quinta-feira, 30 de junho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

vidas que são histórias, outra vez.

recorro outra vez a esse título. a esse dizer. a esse querer de vida que não se acaba. a narrativa é inerente ao ser humano. queremos, sempre, contar histórias nossas, fazermo-nos ouvir perante os outros. assim como queremos, sempre, ouvir histórias contadas por estes outros. a vida são histórias. conhecer histórias é viver. um cruzamento de histórias. costuras de vida. uma palavra é um entrelaçamento de letras. uma história é um entrelaçamento de palavras. e sentires.
a literatura é apenas um dos meios que utilizamos para nos contarmos e para conhecermos mais a nós mesmos por intermédio de personagens aos quais, como leitores que somos, damos vida.
e pensando na vida como história é que eu não paro. pois se eu pudesse escolher um modo de enlouquecer, eu escolheria enlouquecer pela leitura de histórias. escolheria passar a viver como um personagem de um romance que está sendo escrito e lido ao mesmo tempo por alguéns. escolheria ser acompanhado de perto por leitores que me amassem e que me odiassem, que torcessem por mim, que tentassem me ensinar qual caminho seguir.
eu tenho sentido muita falta de ler, em grupos de dois ou mais, histórias de vidas e de livros.
nessa minha vida como personagem eu seria amigo dos personagens do "cordilheira", do galera. e quem sabe eu até viesse à tona, como fazem os personagens da história "coração de tinta". mas a minha história poderia ser mesmo a história que o cristovão tezza conta no "um erro emocional". a história do personagem que bate na casa da personagem e lá passa horas conversando sobre o erro emocional que ele cometeu, ao apaixonar-se por ela na noite anterior. maravilhosa narrativa. ela não me sai da cabeça. isso de passar a noite toda a dois, num apartamento, com pouca conversa - frases pontuais, divagações - mas com muita descrição psicológica de cada um. eu, como leitor, passei a amá-los à medida que lia suas histórias. seus erros emocionais. afinal, quem é que não cometemos erros emocionais, não é mesmo? e que coisa mais furar na própria carne de mexer nisso, de tentar pela fala - e toda a incompletude nela presente - ajeitar o que foi configurado como existência.
essa nossa pretensão humana me seduz também. de para tudo buscarmos uma explicação lógica e clara a nós. e de sofrermos nessa busca. 
assim como lily braun teve sua história contada pelo chico, eu visualizo minha história sendo contada por alguém. e saindo da imaginação e ficando cá na terra (a mafalda é muito linda quando está se balançando num balanço, leve como a vida, e ao parar diz "é só por os pés na terra que acaba a diversão" - aqui) é claro que há uma história sendo contada e sendo lida. a gente conta a si mesmo e aos demais. e a gente lê e é lido. e é tudo isso que nos significa. a gente vive dando significado ao mundo, nosso e ao nosso redor. mas minha história também está sendo cantada por aí no ritmo da de lily braun. como num romance, em que eu me pego mais escrevendo do que falando sobre os meus erros emocionais, na vã ilusão de compreendê-los e de ajeitá-los a partir de alguma compreensão. 
mas se a gente deixar se apagar essa vã ilusão, do que viveremos? é preciso voar para pousar outra vez com os pés na terra. as duas coisas são pra lá de necessárias. todos precisamos de alguém para nos chamar de anjo azul. precisamos abusar do scoth, comer e ser comidos, com os olhos e não. precisamos perder a pose e sorrir feliz. desmilinguirmo-nos ao som de blues e do que mais tiver para ouvir. e para sentir. 
acho que a gente precisa se permitir contar mais e ser mais contado. antes, a gente precisa querer mais isso. sem saber mesmo no que vai dar. 

í.ta**

sábado, 18 de junho de 2011

é a literatura

o joão ubaldo ribeiro, de quem eu ainda não li nada, esculhambou geral. adorei as palavras, publicadas no jornal rascunho a partir de uma fala dele no "paiol literário", evento promovido pelo próprio jornal em parceria com outros meios de comunicação. 
selecionei trechos da fala. todos ligados à literatura. vale a conversa toda, aqui.
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"Esta pergunta (Qual a importância da literatura na vida cotidiana das pessoas?) poderia abranger a noite inteira de conversa, porque seria algo relacionado com a filosofia da arte. Para que serve a arte? A literatura, assim como a arte, é uma forma de conhecimento, de perceber o mundo e de expressar essa percepção. Nesse sentido, toda arte teria uma utilidade. Mas não acho que o critério da utilidade deva ser usado em relação à arte. A arte não deve ser vista de uma maneira tão pragmática, tão imediatista. Não se pode negar que a literatura contribui para a maturação e evolução da língua, para a expressividade dessa língua, para a utilização dessa língua, inclusive para a comunicação científica, porque as linguagens se entrelaçam. E como qualquer arte, a literatura é uma forma importante de conhecimento, de ver o mundo e de expressar o mundo através da linguagem. Acho que quem se expõe a um estímulo intelectual, emocional, artístico, está dando a si mesmo uma chance de expansão da sua sensibilidade, da sua humanidade. Se nós nos limitássemos a comer e procriar, tudo seria muito pobre".

"Como é que se estimula a leitura na escola brasileira? Se aterrorizando o pobre do menino com a idéia de ter que responder perguntas horrorosas depois de ler o livro. Em vez de se fluir, se perpetuar uma leitura agradável, se incute o medo da leitura nos estudantes. Aquilo é uma prova. O aluno lê sob tensão para ter que entender e dizer coisas inteligentes a respeito ao professor. Um dos grandes obstáculos para a leitura dos clássicos é a apresentação dos clássicos. Aquela coisa solene, que tem que gostar, aquela coisa abstrusa. Fica uma espécie de obrigação e não de conhecimento, de desfrute, enfim de se gozar de um prazer que seria a literatura. Aquilo vira um carma, uma coisa terrível. Na escola, estamos acostumados com a tarefa árdua de responder perguntas. Eu já vi várias vezes, não foram poucas, livros meus adotados para o vestibular cujas perguntas sobre o livro eu não acerto nenhuma. Verdade".

"Não se lê porque não se gosta de ler, porque dá trabalho. Ler é chato porque a pessoa não aprendeu a ler. Ela aprendeu a ficar na frente da TV onde tudo é fornecido. O audiovisual fornece o som, a imagem, a cor, enfim, tudo. O livro só fornece as palavras. O resto é fornecido pelo leitor. E isso é a beleza e a força da literatura. Ela tira de cada um a sua contribuição. Então, o livro só existe porque existe leitor e ele é um livro diverso para cada leitor. É uma coisa extraordinariamente rica. Já a arte audiovisual não é. Não que eu deva condená-la, mas exige muito menos da pessoa. É uma arte que oferece mais passividade. Uma música você pode ouvir até dormindo. Já um livro você não pode ler dessa forma".

"Se lêssemos mais, não sei se seríamos um país melhor. Provavelmente, sim. Seríamos um país de gente mais sensível, de visão mais ampla, capaz de se expressar melhor, de se entender melhor. Não é tranqüilizador ver um líder brasileiro, em qualquer nível, se expressando como um tartamudo com uma riqueza de pensamentos e idéias. Aqui no Brasil só se fala assim agora: “A democracia ela é”; “O estudante ele” não pode, com a repetição do sujeito. Um anacoluto pendurado. Esta pobreza de expressão reflete pobreza de raciocínio também, pobreza de pensamento. Afinal de contas, a gente expressa e formula pensamentos através da linguagem. Nós não sabemos usar essa linguagem, não sabemos nem conjugar os verbos. Queremos abolir: o inglês não tem conjugação, o verbo não tem flexão, é melhor que o português".

"Tem gente inclusive que diz que não lê ficção porque não vai perder tempo lendo coisas que não aconteceram. Como se ler uma reportagem fosse ler o que aconteceu. Como se o que o repórter está contando foi o que aconteceu. O repórter já está distorcendo a história, sem querer, não que ele queira distorcer, mas ele introduz o elemento distorcivo quando escolhe quem está entrevistando. Não tem nenhuma realidade sendo dita ali. Então a pessoa diz que não perde tempo lendo o que nunca existiu. Como é que a língua poderia existir? Como um instrumento de transmissão de conhecimento, inclusive de transmissão de conhecimento científico, se não tivesse a literatura, se não se explorasse a palavra na poesia, que é quando a palavra atinge a sua maior autenticidade, sua maior contundência, suas funções rítmicas, que são forçadoras da linguagem? Sem a literatura como iria se descrever certos estados de angústias, se o poeta já não tivesse passado lá antes? Certos estados de perplexidade, se o poeta não tivesse passado antes? Não haveria palavra na medicina para distinguir isso. A língua precisa de seus escritores, de seus poetas, de seus compositores para poder se manter como instrumento hábil de expressão e de tradução da alma humana. Mas nós somos um país muito esculhambado. É o que nós somos. Não damos a menor importância. Menor importância é exagero. Falando genericamente, não damos importância a isso". 

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í.ta**

sábado, 11 de junho de 2011

envolvi-me com o personagem


"é preciso comparar para sentir a distância das coisas" (pedro, personagem)

foi do livro "a distância das coisas", do flávio carneiro, autor sobre o qual já escrevi aqui. continuo me deparando com livros seus, e continuo me dando o direito de lê-los. e de me envolver com os personagens por ele criados.

assim foi que me envolvi muito com pedro, um garoto de catorze anos que perdeu o pai quando era criança e a mãe quando estava na fase de sair da infância e entrar na adolescência. mas a morte da mãe ficou cercada de mistério para o menino, que fora proibido de ir ao enterro e de sequer chegar perto do túmulo dela. algo que muito o deixou encucado. e, garoto esperto e ativo como era, pedro foi atrás desse mistério.

é dessa forma que não há como ler a história de pedro sem se envolver com ele. sem se colocar ao seu lado para ajudá-lo a descobrir o que de fato aconteceu. e não há, nesse movimento de interação, como não se apaixonar por pedro, garoto inteligente e sensível no modo de ver e de viver a vida. o leitor aprende muito com pedro: "a verdade é que nosso cérebro não dá conta do arco-íris". 

conhecer a história de pedro é sentir que a gente não dá conta da vida. e que na verdade não precisamos dar conta dela. seria exigir demais de nós mesmo tal pretensão. assim como sobre a memória não conseguimos ter controle - pedro nos lembra disso - com a vida é a mesma coisa, porque "assim como há vários escuros dentro da noite, há vários claros dentro do dia". a gente só precisa se permitir a um olhar diferente:

"Ela começou a rir. Eu também. Não tinha tanta graça, mas acho que a gente estava precisando rir, mesmo que fosse de uma coisa boba".

tipo a vida, assim...

ítalo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

presente

daqui uns dias aniversario.

agradeço a disponibilidade dos que se dispuserem a, numa simples vaquinha, darem a mim tal preciosidade.



"A enorme peça formada por 15 módulos pode armazenar até 400 livros de diferentes formas e tamanhos, revistas, cd's, dvd's, ou qualquer coisa que você queira. Cheia de detalhes, iluminação, estofado macio, entre outros, a "roda de leitura" permite que se balance suavemente e sem riscos de sair girando pela casa afora. O móvel possui 2,46 m de altura e está à venda por 9.500,00 dólares". (retirado daqui, via @macklele)

desde já o meu muitíssimo obrigado,
ítalo.

domingo, 5 de junho de 2011