sexta-feira, 25 de março de 2011

matéria de poesia

às vezes, quando vou trabalhar poesia com minhas turmas, costumo apresentar-lhes o livro "matéria de poesia", do manoel de barros. não na íntegra. apresento trechos de poemas. e leio para eles o poema que dá título ao livro, "matéria de poesia". aquele que diz, por exemplo, que "tudo o que serve para o lixo, serve para a poesia". a partir disso, faço a guriada circular pela escola com o objetivo de observar o que há na escola que serve para a poesia, de concreto e de abstrato. é um momento total viagem, de esquecer conceitos pré-formados e de se permitir à pseudo-liberdade de olhar as coisas como uma primeira vez. é através do olhar ressignificar as coisas. e a poesia. e esse movimento, depois de muita troca de matérias de poesia, desencadeia em produções de poemas escritas por eles, utilizando-se de suas matérias de poesia. e eu resolvi postar aqui alguns versos que brotaram daquele lugar-espaço em que a gente precisa cada vez se permitir a ressignificar o que vemos e o que conhecemos.

"Eu tenho o sentimento de uma
folha rasgada
Às vezes até de madeira esculhambada
Estou fazendo poeira em alto-mar
Estou sambando sem enredo"


"Lápis de sabão 
sem cor
E sem razão"


"o que
simplesmente precisamos
é olhar o mundo e deixar
a mente voar"


"Qualquer coisa serve para poesia,
Até mesmo uma lata vazia,
A curiosidade é o que tem lá dentro,
Será um alicate gosmento?"


"Mas será que
lagosta gosta de ser servida
a la manteiga?"


"Na poesia tem cortina
tem quadro
tem giz também.
A poesia é feita de chão invisível
A matéria-prima da poesia é água seca"


"Os corações das
pessoas loucas são
triângulos".

ítalo.

14 comentários:

Assis Freitas disse...

ler Barros é renovar-se em espantos,


abraço

Enzo disse...

"Os corações das
pessoas loucas são
triângulos".

demaaaaaaaaais.

Guilherme disse...

Adoreiiii....Quero ver se leio este livro... gostei.. abraços.

Sid disse...

Muito bom o Post...
E eu, que em minhas poesias, tinha apenas o amor como tema...

Vivendo e aprendendo...

Ótimo domingo Ítalo.
Abraço.

choco disse...

bem escolhidos, os poemas
-
creio q na poesia, acabamos por ler mais nas entrelinhas do que o que está visível.
bj
a.

livia soares disse...

Gostei muito do seu blog (descobri por intermédio da Edna do "Devaneios ao Vento").
Fala exatamente do que me interessa.
Voltarei muitas vezes e já tomo a liberdade de colocá-lo na minha lista de favoritos.
Um abraço.

Carol Rosa disse...

Quem bom q você espalha Barros pelo mundo!

com ele aprendi a latência poética contida nas formigas, latas, rãs, lesmas e outras nadezas... é tão bom olhar pro chão e ver poesia. Isso se aprende com ele!

bjo!

Raquel disse...

eu sou como um lápis de sabão... Ainda tenho até o acento.

Graça Carpes disse...

Adorei sua casa, aqui!
:)

Ilaine disse...

Ítalo, suas aulas devem ser encantadoras. Felizes dos alunos que cruzam em seu caminho. Adorei as poesias deles. Beijo

Felicidade Clandestina disse...

querido,

sensibilidade de manoel e sua delicadeza com esta postagem :) que encanto poético!


abraços.

Camila F. disse...

ah,o poeta que mais amo... nunca largo dele :)
feliz por seus alunos.
beijo

Marcio Nicolau disse...

nossa, que lindo o resultado. Este último poeminha é é demais, como disse o Enzo.

Rubens da Cunha disse...

Manoel é sempre surpresa...