terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Entre clichês de virada de ano

            Tem isso de virar o ano e todos desejarem uma mudança de vida. É muito mais desejo do que prática, com exceção das tradicionais: vestir branco e pular sete ondas. Há até quem vista cores claras e pule na piscina como forma de, por tabela, ser agraciado pela rotina. Eis um paradoxo de tal festividade, a busca por mudança através de um gesto repetitivo a cada dia 31 do último mês, um sinal clássico de quem concentra em um minuto todas as possibilidades – e impossibilidades – de mudar de vida.
É uma dimensão que eu não alcanço. Chego quase ao extremo de levar tal data como apenas mais uma de tantas já vividas, mas o ambiente familiar me coloca em bonitas situações de confraternização – e aqui não há ironia nenhuma no dizer. Um jantar e um estar entre gentes papeando é o que me agrada, puramente pelo compartilhar desse estar, pouco me atentando ao tal dia.
Eu não desejo feliz natal e me esqueço do tal feliz ano novo. 
É ano velho, é ano novo, são pouquíssimos dias para cair na armadilha de que tudo mudou e de que, portanto, a vida também é nova. Podemos entrar na esquina do clichê “a vida muda todo dia, toda hora” ou desviar para o clichê desta crônica, “não é em um dia que se resolve uma vida”, e assim abraçarmos o clichê mundano de que tudo se resume a uma série de acontecimentos que se bifurcam em algum momento.
Já são duas semanas e eis a primeira crônica. Que surge das lembranças desse longo período de férias (ser professor tem disso também), em que a ausência de rotina deu o ritmo diário, em que não faltaram programas diferentes daquilo que se faz durante o ano, em que revi pessoas há tanto não sentidas presencialmente, e ainda conheci gentes lindas e suas vivências compartilhadas em rodas de conversas.
Daqui em diante, aos poucos, a volta aos dias rotineiros de trabalho e afazeres aleatórios. É preciso tanto trabalhar quanto ir ao bar, tanto se aquietar quanto interagir, tanto concentrar todas as energias num instante quanto espalhá-las por direções nem sempre conhecidas. É algo mais ou menos assim isso de viver, com acentuadas margens de erros. 

2 comentários:

Assis Freitas disse...

o ano que começa me enche de possibilidades de novos erros,


abraço

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

É isso aí.

Abraço.