domingo, 20 de novembro de 2011

o nome disso é vida

eu deveria estar no rio de janeiro agora. hoje. de hoje até domingo que vem. eu deveria, sim. porque fui escolhido por uma comissão avaliadora da unesco para integrar o projeto "a gente é agente", destinado ao trabalho de práticas leitoras, de incentivo à leitura. é coisa grande, sim. é em nível nacional, sim. é um puta negócio!

seria.

se eu não me chamasse ítalo puccini.

sou puccini, assim como um monte de gente. e uma dessas gentes trabalha no setor de cultura da prefeitura de joinville. e o fato de eu e ela termos o mesmo sobrenome - e sermos parentes - simplesmente me impediu de participar do projeto para o qual fui escolhido graças ao meu currículo acadêmico e profissional.

culpa de alguém? óbvio que não!
é uma questão de sina.
se eu tivesse o sobrenome da minha mãe, não aconteceria isso.

gritei pra fora, porque pra dentro faz mal, dizem.
soquei o ar, porque bater em mim mesmo não curto.
chorei de ódio, porque humor negro não me agrada.

o calvin pergunta, e eu faço uso da pergunta dele:
"O mundo é injusto, eu sei, mas por que ele não pode ser injusto a meu favor?"

né?

e continuei respirando. talvez porque seja o mais simples de se fazer.

tipo aquele samba do paulinho da viola que diz:
"faça como um velho marinheiro / que durante o nevoeiro / leva o barco devagar".

aliás, ouvir samba foi a melhor coisa que fiz desde que me deram a notícia.

a vida tem paliativo porraí para lidarmos com isto chamado acaso.

ítalo.

3 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Com sua filosofia de resignação, Linus diria, encostado no muro:
- Assim é a vida, Charlie Brown!

Aninha Kita disse...

Tenho um amigo que diz "bom é você conseguir fazer alquimia", você fez, Íta! Texto muito bonito, algo lamentável.

Outras oportunidades virão, parabéns pelo currículo já nacionalmente admirado! ;)

Beijos, beijos!
Ana

Camila F. disse...

poxa... que triste. mas virão outros, com certeza.

beijo.