terça-feira, 22 de novembro de 2011

Os livros que dou

“Na verdade, todo livro é invisível até que alguém o leia, entenderam? – explicou o ancião, pacientemente. – Os livros se tornam visíveis à medida que vão sendo lidos. Depois, são postos em estantes ou guardados em armário e tornam a ser invisíveis. O importante é que alguém os leia”.
Eis o trecho final de “O livro invisível”, do escritor Santiago García-Clairac, uma história infantil um tanto quanto rasa, mas que ainda assim apresenta alguns fundos falsos em que se torna possível mergulhar. O recorte acima é um deles.
E casa perfeitamente com um movimento que tem me ocorrido, de fazer com que meus livros-invisíveis-porque-nas-prateleiras se tornem livros-visíveis-porque-lidos-por-outros. E, com isso, alguns bons amigos estão sendo presenteados com histórias que já fizeram parte de mim – e que até continuam fazendo, aqui dentro, não mais como objeto-livro-na-estante.
A Francine ganhou “Fica comigo esta noite?”, a Jozi, “A vida que ninguém vê” e “Cartas para o coração”, o Paulo, “Filosofia em comum”, o Jefy, “Crônicos” e “Trem-Bala”, a Jessin, “Mundo infinito” e “Divã”, a Amanda, “Arranjos para assobio” e “O outro” e o Edu, “Corpo Sutil”. É muito livro, né? Sendo lido por muitas gentes. É preciso algo mais para que a leitura aconteça?
Porque deles os livros vão adiante, depois. Porque a ideia de que nada dura para sempre também serve para objetos, parece-me. E que bom. Assim como os sonhos vêm e os sonhos vão (né, Renato Russo?), os livros vão e os livros vêm. Jefy já tem um para me dar. Amanda me presenteou com outro, “O livro de haicais”, Mário Quintana. E quantos ainda circularão por entre nós? Sem contar aqueles emprestados-e-devolvidos e os emprestados-e-nunca-devolvidos. Há coisas que voltam. Há outras que não.
Desapego é o nome desse movimento? Pode até ser. Contudo, é-me preferível lidar com aquilo que não se nomeia. E não se prende. O mesmo para relações (êita palavra forte!) entre pessoas. Como disse o Fox, certa vez, “As melhores coisas da vida são compostas de vem e vai”.

ítalo.

3 comentários:

Vanessa Souza Moraes disse...

O livro só passa a existir para o leitor...

Elaine Lemos disse...

Fazia tempo que não passava por aqui. Acabo de me lembrar o quanto isso é bom!!

Nesse vai e vem, o que fica é essa delícia de ser parte do mundo.

Um super beijo!

Marcio Nicolau disse...

se me permite nomear, chama-se desprendimento esse processo. A Literatura não é, afinal, libertadora?