eu deveria estar no rio de janeiro agora. hoje. de hoje até domingo que vem. eu deveria, sim. porque fui escolhido por uma comissão avaliadora da unesco para integrar o projeto "a gente é agente", destinado ao trabalho de práticas leitoras, de incentivo à leitura. é coisa grande, sim. é em nível nacional, sim. é um puta negócio!
seria.
se eu não me chamasse ítalo puccini.
sou puccini, assim como um monte de gente. e uma dessas gentes trabalha no setor de cultura da prefeitura de joinville. e o fato de eu e ela termos o mesmo sobrenome - e sermos parentes - simplesmente me impediu de participar do projeto para o qual fui escolhido graças ao meu currículo acadêmico e profissional.
culpa de alguém? óbvio que não!
é uma questão de sina.
se eu tivesse o sobrenome da minha mãe, não aconteceria isso.
gritei pra fora, porque pra dentro faz mal, dizem.
soquei o ar, porque bater em mim mesmo não curto.
chorei de ódio, porque humor negro não me agrada.
o calvin pergunta, e eu faço uso da pergunta dele:
"O mundo é injusto, eu sei, mas por que ele não pode ser injusto a meu favor?"
né?
e continuei respirando. talvez porque seja o mais simples de se fazer.
tipo aquele samba do paulinho da viola que diz:
"faça como um velho marinheiro / que durante o nevoeiro / leva o barco devagar".
aliás, ouvir samba foi a melhor coisa que fiz desde que me deram a notícia.
a vida tem paliativo porraí para lidarmos com isto chamado acaso.
ítalo.
3 sentires:
Com sua filosofia de resignação, Linus diria, encostado no muro:
- Assim é a vida, Charlie Brown!
Tenho um amigo que diz "bom é você conseguir fazer alquimia", você fez, Íta! Texto muito bonito, algo lamentável.
Outras oportunidades virão, parabéns pelo currículo já nacionalmente admirado! ;)
Beijos, beijos!
Ana
poxa... que triste. mas virão outros, com certeza.
beijo.
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