quinta-feira, 25 de agosto de 2011

o consumismo em mim


Se há algo que faz disparar meu lado consumista são livros, cd´s e dvd´s (necessariamente nesta ordem), então que o zelo que tenho por estes objetos traz consigo ares de chatice, típico de quem se apega a algum bem material e passa a ter com e por ele uma identificação que às vezes permite ultrapassar a barreira do bom senso (seja lá o que quer que defina esse bom senso).
Costumo cometer alguns “crimes” de vez em quando. Tenho que me policiar constantemente ao andar pelas ruas da cidade. Entrar em livrarias, lojas de cd´s e dvd´s, ou em sebus, é um assassinato ao meu sempre tão controlado bolso. O mais inesperado acontece. Entre tantos e tantos livros, por exemplo, que coincidência, o olho é puxado para aquele que “ah, não, esse eu não posso deixar passar. Procuro há tanto tempo!”.
Ainda que o apego a esses objetos se dê muito mais em função do caráter cultural e sem-sentido (porque as melhores coisas da vida não servem para nada, e nem precisam) que eles trazem consigo, do que propriamente da mera satisfação de tê-los nas estantes espalhadas pela casa, visíveis não só aos próprios olhos, mas, arrisco dizer, principalmente aos olhos alheios, apesar disso, esse apego contém em si um olhar muito cuidadoso na forma como os livros, cd´s e dvd´s são acomodados pela casa, e uma organização rígida no que diz respeito ao empréstimo que é feito deles para os mais próximos (sim, pois é algo fora de cogitação colocá-los em mãos que não inspiram a mínima confiança necessária para tal também dolorosa ação).
Roupas, calçados, decorações para a casa, perfumes, xampus ou sabonetes, o que vier está bom. Não vou atrás para tê-los. Entrar em uma loja para comprar alguma peça de roupa, só em casos extremos, quando não tenho, realmente, o que vestir de tal peça (fato que aconteceu em minha vida apenas duas vezes, para comprar duas calças-jeans). No máximo causa-me um bem-estar ir a brechós atrás de boinas e cachecóis. É a forma com a qual me sinto bem utilizando o dinheiro que ganho mensalmente.  
Certa vez, numa aula da pós-graduação, o professor de Educação Inclusiva trouxe-nos um maravilhoso resgate da exclusão social existente desde a idade antiga, com os gregos e romanos, passando pela idade média e a influência exercida pela igreja católica, até a idade moderna, com o advento do capitalismo e as diversas formas de exclusão conseqüentes do consumismo desenfreado. Foi uma conversa muito boa, muito franca e aberta, sem falsas ideologias, que me levou a construir estas linhas. Senti-me muito bem. Indignar-me diante dos caminhos tortuosos em que o humano faz girar o mundo é inerente ao meu ser. Desde que me conheço por gente não sou ligado ao ato de comprar, de ter cada vez mais um pouco de tudo, de estar numa pseudo-moda mundial, de exibir artigos de luxo-reveladores-do-lixo-interno. No máximo desenvolvi em mim o gosto em possuir livros, cd´s e dvd´s. Bastam para mim. Comida e saúde não entram no caso. São elementos externos ao consumismo desenfreado que atinge a maior parcela da população mundial.
Ainda alimento o desejo de ler nos noticiários policiais mais “crimes” e “assassinatos” como os que eu cometo periodicamente.

Ítalo. (publicado também aqui

4 comentários:

Camila F. disse...

muito me identifico.
e vc é um pouco culpado, não comprava nem lia tantos livros, como hoje, antes de acompanhar o seu blog.
também nunca fui consumista mas, hoje, tem vezes deixo de comprar coisas mais necessárias pra comprar livros( cd's e dvd's eu não compro tanto quanto livros). é um fato. nunca tinha pensado nisso.

beijo

Regina Carvalho disse...

Acabo de receber dois DVDS de Woody Allen. Pode ter coisa melhor? Identificação total! bj

Enzo Potel disse...

colocar aspas em "crime" é que é um crime!!!!!

ahahahahha

abraçon

Enzo Potel disse...

(Ítalo, o estripador)