domingo, 28 de novembro de 2010

e os livros vão para...

cláudio b. carlos (cc) e enzo potel leram e releram e treleram os poemas do concurso aqui do um-sentir.

e escolheram, cada um, um poema vencedor. aquele que para eles foi o melhor poema.

a saber:

poema "Finesse", de Mucio Góes.

FINESSE


 Dona
de uma fineza
absoluta:

na sala, Sartre,
na cama, Sutra.


poema "redondilhas", de guto leite.

redondilhas

quando eu tinha cinco anos
disse a criança de sete
descobrindo a nostalgia
_ _ _ _ _ 

agora, palavras de cc e de enzo sobre o concurso e a escolha:

"Incentivo

O Ítalo Puccini é um grande incentivador. Incentiva quem faz literatura, e incentiva quem consome literatura. O um-sentir está cada vez mais se firmando como um pólo disseminador de cultura. E agora essa! Que baita idéia o Ítalo teve! Espero que esse seja o primeiro de muitos concursos promovidos pelo Ítalo. Sou parceiro. Serei sempre parceiro. Parabéns ao Ítalo! Parabéns aos participantes do concurso!   

Sintonia

Escolhi “Finesse” como o melhor poema. Levei em conta o conteúdo, a ortografia, a clareza, e a concisão (dizer tudo em poucas palavras é para poucos). Após a escolha do poema escrevi um e-mail para o Ítalo, sugerindo uma menção honrosa. Outro poema havia me deixado com uma pulga atrás da orelha: “redondilhas”. A escolha estava feita, mas deixar de falar sobre “redondilhas” não estava certo... Em resposta ao meu e-mail o Ítalo me encaminhou um e-mail com a escolha do Enzo: “redondilhas”. Feito. Estava tudo certo. Putaqueopariu! Que sintonia! Temos assim os dois poemas premiados: “Finesse” e “redondilhas”.
  
Toque

Um toque aos demais participantes: escrever é revisar, e ter paciência. Muita paciência, muita revisão. Muitos participantes mandaram boas idéias, mas esqueceram da revisão. Boas idéias, mas ainda verdes. Escrever é ter paciência..." 

cc
_ _ _ _ _ 
"Foi uma coisa maravilhosa ver poemas tão diferentes competindo num mesmo espaço. Porque cada poema é uma matemática infinita de estilos, vidas, leituras, respirações e eurekas. Eu vi gente que lê Ana C., eu vi gente lê Drummond. Mas apareceu um poema que me atingiu como tiro, e eu era um travesseiro de plumas; eu achei tão maravilhoso o poema que em hipótese alguma eu pensei: esse é o vencedor - porque eu estava dentro do poema, apaixonado, e não sairia tão cedo para pensar em qualquer outra coisa. Mas eu saí e terminei de ler os outros, e a maioria se mostrou de muita qualidade, e eu estava com os olhos brilhando por um novo tiro; o que não aconteceu. Voltei para ficar, de mala e cuia, no 'redondilhas'."

enzo.
_ _ _ _ _ 
lembrando aqui o regulamento do concurso. 
os dois avaliadores leram os poemas sem saber quem os havia escrito. 
_ _ _ _ _ 
mucio góes e guto leite receberão, portanto, os livros:
"um arado rasgando a carne", de cc;
"cura", de enzo potel;
"conto de facas", de enzo potel.

super parabéns aos dois!
e o meu muito obrigado a todos os que se dispuseram a participar!
_ _ _ _ _ 
e fiquem ligados para novos concursos que acontecerão aqui pelo um-sentir.
logo, logo.

í.ta**

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

encanto

tem uma criança lá na biblio do sesc que, sempre ao chegar, pede a mim para que a avise quando forem 17h20. então ela vai pro tapete, rodeia-se de gibis, e lá perde completamente a noção do tempo. completamente mesmo! às vezes eu também perco essa noção, olhando-a ininterruptamente. porque é lindo demais ver o quanto aquela criança esquece do mundo enquanto lê. tanto que sempre às 17h20 não me adianta avisar lá da minha cadeira: são 17h20. todos na biblioteca ouvem, menos ela. então eu me levanto e ando até perto dela. mas ainda assim não é suficiente. é sempre preciso que eu me abaixe, chegue muito perto do gibi que ela lê, e então a comunique: são 17h20. é quando ela leva um susto e rapidamente começa a guardar os gibis que pegou da prateleira. e sai num passo apressado da biblio. e eu fico sem acreditar que eu, e ela, novamente conseguimos fazer aquilo.

í.ta**

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Obsessão

            É a partir desta palavra, de uma palavra só, assim, sem nenhuma outra para acompanhá-la e tornar seu significado mais claro, que se pode pensar dois livros. Em um deles, a obsessão de um homem, pescador, por um peixe. Em outro, a obsessão de um homem por uma baleia. Pra quem já leu, sabe que os livros citados são “O velho e o mar”, do escritor norte-americano Ernest Hemingway, e “Moby Dick”, do também norte-americano Herman Melville.
            Obsessão significa ideia fixa, e ideia fixa é o que tem Santiago, ao pescar um grande peixe, em alto-mar, após mais de oitenta dias sem pescar nada. E ideia fixa é também o que sente Ahab pela baleira branca Moby Dick, desde o momento em que esta lhe arrancou uma perna. De um lado, uma obsessão pelo simples instinto de sobrevivência, de pescar para ter o que comer, mas que se torna uma ideia fixa muito mais forte pelas condições externas a esta pesca. E, de outro lado, uma obsessão vingativa, de revanche mesmo.

            A história de Santiago, em “O velho e o mar”, pode ser pensada também como uma história de perseverança, antes de ser pensada como uma obsessão. Perseverar é persistir, é continuar, é não parar de fazer aquilo que se está fazendo. Conservar-se firme e constante. E é isto que faz Santiago, com a ideia fixa (obsessão) de pegar aquele peixe.
            Eram oitenta e quatro dias sem pescar nenhum peixe. Santiago até recebia ajuda de um menino-pescador-da-vila. Mas naquele dia resolvera ir sozinha a alto-mar. Desistir não era possível. Era preciso continuar enfrentando o mar como se pescar peixes diariamente fosse a rotina. Não foi nos últimos quase três meses, mas aconteceu naquele dia. No dia em que um peixe muito grande abocanhou a isca lançada por Santiago. E de lá não soltou mais. Travava-se, ali, uma luta em que sairia perdedor aquele que cansasse antes.
            Cansou o peixe. Depois de três dias. Três manhãs e três noites puxando e repuxando a linha. Alimentando-se do que era possível – ou impossível mesmo. Até que o peixe se rendeu. E Santiago amarrou-o ao barco, em toda a extensão do barco, e começou o trajeto de volta. Até que alguns tubarões começassem a circundar o barco e a atacar o peixe já morto, atraídos pelo odor que saia do peixe – morto e muito machucado por tentar se desvencilhar da isca por três dias.
            A volta, para Santiago, torna-se outro duelo. Contra tubarões. Vários tubarões. Que pouco a pouco vão estraçalhando todo o peixe. Uma luta que vai sendo engolida por tubarões. Uma persistência que vai sendo engolida por tubarões. Uma obsessão que se encaminha para terminar dessa forma.
            Santiago consegue voltar ao vilarejo, onde é recebido pelo menino que lhe acompanhava muito. Fraquíssimo, o velho é levado pelo menino para se deitar. Simplesmente para apagar e recuperar suas forças, que talvez tenham ficado no mar. Na luta contra o peixe. No duelo contra os tubarões. Enquanto o menino cuida do que sobrou do grande peixe, a carcaça.

            Enquanto isso, em “Moby Dick” o leitor se depara com Ahab, o dono do navio “Pequod”, que parte mais uma vez para alto-mar em busca, única e exclusivamente, de Moby Dick, a baleia branca, como é conhecida. E se para os tripulantes do Pequod é interessante capturar qualquer baleia que possa oferecer o âmbar-gris – o que trará ouro a todos –, para Ahab a única baleia que interessa é Moby Dick.
            A história é narrada por Ismael, um dos tripulantes escolhidos para o Pequod, que fica impressionado com a obsessão do capitão pela baleia branca. Obsessão que levará Ahab para um final trágico, como não poderia deixar de ser. Se Moby Dick lhe arrancara uma perna, fora por puro instinto. Se Ahab desejava mais do que tudo matar Moby Dick, era por puro sentimento de vingança. Ismael ainda foi um dos tripulantes que sobreviveu após o “duelo final” entre o animal (e o instinto) e o capitão (e o racional).
            “O velho e o mar” e “Moby Dick” apresentam ao leitor histórias que mexem, que provocam este sujeito-leitor a partir do caráter de mistério que se instaura na narrativa. Conseguirão, os personagens principais, alcançar seus maiores objetivos? Até que ponto são válidos estes objetivos? E, mais ainda, até que ponto cabe a alguém decidir por outro o que é válido ou não de se tentar conquistar?
            Se na obra de Hemingway nos deparamos com a dor de Santiago, com a fome de Santiago, com o cansaço de Santiago (que em determinado momento já beira a loucura), e se ainda aqui nos deparamos com todo o cuidado do menino para com o velho, no final da história, na obra de Melville somos apresentados ao sentimento também de dor, de Ahab e de Moby Dick. Uma dor corpórea, sim, mas muito mais orgulhosa por parte do capitão, que ainda nutre um ódio tão grande da baleia branca que por vezes incomoda o leitor, fazendo com que este deseje tudo de mal a este homem quase-louco.
            Duas narrativas que inquietam. Como toda boa literatura deve fazer. Inquietar o leitor e levá-lo a se confrontar com os sentimentos mais primordiais de sobrevivência.

í.ta** 

domingo, 21 de novembro de 2010

se alguém perguntar por mim...



... diz que fui por aí...


o começo que nasce para morrer, por ítalo puccini.
aqui.


pede licença o poema, por ítalo puccini.
aqui e aqui.


í.ta**

concurso de poemas: vão encarar ou não?



de modo bem dramático:




até 23h59min de 22.11
é possível participar do
concurso de poemas do
um-sentir.




há poemas brotando por aí.
eu sinto.
e aguardo.




í.ta**

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

twitt fora do twitter #3





a ausência de leitura não é uma questão de tempo. mas sim de interesse.


í.ta**

de não prestar atenção na fala


(fotógrafa, monica saraiva)

o meu maior erro em natal e em fortaleza, na semanada em que lá estive, foi não ter andando com um bloco de papel mais lápis/caneta para anotar as expressões e o modo de falar do povo de lá. só posso dizer que achei lindo. que me senti acolhido pela oralidade. e eu não lembro de ter pensado anteriormente na fala como algo que acolhe. no tom de voz, sim. mas na fala em si, na sequência de palavras, não. pois penso a partir de agora. lindo, portanto.

em fortaleza eu dei uma mancada (como não poderia deixar de ser) ao me deparar com esta simpática estátua. soltei um sonoro "quem é o vozinho ali?". pronto, foi o que bastou para que quase me colocassem num avião de volta pra casa (drama pouco é bobagem, ok?). mas foi então que o povo querido de lá me explicou quem "ser" ele (que para mim será antes de mais nada o simpático vozinho, com licença). e digo dessa forma como a maior prova de carinho, mesmo.

parágrafo explicativo: o vozinho é patativa do assaré. antônio gonçalves da silva, poeta popular, compositor, cantos e improvisador brasileiro. uma das principais figuras da música nordestina do século xx (deusgoogle, obrigado). aqui vocês encontram uma revista eletrônica com uma matéria completa e especial sobre ele. (gisa carvalho, meu muito obrigado!).

mas não fui tão tapado assim, não. pois comprei livros de cordel, inclusive um deles chamado "o linguajar cearense", escrito por josenir lacerda, com expressões faladas pelo povo do ceará. acompanhem que delícia:

"Quem muito agarra, abufela
Briga pequena é arenga
Enganação, esparrela
Toda prostituta é quenga
Rapapé é confusão
De repente é supetão
Insistência é lenga-lenga.

(...)

"Quem é ruivo é fogoió
O tristonho é distrenado
Tornozelo é mocotó
Cheio de grana, estribado
Jarra de barro é quartinha
O banheiro é a casinha
Sem saída, 'tá pebado'".

a literatura de cordel é feita assim. Popularíssima na parte de cima do pais e infelizmente pouco conhecida ainda aqui no sul. eis-me como exemplo, ok? mas como nunca é tarde para ser feliz... patativa, meu querido, o meu muito obrigado por te conhecer, e aquele abraço de até uma próxima!

í.ta**

terça-feira, 16 de novembro de 2010

celebração à vida


a frase é da moni.

e a postagem fica em homenagem a ela
e a todos que por lá em fortaleza 
bem demais me acolheram.

í.ta**


p.s.: e não se esqueçam é do concurso de poemas aqui do blog,
outra forma de celebração à vida. #ounão.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

sobre o congresso

sobre o 6° sel (seminário educação e leitura), escrevi já aqui no blog do prolij.

mais um cadim agora, então...

aqui em ponta negra - bairro de natal/rn - é tudo tão perto que do hotel onde estou para o hotel do congresso são míseros cem metros. e do hotel do congresso para a praia, outros cem metros. eis o perigo, ok?!
hoje apresentei meu trabalho, "o texto literário e os sujeitos-leitores: proposição de círculos de leitura", fruto das duas últimas pesquisas que realizei na univille (2009 e 2010, com a proposição de grupos de leitura com participantes diferentes - um deles pode ser conferido no blog do círculo de leitura, aqui).

ocorreu tudo bem durante a apresentação. na mesma sala que eu, apresentaram-se outros pesquisadores, com trabalhos muito bons refletindo sobre a lida com a literatura em sala de aula.
fui novamente o último a apresentar, assim como fora em campinas, ano passado. e é algo que eu acho muito bom, ficar por último assim, porque o povo começa a sabatinada de perguntar com quem acabou de apresentar, o que possibilita uma conversa mais abrangente e explicativa sobre aquilo que foi apresentado.

hoje se encerraram as apresentações dos grupos de trabalho (gt´s) do congresso. amanhã pela manhã tem as duas últimas mesas-redonda, e então o encerramento. 

consegui assistir a bons trabalhos por aqui, bem estruturados, e que possibilitam um repensar sobre o leitor e o texto literário (foi esse meu foco de estudo). isto é o melhor de participar de congressos. acompanhar o que vem sendo produzido e pesquisado atualmente em sua área. 

incomoda-me, ainda, os míseros dez minutos de apresentação dos trabalhos. é tempo pouquíssimo para que uma pesquisa (ou até mesmo recortes de pesquisas) seja apresentada. ficam burcados, obrigatoriamente. eu até gosto do que é incompleto, do que fica "no ar e tudo o mais. porém, quando essas incompletudes são muitas, não gosto, não. e por mais que tentemos apresentar o que há de principal na pesquisa que fizemos, há informações que precisam ser contextualizadas, senão corremos o risco de fragmentar em demasia o trabalho, o que, é claro, prejudica qualquer possível compreensão. e em todo congresso de que participo, é assim. quem apresenta corre contra o tempo. dizem os organizadores que não há como ser diferente. então tá. mas que prejudica, prejudica.

encontrei também uns livros lá pelo congresso. mas vou deixar para decidir se compro algum ou não somente amanhã pela manhã, pois é costume dos livreiros diminuírem os preços dos livros no último dia, para tentar vender o que ainda não foi. o risco, para quem, como eu, deixa para comprar assim, é não mais encontrar por lá alguns títulos, já adquiridos por outras pessoas. mas quando o dim-dim é pouco, não há muito o que fazer de diferente.

ítalo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

então, é natal


com o perdão do título copiado e previsível.

em natal, o dia "nasce" até antes das 6h. e "dorme" antes das 18h. praia? até 16h30. depois, só sombra e água fresca à espera do pôr-do-sol.

aqui onde estou, em natal - bairro ponta negra - os conceitos de alto/baixo e subida/descida se relativizam muito. alguns hoteis, por aqui, não são para cima. são para baixo. sim! a recepção do hotel em que estou fica no andar 6, o que significa que os quartos dos andares 5 a 1 ficam para baixo disso. mas não fica para baixo da terra, não. o que não falta por aqui é morro. e os hoteis se utilizam dessa estrutura terrena do bairro. dá para entender um pouco com a foto da fachada deste hotel em que estou. esta foto é tirada da rua debaixo. a recepção fica na rua de cima. por isso no sexto andar. loucura, enfim. (eu até fiz fotos para mostrar isso melhor, mas o pc aqui do hotel não tá aceitando passar as fotos da minha câmera. paciência).

o mar daqui da praia de ponta negra é bastante agitado. cheio de surfistas. banhistas simples - tipo eu, sabe? - só ali no razinho, onde já é agitado à beça. e a temperatura da água é muito boa, apesar do vento constante que se mantém por aqui (parece que é na cidade toda, pelo que me disseram). e é um vento maravilhoso! bom, mas não havia mesmo como a temperatura da água não ser assim boa, afinal, o que não falta por aqui é sol, e um sol quente pra dedéu (o branquelo aqui é claro que já se queimou, mesmo com bloqueador fator 50!).

o povo daqui é um encanto de simpatia. eu até já esperava por isso, mas é tão gostoso ser bem tratado assim! preciso é sempre cuidar, pois eles me convencem fácil demais a comprar.

de tanto lugar pra passear, + praia, + frutos do mar (que eu adoro e aqui são vendidos também em barraquinhas na beira da praia), é preciso se esforçar para lembrar do congresso, o real motivo de ter vindo para cá =) (para isto, outra postagem, depois de assistir a mais trabalhos por lá).

í.ta**

domingo, 7 de novembro de 2010

valendo três livros


fazer algo novo aqui no blog.

um concurso de poemas,
valendo três livros.

vai ser assim:

cada pessoa pode participar com a escrita de um poema
(é preciso que venha com o nome do participante.
não há necessidade de ter título o poema).

este poema deve ser enviado para este endereço de e-mail:
italopuccini@yahoo.com.br 

eu receberei os poemas dos participantes e enviarei para os 
dois jurados do concurso: cláudio b. carlos (cc) e enzo potel.
(enviarei os poemas sem os nomes dos autores, para que os
jurados avaliem somente a produção, sem saberem a procedência).

cada jurado escolherá um poema como vencedor, dentre todos os participantes.

com isto, é possível que tenhamos dois vencedores. e cada vencedor
receberá os três livros das imagens acima:
"cura" e "conto de facas", de enzo potel;
"um arado rasgando a carne", de cc. 

p.s.1: caso os dois jurados escolham um mesmo poema como vencedor,
teremos então somente um vencedor, que receberá os três livros.

p.s.2: quem por um acaso já tiver algum desses livros, não só pode
como deve participar. ganhando-os, presenteie alguém com os exemplares :)

p.s.consecutivos:

- o prazo de envio dos poemas é de 08 a 22 de novembro.
não serão aceitos poemas depois desta data.

- a divulgação dos vencedores será feita aqui no blog no dia 06 de dezembro.

- durante a semana de 06 a 10 de dezembro, os livros serão enviados
aos ganhadores.

não só participem, como convidem amigos, inimigos, afetos e desafetos
e divulguem em seus respectivos blogs.

agora é com vocês!

ítalo puccini, organizador da bagunça,
agradece a roberta ávila pelas ideias iniciais.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

agora é que são elas

Pro escuro de um poema
Qualquer ganido
É bom pretexto

vá se danar, cê não dá nada a ninguém, nenhum olhar. é assim. assim que você agora se dirige a mim, zeca. me chamando de maluca, dizendo que eu magoo e maltrato. e depois ainda tem a cara de pau de vir me dizer que anda tão a flor da pele que qualquer beijo de novela lhe faz chorar. você não liga pra mim, não, zeca, eu sei. mas eu ligo. não ligo pra você porque eu sei que você não quer saber de mim, por mais que não canse de correr atrás. mas eu ligo pra mim mesma, zeca, eu convido a mim mesma pr’um chope no bar e eu sei que eu não preciso de um salão de beleza, não precisa você fingir preocupação comigo, muito menos me chamar de meu amor minha flor minha menina, como você algumas vezes ainda tenta fazer. você é cachorro doido, zeca. você é canalha que não merece afeto. você sabia que eu não era proibida para você, não. pelo contrário. agora eu me proíbo a você. porque eu sei que não será mais você que me fará feliz. foi você quem me ensinou isto. e não adianta roubar essa mulher aqui pra você, não, muito menos me ligar a qualquer hora. a saudade é brigitte bardot, lembra disso, zeca? a saudade é pregoparafuso. mas a gente consegue arrancar, sim. querendo, a gente consegue. inclusive sem precisar botar a alma à venda. e não me venha com convites a babylon para viver a pão de lá e möet chandon. não haverá rock samba funk nada de balada que me fará ir com você aonde for. não mais. sei que você não será meu amigo e meu bem. sei que eu não ficarei bem só com você. porque eu sei que você é capaz de fazer comigo exatamente igual você quer fazer com essa morena desse amigo seu. não foi com venância que você partiu pra ignorância, zeca? não foi com bianca que você quebrou a banca? cândida era a bandida? de helena não sobrou nenhuma pena? e comigo, zeca? o que será que aconteceria comigo se eu caísse na sua ladainha de as frases são minhas, as verdades são suas? de que enquanto te desejo me vejo chorando no meio da rua? eu não jurei desfilar pra você, não. ao contrário. eu sou sincera com você, zeca. e é com esta sinceridade que lhe escrevo esta carta-telegrama. não para dizer que existe alguém que muito lhe ama. mas que muito lhe amou.