terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tête-à-Tête: uma questão de respeito

Isso de terapiar é foda. Não é verbo, mas a gente faz ser. Porque é uma ação. E algumas reações. Mexe com tudo. Em você e nos arredores, nessas arestas de vida que a gente deixa por onde passa. (Inevitável, se até ficar parado é uma forma de agir e reagir perante o mundo, dizem). Tô há seis meses mexendo e remexendo em mim mesmo e, por tabela, num punhado de gentes e de vivências. Encarando meus próprios demônios, é o que costumo dizer. Muitas orelhas devem estar queimando e avermelhando.  
Eu terapio, tu terapias, nós sofremos. Mais ou menos porraí, uma vez que, ao escolher terapiar, é feita também a escolha de cutucar aquilo que muito bem está guardado dentro de si – por mais que a primeira impressão ou busca seja por algo recém-vivido, geralmente muito dolorido. Parece autoflagelação, mas está longe disso. Pra mim, por experiência própria, está relacionado a desconstruir para reconstruir. Só sentindo para saber, óbvio.
(Este é o momento da crônica em que adiciono o clichê da semana: quem é que não cresce com o sofrimento?).
Quem consegue viver sem os clichês, não é mesmo, Woody Allen?
O futebol era uma forma de terapia para mim. Livros e filmes e música e estar com amigos são formas de. Mas formas paliativas. Enquanto eu não me concentrei naquilo que está dentro, e não nesses paliativos externos – que são muito importantes também, por uma questão simples de que estamos inseridos em um meio social do que não podemos fugir, a não ser fazendo como o personagem do filme “Na natureza selvagem” – eu não consegui encontrar alguma forma de equilíbrio em mim mesmo. Agora é um processo que eu chamo de tijolinho por tijolinho. Não chega a ser surreal.
De repente, tornei-me muito imagens, graças à terapia. Visualizar um tijolo sendo colocado de cada vez como parte de uma estrutura se formando em si mesmo é algo recorrente. Também não chega a ser ilusão de ótica. Não chega a estar relacionado a um plano espiritual. É concreto no sentido de se sentir mais fortalecido a cada sessão, de olhar para si e para os arredores, de variar o que está dentro e o que está fora, de relacioná-los, e, principalmente, de se respeitar.
Terapiar é o caminho de maior respeito para consigo mesmo. E se respeitar é a base mais sólida que alguém pode ter.

ítalo. 

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