sábado, 26 de fevereiro de 2011

djavan, seo lindo!


assim ele se apresentou ao público, ontem, em floripa. abriu o show cantando "cantar é mover o dom do fundo de uma paixão". em seguida, contagiou com "teus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro eu te devoro". mais um pouco, e cantou "o amor é um grande laço, um passo pr'uma armadilha", uma das letras mais impactantes que já ouvi. e dali em diante foi apresentando músicas do novo trabalho, "ária", um disco em que canta composições de cartola, caetano, tom jobim e gilberto gil. depois, já sem paletó, e com a gravata afrouxada, voltou aos sucessos da longa trajetória musical: "fato consumado", "flor de lis", "sina", outras. fez o bis cantando "clareza do tino, pétala". covardia, sim. e fechou com "lilás" em um ritmo muito dançante. afinal, "amanhã, outro dia". e a vontade de assistir a mais shows deste ser que esbanja energia ficou ainda maior. 

ítalo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

elas, por eles. especial pra regininha


elas por elas, zeca baleiro



Com Cristina eu só vivia de propina
Com Marlene era tudo misancene
Pra Renata eu cantava pata-pata
Com Venância eu parti pra ignorância
Com concita eu fui explorar bauxita
Com jurema eu morei em Ipanema
Com Estela eu só vivia na favela
Foi Teresa quem me fez virar a mesa
Elas só elas por elas
Elas só elas por elas
Agora é que são delas
Agora é que são belas
Por luzia eu entrei pra academia
Com alana dia e noite marijuana
Com Lolita só vivia na birita
Com Regina na base da vaselina
Ai Marluce foi a minha via crucis
Pra domingas fiz dezenas de milongas
Com Larissa todo domingo ia à missa
Com Fátima a minha relação foi ótima
Elas só elas por elas
Elas só elas por elas
Agora é que são delas
Agora é que são belas
Com Letícia a vida era uma delícia
Pra Lúcia eu era um bicho de pelúcia
Com Suzana criei caso fui em cana
Cândida aquilo era uma bandida
Doralice era só disse-me disse
Rosemary me deixou com béri-béri
De helena não sobrou nem uma pena
Com Bianca eu pirei quebrei a banca
Com Ísis eu tive muitas longas crises
Elas só elas por elas
Elas só elas por elas
Agora é que são delas
Agora é que são belas (hey, oh)
_ _ _ _ _ 
todas elas juntas num só ser, lenine
Não canto mais Babete nem Domingas,
nem Xica nem Tereza,de Ben Jor;
nem Drão nem Flora,do baiano Gil,
nem Ana nem Luiza,do maior;
já não homenageio Januária,
Joana,Ana,Bárbara de Chico;
nem Yoko,a nipônica de Lennon,
nem a cabocla de Tinoco e de Tonico.
Nem a tigresa nem a Vera Gata
nem a branquinha de Caetano;
nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha,do sertão pernambucano;
Nem Risoflora,a flor de Chico Science,
nenhuma continua nos meus planos;
nem Kátia Flávia,de Fausto Fawcett;
nem Anna Júlia do Los Hermanos.
Só você,
hoje eu canto só você;
só você
que eu quero porque quero,por querer.
Não canto de Melô Pérola Negra,
de Brown e Herbert,nem uma brasileira;
De Ari,nem a baiana nem Maria,
nem a Iaiá também,nem minha faceira;
de Dorival,nem Dora nem Marina
nem a morena de Itapoã;
divina garota de Ipanema,
nem Iracema,de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro,nem Cremilda;
de Michael Jackson,nem a Billie Jean;
de Jimi Hendrix,nem a doce Angel;
nem Ângela nem Lígia,de Jobim;
nem Lia,Lily Braun nem Beatriz,
das doze deusas de Edu e Chico;
até das trinta Leilas de Donato
e da Layla,de Clapton,eu abdico.
Só você,
canto e toco só você;
só você,
que nem você ninguém mais pode haver.
Nem a namoradinha de um amigo
e nem a amada amante de Roberto;
e nem Michelle-me-belle,do beattle Paul,
nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
nem B.B.,la femme de Serge Gainsbourg,
nem,de Totó,na malafemmená,
nem a Iaiá de Zeca Pagodinho,
nem a mulata mulatinha de Lalá;
e nem a carioca de Vinícius
e nem a tropicana de Alceu
e nem a escurinha de Geraldo
e nem a pastorinha de Noel
e nem a namorada de Carlinhos
e nem a superstar do Tremendão
e nem a malaguenha de Lecuona
e nem a popozuda do Tigrão.
Só você,
hoje elejo e elogio só você;
só você,
que nem você não há nem quem nem quê.
De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
de Mário Lago e Ataulfo Alves,
não canto nem Emília nem Amélia,
nenhuma tem meus ''vivas'' e meus ''salves''!
E nem Angie,do stone Mick Jagger;
e nem Roxanne, de Sting, do Police;
e nem a mina do mamona Dinho
e nem as mina ? pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê,Loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel,o Pensador;
Laura de Mercer,Laura de Braguinha,
Laura de Daniel,o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro Rei,o do Baião;
nenhuma delas hoje cantarei,
só outra reina no meu coração:
Só você,
rainha aqui é só você;
só você,
a musa dentre as musas de A a Z.
Se um dia me surgisse uma moça
dessas que,com seus dotes e seus dons,
inspira parte dos compositores
na arte das palavras e dos sons,
tal como Madallene,de Jacques Brel
ou como Madalena,de Martinho
ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry
ou a manequim do tímido Paulinho
ou como,de Caymmi,a moça prosa
e a musa inspiradora Doralice;
se me surgisse uma moça dessas,
confesso que eu talvez não resistisse;
mas,veja bem,meu bem,minha querida,
isso seria só por uma vez.
Uma vez só em toda a minha vida,
ou talvez duas,mas não mais que três!
Só você,
mais que tudo é só você;
só você,
as coisas mais queridas você é:
Você pra mim é o sol da minha noite,
é como a rosa luz de Pixinguinha;
é como a estrela pura aparecida,
a estrela a refulgir do Poetinha;
você,ó floré como a nuvem calma
no céu da alma de Luiz Vieira;
você é como a luz do sol da vida
de Stevie Wonder,ó minha parceira.
Você é pra mim o meu amor
crescendo como mato em campos vastos;
mais que a Gatinha pra Erasmo Carlos,
mais que a cigana pra Ronaldo Bastos,
mais que a divina dama pra Cartola,
que a domna pra Ventadorn,Bernart;
que a Honey Baby para Waly Salomão
e a Funny Valentine para Lorenz Hart!
(2x)Só você,
mais que tudo e todas,é só você;
só você
que é todas elas juntas num só ser!
_ _ _ _ _ 
porque vai fazer música inteligente e boa assim lá na casa de todas elas!
e vemk na minha também, seos lindos!
í.ta**

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

o que nos liberta, nos mata.


cheguei a rabiscar uma resenha sobre o "cisne negro", mas parei. preferi jogar tópicos soltos aqui, juntando dizeres de trocas de conversas com outros que também já assistiram.

a atuação da natalie portman tá impecável! eu achei. e concordo que o papel ajuda e muito. mas também tem que ser muito boa pra atuar daquela forma.

uma lindeza que só vendo aquele final. uma lindeza trágica, tá, mas e daí? quando ela diz: "eu senti" é um ponto altíssimo do enredo todo.

eu gostei tanto do filme, que não o assistiria novamente por um bom tempo. o clima de suspense que a loucura da personagem fez acontecer me deixou tenso demais. foi bom de sentir. mas não quero de novo para agora, não.

esta loucura da personagem, aliás, ficou sendo para mim algo muito literário. o desejo do personagem de querer se libertar do corpo que o representa, ou do livro em que está. amei isto!

e este desejo de se libertar é o que a levou à morte. pode soar trágico. mas eu prefiro ver isto como uma beleza sentida uma vez só. e mais não é preciso.

í.ta**

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sentir com o personagem


A leitura de "Sinuca embaixo d'água", da gaúcha Carol Bensimon (Companhia das letras, 2009), trouxe-me à lembrança a leitura de "O gato diz adeus", do Michel Laub, que por sua vez me remeteu a outras leituras (aqui).

O romance de Carol não segue a linha de troca de cartas entre os personagens, mas poderia ser. Cabe ao leitor escolher como o lerá, uma vez que esta estrutura de romance 'fragmentado' - em que os capítulos são curtos e com vozes narrativas diferentes - recorrente em muitas produções literárias atuais, permite ainda mais estes múltiplos caminhos de leitura pelos quais o leitor pode transitar.

Durante a leitura deste livro, fiquei procurando a(s) voz(es) que conduzia(m) o romance. Isto porque o fato de os capítulos terem como título os nomes dos personagen, em um primeiro momento me levou a lê-los como se fosse cada personagem narrando uma parte da história, com suas vozes narrativas se misturando, e com essa impressão-leitora segui adiante. Mas por muitos momentos sentindo que havia apenas uma voz narrando tudo e às vezes, no meio dos parágrafos, como que migalhas de pão lançadas ao leitor para lembrar o caminho da história, resquícios de vozes dos personagens. 

Personagens estes abalados demais com a morte de uma personagem que não tem voz no romance, Antônia, mas que se torna o centro de toda a história, pelo fato que lhe acontece antes mesmo do começo do livro, parece ao leitor, que é sua morte em um acidente de carro. É a partir das vozes de pessoas muito próximas a Antônia, que sentem muito sua perda, que o romance se constrói. É a partir deste cruzar de dizeres e sentires - de ausências - que o leitor vai tomando corpo junto à história, aos detalhes muito bem encaixados na narrativa pela autora. A narração do livro parece conduzir o leitor para sentir como sentem os personagens Bernardo, Camilo, Polaco, entre outros. Como se pudesse, o leitor, entrar no corpo, na vida deles. E, sabemos, através da leitura isto é algo muito possível.

Carol Bensimon é autora de "Pó de parede" (Não Editora, 2008), um livro também dividido, mas não um romance, e sim composto por três histórias diferentes entrei si (aqui). Nos dois livros é possível encontrar um domínio narrativo, uma escrita com um ritmo bastante próprio, que conduz o leitor por caminhos vários dentro da história, transitando pelos personagens e por seus sentires. 

Neste seu mais recente trabalho, a escrita também repleta de referências artísticas e sociais - contemporâneas e clássicas - apresente, com eficiência, um romance que exige do leitor um gesto de liberdade em não apontar soluções fáceis que aparentemente o texto apresenta, mas sim em estar aberto e atento à narração da(s) história(s) contada(s), sob risco de perder algum fato ou alguma fala que dá luz ao mesmo.

í.ta**

domingo, 13 de fevereiro de 2011

aforismo III

um dos mais bonitos gestos leitores é o de querer que o livro termine e o de não querer terminar o livro.

í.ta**

p.s.: qual livro o levou a sentir isto?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

leituras de férias (ou quais destes você já leu? III)



nesta imagem estão os livros que eu li durante meus mais ou menos quarenta e cinco dias de férias. 


são estes:



- o mau vidraceiro (nuno ramos)
- os invictos (faulkner)
- crônica de gatos (rubens da cunha)
- um homem: klaus klump (gonçalo m. tavares)
- a teus pés (ana cristina cesar)
- xxi poetas de hoje em dia (nte) (org. priscila lopes e aline gallina)
- bilionários por acaso - a criação do facebook (ben mezrich)
- a invasão (ricardo piglia)
- você está aqui ou não está em lugar nenhum (marcio reinecken)
- a cidade ilhada (milton hatoum)
- estrela distante (roberto bolano)
- a alegria (contos de vários autores)
- monólogo da provação (harry laus) 
- sinuca embaixo d'água (carol bensimon)
- o chapeleiro maluco (alberto manguel)
- todos os homens são mentirosos (alberto manguel)
- laços de família (clarice lispector)
- o silêncio das xícaras (helena ortiz)
- poemas (helena ortiz)
_ _ _ _ _ 

- quais destes vocês já leram?

- leram algum destes durante as férias também?

- quais livros vocês leram durante as férias?
(nem que tenham sido mínimas essas férias :))


e, claro, sabemos,
tantos outros ficaram sem a leitura merecida, com a promessa (nem sempre cumprida, também sabemos) de serem lidos durante o ano.

í.ta**

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

manguel e as epígrafes



o verdadeiro leitor não precisa continuar lendo.
(alberto manguel, todos os homens são mentirosos, 2010)

gosto muito de fazer uso de epígrafes para meus textos. não para todos. acredito que alguns textos pedem epígrafes, clamam por elas. não para serem melhores compreendidos, e sim para que seus caminhos de leitura se abram ainda mais. uma epígrafe precisa servir não para entregar ao leitor o que vem pela frente, e sim para que, ao terminar de ler o texto, o leitor se pergunte o que faz aquela frase lá, antes de tudo?, qual a relação dela com o que foi lido?, que costuras podem ser feitas entre essas duas pontas e seu meio?

um dos estudiosos da leitura de que mais gosto é quem mais eu vejo fazendo uso de epígrafes em seus inúmeros ensaios publicados pelo mundo. refiro-me ao escritor e editor alberto manguel, nascido em buenos aires, e já há algum tempo cidadão canadense. tenho leitura de vários livros dele, a contar: "uma história da leitura", "no bosque do espelho", "os livro e os dias", "a cidade das palavras", e "à mesa com o chapeleiro maluco". e é desses livros que mais me utilizo para epígrafes de textos meus, porque uma das maiores qualidades que encontro na escrita deste autor é a das frases-escondidas-que-saltam-para-o-leitor, aquelas perdidas em meio a uma ideia maior em algum parágrafo solto no texto, aquelas para as quais é preciso se desprender do texto para então encontrá-las por baixo de palavras que as escondem.

o último que li do manguel foi um romance, "todos os homens são mentirosos", publicado pela companhia das letras em 2010. um livro que foge à regra do escritor, de ensaios sobre a leitura e suas práticas, sobre leitores e sobre escritas. foge ao mesmo tempo que não foge. pois é um romance que nas entrelinhas apresenta muitas das ideias presentes em seus ensaios, como a de que é o leitor que cria um sentido ao texto que é lido, o que acarreta na afirmação de que um texto nunca é o mesmo tempo uma vez lido por dois leitores diferentes, ou até mesmo relido por um mesmo leitor.

mesmo neste romance, as epígrafes são várias. desde as páginas anteriores ao início do romance, até as páginas que abrem novos capítulos na história. e as epígrafes apresentadas por manguel são aquelas de que gosto muito, uma vez que deixam o leitor confuso diante delas. confusão esta que pode ir se desfazendo na medida em que as páginas vão sendo lidas, mas isto dependerá das relações leitoras a serem construídas por cada um. às vezes consigo alcançá-las, as epígrafes, diante dos textos que abrem. às vezes, não.

por isso que as considero muito importantes. porque são chaves que ficam à disposição do leitor. há quem consiga utilizá-las para abrir ainda mais o texto apresentado pelo autor. há quem não saiba, ainda, delas fazer uso. são trajetórias leitoras que se apresentam dessa forma.

í.ta**