quinta-feira, 4 de novembro de 2010

agora é que são elas

Pro escuro de um poema
Qualquer ganido
É bom pretexto

vá se danar, cê não dá nada a ninguém, nenhum olhar. é assim. assim que você agora se dirige a mim, zeca. me chamando de maluca, dizendo que eu magoo e maltrato. e depois ainda tem a cara de pau de vir me dizer que anda tão a flor da pele que qualquer beijo de novela lhe faz chorar. você não liga pra mim, não, zeca, eu sei. mas eu ligo. não ligo pra você porque eu sei que você não quer saber de mim, por mais que não canse de correr atrás. mas eu ligo pra mim mesma, zeca, eu convido a mim mesma pr’um chope no bar e eu sei que eu não preciso de um salão de beleza, não precisa você fingir preocupação comigo, muito menos me chamar de meu amor minha flor minha menina, como você algumas vezes ainda tenta fazer. você é cachorro doido, zeca. você é canalha que não merece afeto. você sabia que eu não era proibida para você, não. pelo contrário. agora eu me proíbo a você. porque eu sei que não será mais você que me fará feliz. foi você quem me ensinou isto. e não adianta roubar essa mulher aqui pra você, não, muito menos me ligar a qualquer hora. a saudade é brigitte bardot, lembra disso, zeca? a saudade é pregoparafuso. mas a gente consegue arrancar, sim. querendo, a gente consegue. inclusive sem precisar botar a alma à venda. e não me venha com convites a babylon para viver a pão de lá e möet chandon. não haverá rock samba funk nada de balada que me fará ir com você aonde for. não mais. sei que você não será meu amigo e meu bem. sei que eu não ficarei bem só com você. porque eu sei que você é capaz de fazer comigo exatamente igual você quer fazer com essa morena desse amigo seu. não foi com venância que você partiu pra ignorância, zeca? não foi com bianca que você quebrou a banca? cândida era a bandida? de helena não sobrou nenhuma pena? e comigo, zeca? o que será que aconteceria comigo se eu caísse na sua ladainha de as frases são minhas, as verdades são suas? de que enquanto te desejo me vejo chorando no meio da rua? eu não jurei desfilar pra você, não. ao contrário. eu sou sincera com você, zeca. e é com esta sinceridade que lhe escrevo esta carta-telegrama. não para dizer que existe alguém que muito lhe ama. mas que muito lhe amou. 

14 comentários:

Regina Carvalho disse...

Ih, mas aquela namorada do Zeca tem razão: poeta bom, poeta morto! bj

Assis Freitas disse...

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...



abraço

* Felicidade Clandestina disse...

ah, meu caro...

eu ando constantemente com saudades de mim!


Clarice sempre entendendo nossos eu's. não é verdade?!


adorei essa postagem :) nos últimos dias tenho escutado o novo cd do Zeca... e vá se danar, hahahaha... em especial!!!

Moni. disse...

Coisa de coração partido.
De quem vê amor no passado.

Muito engraçado pra essa moça... Despedaçar hoje o contexto do Zeca pro seu texto ficar bem.

Coisa de coração partido.
De quem vê amor no passado.

Já já ela ouve uma mais antiga, ou então se depara com o novo e remonta tudo!

Eu diria a ela: "Calminha! Você muito o que aprender"

E respirando fundo, sai enlouquecida:
"Por onde andará Stephen?"

Se não der, chuta o balde. Tira o piercing do caminho e passa com a dor que tem... E pede gritando:

"Toca Raul!!!"

Beijos....

Talita Prates disse...

intertextualidade com uma maestria imensa!

adorei!


um beijo, querido.

Talita
História da minha alma

NDORETTO disse...

Gostei muito, isso mesmo, junta junto, amores e desamores, junta tudo os dias e os meses e põe num saco só! Amor faz dessas coisas também!

Beijos
N

Ana Lucia Franco disse...

Ita, vc fez um mosaico de músicas do Zeca Baleira em prosa. Sou fã da tua prosa, agora inda mais.


"Nada tenho, vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(se é assim, quero sim... acho que vim pra te ver)"

prá vc.

bjs

Roberta disse...

uma bela homenagem. baladas do asfaltos & outros blues. ouvi tanto. :)

bjo

Kyria disse...

Perfeito o poema,e quem nunca viveu uma história parecda?
Bjs meus

Guilherme Sakuma disse...

ei, adorei isso daqui, sério. estilo inconfundível... very nice. e, ei, em parceria com outros caras, escrevo no blog: totolunatico.blogspot.com - se der, me segue nesse também; e a gente te segue por lá. Abraço!

Gisa Carvalho disse...

"Não quero medir a altura do tombo..."

Eduardo Silveira disse...

Fodástico.
Me fez lembrar de uma crônica-chorinho do vinícius.
conto-telegrama-canção.

abraço


PS: a do "Toca Raul" foi ótima.

Roberta Ávila disse...

adoro essa brincadeira! e o final foi de fuder, como se diz aí no sul... rs

mto bueno!

bjão

Marcio Nicolau disse...

demais!

só faltou usar os meus versos preferidos do Zeca:

"o melhor futuro
este hoje escuro"