quarta-feira, 16 de novembro de 2011

De onde têm vindo as crônicas

Ônibus são progenitores de crônicas. Ao menos para mim. A dificuldade é escrever com eles em movimento, né? Mas ao menos rascunhar ideias é possível. Assim começou essa crônica, por exemplo. Enquanto eu estava sentado num ônibus com destino à rodoviária de Joinville. (Rodoviárias são lugares que me pertencem há muito, tamanho meu ir e vir – e estar – entre elas. Nada mais natural do que surgir ideias de escritas nesses trajetos – e até de concretizá-las).

Tenho andado distraído, impaciente e indeciso. Isso quem canta é o Renato Russo em “Quase sem querer”. Eu tenho é andado com um bloquinho e uma caneta nos bolsos. E anotando montes de coisas. Que ouço por aí, de amigos e de desconhecidos. Tem gente sendo refém da minha mão-com-caneta.

É que tem tanta frase boa sendo dita por aí. Tá certo que é linda a ideia de que elas são soltas para ficarem pelo ar, e não presas (vulgo, anotadas). Mas eu as estou anotando. E as twittando. Sim. E delas têm surgido essas crônicas. De frases que me ocorrem, de frases que ocorrem a alguém próximo a mim. De frases que viram twitts. E então croniquetas.

Eu confio mais em crônicas do queem twitts. Estespara mim são carregados de ironia. E de incompletude. Justamente pelo texto curto que propõem, o não-explicar. E eu gosto muito de explorar as ambiguidades possíveis em 140 caracteres. Uso e abuso das dúvidas que as frases deixam, afinal, cada um faz uma leitura do que lê e do que ouve e do que vê pelo mundo. Então pra quê possíveis explicações?

Estou mais pelo samba do que pela conversa. Explicar algo me traz dor de cabeça. É melhor a gente sentir do que querer saber. Algo meio Clariceano: “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrarem contato.” Interessa-memais a prática do que a teoria. O ouvir do que o falar (melhor ainda, às vezes, o não-ouvir e o não-falar). Um pouco também, o não-escrever. Porque isso de se respeitar é uma descoberta e tanto.

Um comentário:

Guilherme disse...

Simplesmente tudo que se diria de uma interpretacao leitora de um twitt seu e de muitos outros bons escritores... Grande abraco, gui