sexta-feira, 27 de abril de 2012

a cidade não mora mais em mim*



                                                                                  É bom acabar com isso. dispensa essa vadia, Chico. Não faz assim, não vai lá não.

eu também queria ser um tipo de compositor, chico. não daqueles capaz de cantar um amor modesto. nem barato. mas daqueles que pudessem te avisar que a cidade é um vão. que pudessem te conduzir por uma escada em espiral, por uma galeria, como um dia depois de outro dia. abrindo um salão, passando em exposição. catando a poesia entornada no chão. antes que um aventureiro lance mão. mas a gente sabe, caro amigo, quando cada instante é sempre.

e daí eu também iria fazer um samba em homenagem à nata da malandragem. iria, com certeza. assim como iria sambar na pista. iria sair com o samba. e não sei se voltaria. eu não quebro, chico.

ah, se eu só lhe fizesse o bem, não é mesmo? casava com outro, se fosse capaz. mas se você quer mesmo saber por que ela ficou comigo, eu digo que não sei. desculpa. eu também te perdôo.

eu não creio em deus, então me privo de erguer as mãos para o céu. eu choro em iorubá, mas oro por jesus. mas ontem me deparei com o malandro-barão-da-ralé na praça outra vez. caminhando na ponta dos pés e de fato pisando nos corações. qual a relação de deus com o malandro? ora, obviedades, chico. eles estão sempre no palco, na praça, no circo, num banco de jardim. e, sim, nós sabemos que também sem a cachaça ninguém segura esse rojão. devo me benzer com o sinal da santa cruz?

tou na estrada há muitos anos. e a dor é tão velha que pode morrer. quem é você que odeia e adora numa mesma oração? nem precisa dizer você é aquele com quem aprendi a perder e achar graça.

eu te vejo sumir por aí. nós sabemos que a cidade é um vão. porém, não se afobe e desculpe eu vir assim, sem avisar. nós também sabemos que nada é pra já. como num romance. como quando toca um samba e eu o tiro pra dançar. nosso samba ainda é na rua. sim, me dê a mão. a gente agora já não tinha medo. no tempo da maldade eu realmente acho que nem tínhamos nascido. mas se você puder esperar, me dá só um dia, que eu prometo, faço desatar minha fantasia.

mentira. a gente não é obrigado a ser feliz. é muita mentira pra mim.
mas ser também não faz mal.

mas fique atento, chico. eu sei que hoje o samba saiu. procurando você. e se você sentir saudades, por favor não dê na vista. vem e me esquenta porque o cobertor é curto e eu não vou cair na tua conversa mole outra vez. não sou mais uma das tais. nem quero te ver sumir no mundo sem me avisar.

inventaste o pecado, chico. meu corpo é testemunha, não fuja não. faz favor de inventar o perdão.

* escrito com Monica Saraiva


(publicado aqui)


ítalo.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

releituras de "o alienista"

gosto de propor aos alunos a escrita de releituras de obras. percebe-se, né? considero uma boa forma de propor uma reflexão envolvendo contextos históricos: passado e futuro. 
seguem duas releituras de "o alienista", do machado de assis,
escritas por alunas do segundo ano do ensino médio.
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O início do panatório

Na pequena cidade de Buford (Wyoming-USA), inicia-se uma campanha de vacinação proposta pelo Dr. Antony Smith com o objetivo de erradicar a gripe.
Duas semanas depois, a cidade encontrava-se atordoada, pois havia rumores de um novo vírus que era "imune" à vacina. Este vírus recebeu o nome de Croatoan (H1R2) e havia atingido apenas as pessoas que foram vacinadas. Em estado de alerta, Dr. Antony decidiu separar as pessoas daquelas que estavam infectadas, deixando-as em um campo de concentração criado na década de 20 para estudar os presidiários.
Médicos de outras cidades se reuniram para encontrar uma solução para curar as pessoas, mas foram impedidos de realizarem experiências com os doentes, e assim, não houve como ajudá-los. 
Algum tempo depois, as pessoas começaram a atacar umas às outras, levando, na maioria das vezes, à morte de pessoas inocentes.
Dr. Antony conseguiu administrar e acalmar as que estavam causando problemas, então, as pessoas que estavam presas começaram uma revolta, pois queriam ser libertadas daquele lugar precário.
Como os problemas estavam acontecendo apenas nos concentrados, Antony entendeu que havia curado a parte afetada da população e agora o vírus atingira a parte das pessoas que estavam isoladas. Ele não sabia o que fazer, via-se sozinho em uma situação difícil e tinha que controlar todas as pessoas.
Depois de muitas tentativas de cura, não conseguia mais lutar contra eles, pois havia encontrado indícios de que a doença o atingira.
Resolveu abrir as portas do campo de concentração e então os habitantes de Buford começaram uma verdadeira guerra. Antony se isolou e esperou a guerra acabar para todos os moradores morrerem. Quando tudo acabou, ele concluiu seu objetivo: acabar com todas as pessoas da cidade desde que descobriu que havia uma grande quantidade de petróleo embaixo de Buford, para vendê-la para um árabe e, assim, conseguir muito dinheiro.

(Liciane e Ludmila)
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A estética da Casa Branca

Olhando pelos vidros embaçados de sua residência, Dona Evarista contemplava sozinha uma nova manhã de inverno que aos poucos ia nascendo, surgindo devagar.
Percebeu que as nuvens de chuva estavam se afastando, para longe dali, e as únicas gotas de água que restavam eram as que pingavam gota a gota das calhas das casas. Avistou o ônibus que levava os trabalhadores da fábrica de tecidos passar, viu Porfírio, dono da padaria, marido de Dona Elvira, a qual provavelmente não gostaria de vê-la nem pintada de ouro a sua frente, passar assoviando por debaixo de sua sacada. Suspirou e tentou decidir entre voltar para cama e dormir mais um pouco, ou ir até a cozinha tomar uma xícara de café, quando finalmente decidiu-se por dormir mais um pouco, já que não iria fazer nada hoje, de novo, e provavelmente não iria ver ninguém.
Avistou Carmem passar do outro lado da rua, sorrindo, feliz e bonita, com a cara um pouco melhor. Sorriu por isso, fechou a cortina da sacada e virou-se deixando uma Itaguaí calma para trás, nem se parecendo com o caos que há duas semanas ali passava.
Carmem franziu o cenho ao ver seu reflexo na vitrine, espelhada da padaria, achou que seu rosto já esteve com uma aparência bem mais apresentável que de há duas semanas. Seguiu em frente, duas quadras depois, passou pela Casa Branca, suspirou tentando não se lembrar do ocorrido, porém, era impossível. Há duas semanas, a frente da Casa Branca foi tomada pelas mulheres de toda Itaguaí. 
Itaguaí era no momento uma das cidades onde os centros de beleza e estética deixavam qualquer mulher fissurada, havia ali todos os tratamentos de beleza imagináveis, dos mais insignificantes até os mais caros e cobiçados, pelos quais as mulheres faziam loucuras e milhões de dívidas.
A Casa Branca, a Casa de Estética de Dona Evarista, era um dos mais procurados da cidade e da região.
Dona Evarista, senhora simpática, porém um pouco fria, mas fazia de tudo para fazer a clientela satisfeita.
Equívoco, erro, descuido, ou propósito, dizem as más línguas que o propósito. Um belo dia, todas as mulheres frequentadoras da Casa Branca amanheceram com o rosto avermelhado, inchado e cheio de manchas. Estava instalada a revolta. Quando Dona Evarista soube do ocorrido, trancou-se na Casa Branca, fechou todas as portas e janelas, fazendo-se de desaparecida, não atendendo telefonemas e não recebendo mais ninguém.
As mulheres gritavam, protestavam, gritavam de novo, fizeram cartazes, foram parar nos noticiários, mas Dona Evarista não apareceu. Uns dizem que por sua também obsessão por beleza e por usar produtos, havia se matado. Outros dizem que ela fugiu e outros inventam o que simplesmente lhes vêm à cabeça, mas a verdade ninguém...

(Taís L. e Débora B.)
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ítalo.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

releitura carta de caminha


alunos meus do terceirão escreveram releituras para a carta de pero vaz de caminha, buscando um olhar crítico para o brasil de hoje. 
selecionei duas, as alunas concordaram, e cá estão (boas pacaraleo!)
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"Então, excelência, nessa semana que passou pude compreender os pontos principais deste povo. Para começar, este país é muito grande, há muitos povos oriundos de vários países, e a cultura?! Nem se fala. Mas também não precisa preocupar-se em não conseguir dominá-los, o governo daqui já deu um jeito de manipular, não investem nas ideias (pelo menos as sem algum interesse), são ensinados desde pequenos a não gostar dos estudos, a não ter opinião.
O que eles amam é festa, nem precisa ser tão grande, um pequeno divertimento para sair da rotina já está valendo. A maioria ama beber, e andam tão bêbados que ainda acham que são o país do futebol. São tão alienados da realidade, que nem percebem que o preço que pagam em uma ligação de tempo ilimitado, em certos planos, é o mesmo que crianças vendem suas balas em semáforos das grandes cidades.
Já houve tempo em que os artistas tentaram mostrar a realidade, a reunir inúmeras vozes cantando 'que país é este?'. Mas isso se tornou tão comum que foram trocados por bandas adolescentes em crise de existência, por obras superficiais de simples entretenimento, e fantasias que fazem do cotidiano sua ilusão, e suas fábulas seu existencialismo.
Assim, o que posso dizer é que eles mesmos se enganam. Porém, aos poucos estão encontrando o caminho de volta, em algumas áreas, até estão crescendo, como economia. O que não dá para negar é que há muita esperança alimentada em milhares de olhos enrrugados. 
Saudações, Amanda
01/04/2012"
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"Improvisos Brasileiros

- Alô?!, rei, 'tá' me ouvindo?
- É o seguinte, não fala nada não, só escuta e se der, grava também.
Escrevi os relatos da viagem naquela ata que o senhor mandou cunhas em letras de prata, então, roubaram-na. Mas pode ficar sossegado, a polícia diz que está investigando o caso. Por prevenção, havia tirado umas fotos, contudo, a câmara caiu quando entrava no bondinho, agora só me resta torcer para que a área do celular não baixe, e que o 'infinity da tim' funcione.
De fato, são terras gigantes e com características peculiares. A sociedade é organizada de forma diferente, e desigual, para isso, os engravatados lá de Brasília dizem que são eles que prezam por melhorias, consequentemente, arrecadam o dinheiro deles. Creio que se o senhor, meu rei, fornecer nosso ouro, rapidamente as barreiras burocráticas, aqui existentes, iriam desmoronar. 
A respeito do mito da mulher brasileira, é totalmente verídico. Quando chegamos na Bahia, estavam lá as mulatas sambando na avenida e fornecendo 'amor' nas esquinas.
A floresta amazônica é de fato gigantesca, muita madeira estava sendo cortada, viajantes orientaram-me para que agradasse financeiramente o vigia e desfrutasse à vontade dos recursos desta floresta. Creio que, com a quantia do agrado, muitas florestas poderão ser constituídas aí.
Piff, (falha na rede) - FORA DO AR - volta o sinal.
- Rei, você me desculpe, mas uma galerinha apressada me jogou pra dentro do carro e está me cobrindo com um saco plástico, não entendo muito bem o que estão falando, porque tem um camburão atrás de nós com a sirene ligada, vou entrar na brincadeira aqui, te retorno mais tarde.
*Nunca mais retornou a ligação".  (Cintia)
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ítalo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

analize de sossiedade dos poetas mortos


por um aluno meu,do terceirão.


"Tezão pá carai o filme, é bão q nossa, quase chorei no final qndo o piazão se matou-se cos tiro na testa, os barroco que na real n vi só vi neve, mais foi tesão, os arcadinho uns escravo parcero que limpava o coléjo, tinha uma meia duzia de piazada q curtia umas viadage de ser romantico e um professor meio hippie que queria dar uma de cheguevara e partio caqui da escola.
No final deu merda e ninguém se deu bem, os x-9 cuzão botaram tudo no cu do professor e vazaro ilezo".


coragi, gente. coragi.


ítalo.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Tenho me falecido leitor

            Preciso matar o Ítalo-leitor que sou. Há muito.
Foi-se mais um livro lido, e faltou novamente aquela pausa para tomar fôlego, sentindo o quanto se está envolvido com a narrativa, com a história. No máximo, alguns bons socos no estômago. Mas não vivo de frases soltas. Não quero livros sublinháveis. Pensei em parar a história pelo começo. Deveria ter feito. Porque foi só. Setenta páginas iniciais em que estive encantado. Dali em diante, acabou-se o encanto, acabou-se o amor. Parei na página duzentos. Faltaram outras setenta. Mas tenho sido um ótimo leitor nisso de abandonar os livros antes de finalizá-los. (Refiro-me a “Ribamar”, do José Castello)
Não quero mais isso. (Abandonar os livros, continuarei. Pennac muito bem me ensinou quando o li, há alguns anos. Nem pensar em abrir mão do mandamento de abandonar um livro quando ele não mais lhe agrada). O que não quero continuar é com essa literatura que se preocupa mais com a linguagem do que com a história. É febre. Pelo menos para mim estava sendo. A procura era somente por livros assim. Li bastante coisa boa, mas me enjoei.
Até mesmo andei escrevendo coisas assim. Tenho a chance de voltar atrás e não publicar. Ou publico com uma nota de rodapé: “Estes escritos são de um Ítalo que não existe mais, que não mais acredita neste tipo de texto”. E não acredito mesmo. A literatura não me tem mais tocado como anteriormente. Tem sido difícil encontrar algo que me faça sentir a vida pulsar. Não recuso a ideia de que talvez falte vida em mim mesmo, daí não haverá livro que me fará encontrar nele o que aqui está ausente. O último que me encantou foi “Capitães da areia”, do Jorge Amado, sobre o qual já escrevi. Mas antes dele não tenho recordação.
“Ribamar” não é livro ruim. Longe disso. O meu nível de exigência está alto, sim. Advém daí, também, meus tiros n’água. Vencedor da 53ª edição do Jabuti, na categoria romance, a narrativa em primeira pessoa faz do leitor um confidente do narrador, este que escreve sobre o fazer de um livro chamado “Ribamar”, feito todinho com pensares do filho sobre o pai (nunca vi tanta referência às obras do Kafka. Enjoam, mas me parece que isto é proposital) e blábláblá.
Agora, esta semana, comecei a ler “Crônica de uma morte anunciada”, do Gabriel García Márquez, por insistência da Monica, amiga leitora e escritora com quem já troquei muitas referências literárias. Tenho uma dívida gigante com ela: “Cem anos de solidão”, também do Márquez. Comecei, então, pelo “Crônica”. E me envolvi demais com as primeiras setenta páginas. Livro longe de se enrolar pela linguagem. Ao contrário. Vai direto à história e pronto. Não tem me levado ao delírio-literário, mas me tem agradado.
Mudar-se enquanto leitor envolve isto de não esperar demais de um livro, e também de recorrer aos clássicos (sempre eles!) em caso de asfixiamento. Taí um assunto cronicável. Os clássicos. Se assim são chamados, motivos há. Cronicarei a respeito na semana que vem. Quem sabe até lá eu já esteja respirando melhor, literariamente falando. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Fodidos pela arte. E pela linguagem.

"Somos, enfim, o que fazemos para transformar o que somos. A identidade não é uma peça de museu, quietinha na vitrine, mas a sempre assombrosa síntese das contradições nossas de cada dia. Nessa fé, fugitiva, eu creio. Para mim, é a única fé digna de confiança, porque é parecida com o bicho humano, fodido mas sagrado, e à louca aventura de viver no mundo".
Esse Eduardo Galeano, no texto "Celebração das contradições/ 2", no "Livro dos abraços", leva-me à palavra. Que por si só contradiz. E consequentemente acontece com quem dela faz uso. E que bom que assim é. Perfeição de entendimento tornaria o mundo mais caótico do que já é, acredito.
Existimos pela incompletude da linguagem. Não nos há como fugir disso.
Há uma passagem da peça "Passport", da Companhia Rústicos Teatral, em que um dos policiais diz ao outro algo mais ou menos assim (porque toda transcrição de fala é imperfeita por natureza): "O que me tranquiliza, chefe, é saber que nessa vida estamos todos fodidos".
E não é assim? 
A sinopse da peça diz: "Tudo acontece em alguma cidade, algum país esquecido. O Oficial e o Soldado exercem suas funções cotidianas sob a ordem dada em outro tempo. E em eterno presente, o Cidadão se vê em alguma cidad, algún país olvidado. Mesmo falando a mesma língua, Cidadão e Soldado não conseguem se entender quando chegam ordens do Oficial (o chefe). O Cidadão é preso como um suposto terrorista e é na cela que, segundo o diretor da peça, Samuel Kühn, os personagens são envolvidos “em situações absurdas desencadeadas, sobretudo, pelo conflito linguístico, em que são abordadas questões como a incomunicabilidade e a perda de sentido". A peça, baseada em um texto do dramaturgo venezuelano Gustavo Ott, explora os limites da linguagem, a incapacidade de comunicação entre as pessoas, mas não só. Ela inquieta o leitor que assiste a ela porque não há o que ser feito numa situação em que duas vozes dialogam cada uma em uma dimensão própria, podemos chamar assim. Nós que assistimos alcançamos essas duas dimensões (quem sabe?), mas não nos cabe intervir. Talvez se tornaria, a nossa, apenas uma terceira voz se perdendo entre as outras duas. Quanto mais alto o barulho, menos se ouve dele. 
Mas voltando à frase presente na peça, desde que assisti a ela duas vezes, não me sai da cabeça. E eu vivo repetindo-a, às vezes em alto e bom som. Como que para internalizá-la mais e mais. E para me sentir mais leve também. Porque haja mania grandioloquente de nossa parte em tornar maior aquilo que é tão pouco, não é mesmo? 
Eu escrevo personagens por aí. Dia sim, outro também. Vários personagens, às vezes. Noutras, grudo-me em um só. Sinto-me sempre acompanhado. Não só ouço, como também falo. Dividimos pedaços de vida. Compartilhamos felicidades e frustrações. Trilhamos caminhos separados, sim, mas unidos de alguma forma. Pela fala. E acreditamos num entendimento mútuo do que falamos entre nós. É melhor assim. Por mais que saibamos que entender mesmo a gente continua entendendo só o que queremos dizer e o que queremos ouvir. E o nosso querer não é nosso, no sentido de ser de dois. É um querer de cada um. Compartilhados. Misturados. Mas não tornado um só. 
Então que ter essa ciência, de que estamos fodidinhos - graças a deos - no mesmo barco alivia muito a vida. 
É uma forma de nos abraçarmos, talvez. 

ítalo.