quarta-feira, 11 de maio de 2011

leituras que marcam

sexta-feira passada dei minha última aula no colégio de jaraguá do sul em que lecionava literatura desde 2007. os colégios em que agora leciono são outros. os alunos são outros. os trabalhos desenvolvidos são outros. as leituras - de mundo e de livros - são outras. nem melhores nem piores. apenas outras. e o que mais marca a mim nesses anos são os livros lidos com aqueles alunos. fica muito claro como uma leitura é sempre uma nova leitura a cada vez que é feita. porque um mesmo livro eu li, por exemplo, com quatro diferentes turmas, em quatro diferentes anos. e em cada leitura era um novo livro para mim. e para eles, claro. e você jamais vai contribuir para a formação de um aluno leitor sem ler com este aluno. a preposição é mais "com" do que "para". e o imperativo do verbo ler pouco deve constar nessa mediação. é preciso ler junto, não mandar ler. e era isso o que eu mais fazia com aquela guriada. que no começo sentiu bastante a diferença. o não estar acostumado a ler em sala foi um empecilho. mas quando a prática é feita com gosto, com paixão, ela contagia. e agora eu saio de lá e ouço e leio de alguns alunos dizeres como este: "vou sentir falta é de suas leituras". e eu não preciso de mais nada para tocar a vida em frente com a sensação de que algo foi bem feito nesse trajeto. com a certeza de que alguém se encantou com "os meninos da rua paulo", ou com o "as aventuras de robinson crusoé". que alguém entrou na história do "sofá estampado", ou da "flauta mágica", ou do "cadáver na banheira". que alguém se permitiu conhecer "o espelho dos nomes", "moby dick" e "de repente, nas profundezas do bosque". que alguém correu atrás do "diário de anne frank" após ler apenas alguns trechos em sala. até que chega um momento em que os livros pedem novos leitores. às vezes partem em busca disso. ou são levados para. e eu sou um levador de livros. assim despeço-me desses alunos-leitores.

ítalo.

8 comentários:

Priscila Lopes disse...

Ai, adoooooooRo!
Li tanto mais quando criança! porque vivia as páginas, me apaixonava por personagens, me tornava eles pelas ruas; eu me construía e me desconstruía com facilidade.

Um beijo.

Guilherme disse...

Nossa Ítalo.... Vc saiu do CEC? E agora? Realmente posso dizer que participei da maioria dessas leituras levadas por vc, as discuções, conversas em sala, tudo muito legal, muito literatura. Onde vc vai trabalhar agora? Saudades, garanto que todos vão sentir, mas nos encontramos mais em cada Um-sentir, em cada post seu. Obrigado por todas as maravilhosas aulas... Nos encontramos por aí... ABraços, gui

Amanda disse...

levador de livros... não teria dito melhor. um relato apaixonado.

beijos

Loba disse...

perdi o comentario que havia deixado...
mas eu dizia que é emocionante este texto. não apenas pelas despedidas, mas especialmente pela esperança que um levador de livros carrega.
que vc continue levando informações, conhecimento e sonhos a todos que cruzarem seu caminho!
beijo

Ilaine disse...

Ítalo, que impressionante. "É preciso ler junto e não mandar ler..." Maravilhosa tua visão e tua forma de ser/professor. Outro dia falei para ti: queria ter sido tua aluna.Pois, de um levador de livros. Lindo!

Saudades tuas! Abraço

Aninha Kita disse...

Aiin! Eu também me senti uma aluna deixada, e sei como esses leitores (e ouvintes, e viajantes) ficam. Cheios de saudade, cheios de vontades, com muitos livros a buscar, e leitores, e contadores.

Tudo de bom, Ítalo!

Beijos, beijos!
Ana

Roberta Ávila disse...

ser um levador de livros é realmente tudo de bom.

bjinho

Fernanda Hauptmann disse...

Ler é bom demais!