguidores que tenho ou a quantidade de gente que sigo. Gosto de ler algumas informações soltas e coisas leves, descontraídas. Sigo pelo menos um torcedor de cada time. Daqueles fanáticos, chatos, insuportáveis. Vezemquando, provoco-os. Puramente pra ver o ‘circo pegar fogo’. Tenho esperança de que um dia as pessoas deixem de levar a vida tão a sério. O twitter é uma tentativa.
Tem gente que economiza twitt como se fosse dinheiro. Não compreendo isso. Redes sociais apresentam, como propósito primeiro, a comunicação entre as pessoas, e, em segundo lugar, uma exposição de si mesmo-em-busca-da-fama-perdida, mas tá. Logo, não é através do silêncio que a coisa-vai-andar. Não me refiro a argumentações e blábláblá desnecessário. Cria um blog ou escreve carta/e-mail pra jornal, se quiser apresentar ideias. Refiro-me à troca de figurinhas, coisa rápida, tipo um bate-bola. Mas para isso é preciso saber lidar com as diferenças. Mais: é preciso ter respeito às diferenças. E aí voltamos à liberdade de seguir quem você quiser e pronto.
É uma questão de interesse. Como tudo na vida. Do verbo comer. Afinal, “sem verba não há comida”, diz um twitt perdido porraí. E perdido porque outra característica marcante desta ferramenta é sua brevidade. Puro reflexo dessa contemporaneidade na qual estamos inseridos. Um twitt existe e já deixa de existir na mesma hora. Não foi feito pra durar. (E alguma coisa hoje em dia é feita para durar?). Quer ver, então, acompanhar jogo de futebol por ali. Você lê de tudo: “foi pênalti! Juiz filho da puta! GOL!” e no twitt seguinte, “chupa, globo!”. É muito mais interessante do que acompanhar as emocionantes narrações televisivas.
O twitter, assim como o futebol, não deve ser levado a sério, ensina-nos a vida.

ítalo.

(também publicada aqui) 

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