segunda-feira, 23 de abril de 2012

releituras de "o alienista"

gosto de propor aos alunos a escrita de releituras de obras. percebe-se, né? considero uma boa forma de propor uma reflexão envolvendo contextos históricos: passado e futuro. 
seguem duas releituras de "o alienista", do machado de assis,
escritas por alunas do segundo ano do ensino médio.
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O início do panatório

Na pequena cidade de Buford (Wyoming-USA), inicia-se uma campanha de vacinação proposta pelo Dr. Antony Smith com o objetivo de erradicar a gripe.
Duas semanas depois, a cidade encontrava-se atordoada, pois havia rumores de um novo vírus que era "imune" à vacina. Este vírus recebeu o nome de Croatoan (H1R2) e havia atingido apenas as pessoas que foram vacinadas. Em estado de alerta, Dr. Antony decidiu separar as pessoas daquelas que estavam infectadas, deixando-as em um campo de concentração criado na década de 20 para estudar os presidiários.
Médicos de outras cidades se reuniram para encontrar uma solução para curar as pessoas, mas foram impedidos de realizarem experiências com os doentes, e assim, não houve como ajudá-los. 
Algum tempo depois, as pessoas começaram a atacar umas às outras, levando, na maioria das vezes, à morte de pessoas inocentes.
Dr. Antony conseguiu administrar e acalmar as que estavam causando problemas, então, as pessoas que estavam presas começaram uma revolta, pois queriam ser libertadas daquele lugar precário.
Como os problemas estavam acontecendo apenas nos concentrados, Antony entendeu que havia curado a parte afetada da população e agora o vírus atingira a parte das pessoas que estavam isoladas. Ele não sabia o que fazer, via-se sozinho em uma situação difícil e tinha que controlar todas as pessoas.
Depois de muitas tentativas de cura, não conseguia mais lutar contra eles, pois havia encontrado indícios de que a doença o atingira.
Resolveu abrir as portas do campo de concentração e então os habitantes de Buford começaram uma verdadeira guerra. Antony se isolou e esperou a guerra acabar para todos os moradores morrerem. Quando tudo acabou, ele concluiu seu objetivo: acabar com todas as pessoas da cidade desde que descobriu que havia uma grande quantidade de petróleo embaixo de Buford, para vendê-la para um árabe e, assim, conseguir muito dinheiro.

(Liciane e Ludmila)
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A estética da Casa Branca

Olhando pelos vidros embaçados de sua residência, Dona Evarista contemplava sozinha uma nova manhã de inverno que aos poucos ia nascendo, surgindo devagar.
Percebeu que as nuvens de chuva estavam se afastando, para longe dali, e as únicas gotas de água que restavam eram as que pingavam gota a gota das calhas das casas. Avistou o ônibus que levava os trabalhadores da fábrica de tecidos passar, viu Porfírio, dono da padaria, marido de Dona Elvira, a qual provavelmente não gostaria de vê-la nem pintada de ouro a sua frente, passar assoviando por debaixo de sua sacada. Suspirou e tentou decidir entre voltar para cama e dormir mais um pouco, ou ir até a cozinha tomar uma xícara de café, quando finalmente decidiu-se por dormir mais um pouco, já que não iria fazer nada hoje, de novo, e provavelmente não iria ver ninguém.
Avistou Carmem passar do outro lado da rua, sorrindo, feliz e bonita, com a cara um pouco melhor. Sorriu por isso, fechou a cortina da sacada e virou-se deixando uma Itaguaí calma para trás, nem se parecendo com o caos que há duas semanas ali passava.
Carmem franziu o cenho ao ver seu reflexo na vitrine, espelhada da padaria, achou que seu rosto já esteve com uma aparência bem mais apresentável que de há duas semanas. Seguiu em frente, duas quadras depois, passou pela Casa Branca, suspirou tentando não se lembrar do ocorrido, porém, era impossível. Há duas semanas, a frente da Casa Branca foi tomada pelas mulheres de toda Itaguaí. 
Itaguaí era no momento uma das cidades onde os centros de beleza e estética deixavam qualquer mulher fissurada, havia ali todos os tratamentos de beleza imagináveis, dos mais insignificantes até os mais caros e cobiçados, pelos quais as mulheres faziam loucuras e milhões de dívidas.
A Casa Branca, a Casa de Estética de Dona Evarista, era um dos mais procurados da cidade e da região.
Dona Evarista, senhora simpática, porém um pouco fria, mas fazia de tudo para fazer a clientela satisfeita.
Equívoco, erro, descuido, ou propósito, dizem as más línguas que o propósito. Um belo dia, todas as mulheres frequentadoras da Casa Branca amanheceram com o rosto avermelhado, inchado e cheio de manchas. Estava instalada a revolta. Quando Dona Evarista soube do ocorrido, trancou-se na Casa Branca, fechou todas as portas e janelas, fazendo-se de desaparecida, não atendendo telefonemas e não recebendo mais ninguém.
As mulheres gritavam, protestavam, gritavam de novo, fizeram cartazes, foram parar nos noticiários, mas Dona Evarista não apareceu. Uns dizem que por sua também obsessão por beleza e por usar produtos, havia se matado. Outros dizem que ela fugiu e outros inventam o que simplesmente lhes vêm à cabeça, mas a verdade ninguém...

(Taís L. e Débora B.)
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ítalo.

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