domingo, 8 de maio de 2011

livro como puta

Acabou de sair daqui do sebo um senhor que deixou uns 100 livros excelentes. Fiquei de olho, autores que nunca vi; já googlelizei. Quando fui levar no carro os livros novos dele (pelos quais trocou aqueles bons), e puxei papo sobre os autores, ele não sabia dizer absolutamente nada sobre os livros.
Sei que isso é normal, mas ainda me pega de surpresa. É como ver um homem tratando uma mulher como uma prostituta. Esse tipo de gente não falta, tanto homem como mulher: leem muito. Grandes leitores? Nem um pouco. Passam por um livro como quem vê uma paisagem de um trem.
Não adianta culpar falta de memória, isso é leitor ruim mesmo. Não entra no livro, não deixa o livro entrar. Até os livros que não gostei, e que li pela metade ou com má vontade, entraram em mim.
Esses leitores são daqueles que veem título e autor na prateleira, compram, e quando chegam em casa, descobrem que já leram. É absurdo, é tratar livro como puta.
 
Enszö Pohtél

4 comentários:

Celso Andrade disse...

bom!!


abraços poéticos..

Assis Freitas disse...

porreta,


abraço

Moni. disse...

É...isso é fato.

Criou-se a cultura do recorte. Pouco tem se arriscado além da superfície.

Desconhecem o sabor além da epiderme. Por ir fundo, talvez, eu me senti Macabéa pulsando Clarice. Por decidir mergulhar, vi em Mikol a mais exuberante personagem de "A Mulher que Escreveu a Bíblia". Um mergulho sem medo me permite até hoje sentir a viscosidade da pele suada de Rita Baiana e os fedores guardados em cada canto do cortiço.

É questão de se permitir. E assim passei assinando, por algum tempo, Monica Buendía...

Boa, Enzo! Boa, Íta.
Beijos, vocês!

Enzo Buendía disse...

Meu Deus, a Moni é uma Buendía também!!!!

(passei anos assinando Enzo Melquíades a ponto de meu nome ir parar em jornal assim! kkk)

bjones!