terça-feira, 18 de outubro de 2011

o mundo

Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus.
Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
- O mundo é isso ­– revelou –. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoas brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

Eduardo Galeano, página 13, “O livro dos abraços”. 

5 comentários:

Cynthia Lopes disse...

Que lindo sentir!

brinco com fogo
labaredas, chamas:
algo totalmente novo

bjs

Gabriel Gómez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriel Gómez disse...

Ítalo, veja aqui:

http://escritosdogabriel.blogspot.
com/2010/12/fogueirinhas.html

Poema inspirado neste texto.
Abraço!

Roberta Ávila disse...

o livro dos abraços é um dos livros mais lindos, mais amados pra mim.
=*

Fran Hellmann disse...

Olá!

Passei pra conhecer...
Gostei muito do que li.

Beijos