segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Uma crônica em duas partes

Ou duas croniquetas em um texto.
Isto porque tenho preferido os textos curtos. Aqueles que dizem e pronto. Tem sido assim na escrita, tem sido assim na fala.
Deparei-me com uma frase atribuída ao Johnny Depp (ele não sabe, mas o dia em que eu me casar, será com ele), rolando no Facebook com uma imagem dele: “Se você acha que ama duas pessoas ao mesmo tempo, escolha a segunda. Porque se você realmente amasse a primeira, não teria uma segunda opção!”. Será? Podemos lembrar do Raulzito aqui, né? “Que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez, uma vez”.
Olha, Depp, se a frase é tua, já temos um problema. Vou repensar a ideia do casório. Porque êta frasezinha ruim. Mas eu acredito que a internet a tenha colocado como tua. E não acredito nenhum pouco nisso de que não se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo. Não só acho que é possível, sim, como pra mim é condição natural nossa, de seres humanos. E condição bonita. Porque há algo mais bonito do que amar pessoas? Quem é que não ama os amigos, os de perto e os de longe? E só porque se está relacionando com alguém não se pode amar mais ninguém? Comigo isso não cola e não rola. E jamais se escolhe entre aqueles que você ama.
Eu amo, por exemplo, os meus alunos. É uma forma de amor, não é? E das mais bonitas. Porque me sinto bem pra caramba demonstrando a eles o quanto me sinto bem na presença deles (inclusive nos momentos de esporro geral, sempre necessários).
E amo tanto que compartilho com eles momentos que a mim significam muito: momentos de escrita e de leitura. Possibilidades de criar e de entrar em mundos até então nunca explorados; sequer existidos. Se cada um deles já é um mundo de proporções irreais, imagina o que vem de dentro, as diferentes leituras que brotam por uma sala de aula após a leitura ou a escrita de um texto.
E foi assim que lhes apresentei, nos últimos dias, o Rosamundo, um sujeito cujas distrações distraem até a gente, seus leitores. Personagem do Stanislaw Ponte Preta, Rosamundo é daqueles que entram no apartamento do andar de baixo e só vão se dar conta da distração quando já estão tomando banho e gritando para a mulher trazer a toalha. É, também, daqueles que ligam para a esposa pensando que falam com a amante, e vice-versa. E que erram de casa ao voltar do trabalho. É, na verdade, daqueles que não podem e nem conseguem trabalhar em lugar algum, simplesmente porque é muita distração para se colocar coisas importantes em risco tão iminente.
Rosamundo encanta e conquista. Tipo a leitura. Rosamundo a gente passa a amar porque não há exigência de sentimento, nem de comprometimento. Ama-se quando se deve e se sente bem para isso. Tipo a leitura. Aquela despretensiosa, aquela que vem para preencher, para satisfazer o que há de mais íntimo e mais puro. É quando o personagem se torna nosso. E a gente se ama. Da mesma forma que ama tantos outros. Só que diferente.

2 comentários:

NDORETTO disse...

Ai, gostei!..........Bom de se ler!!!!
Leve, leve.....

beijos,lindo!

Cynthia Lopes disse...

Também gostei Í.ta! (confesso que, provavelmente, me enamoraria, de Johnny Depp), casar não que não caso mais (eu acho!hehehe...), vc anda escrevendo gostoso que só. bjs