terça-feira, 31 de agosto de 2010

para escrever



pois, pois.


depois de tantos haicais tão tão assim, sabem,
como no post anterior,
pediram-me os meus.


ora, desaforo.


eu é que faço o convite para que
brotem haicais nos comentários desta postagem.  
haicais de vocês, leitores. 


algo simples assim:


página em branco,
porque todo leitor
é também escritor. 


pronto. taí o meu. bom ou ruim, taí. 
a gente só aprende escrevendo mesmo,
tem jeito, não.


agora quero ver o de vocês.
não fujam, hein?!


ítalo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

haicais

sempre me interessei pelo haicai, este estilo de poema japonês que muitos escritores brasileiros praticam até hoje. então, quando vi na livraria o livro “Boa companhia: Haicai”, comprei-o, tanto para ter vários haicais de diferentes autores nacionais, quanto para saber mais sobre esse tipo de poema japonês que foi abrasileirado com o passar do tempo e do uso que os escritores brasileiros fizeram dele.

a introdução do livro, escrita por rodolfo witzig guttilla, que é também o organizador do mesmo, é muito esclarecedora em termos de história do haicai: do seu surgimento no japão, da sua chegada no brasil (por intermédio de monteiro lobato, com traduções), dos primeiros poetas brasileiros que passaram a escrever haicais em sua forma mais original (três versos, com 5-7-5 sílabas, com a última sílaba do primeiro verso rimando com a última do terceira, e com a segunda sílaba do segundo verso rimando com a última do mesmo verso. Sílabas métricas, importante ressaltar), e dos demais poetas que foram, de fato, abrasileirando a escrita desse tipo de poema, deixando um pouco de lado as regras tão rígidas, e mantendo a estrutura de três versos.

selecionei, é claro, muitos haicais presentes neste livro. ao menos um de cada autor. mas não convém colocá-los todos aqui neste post. vou selecionar alguns, aleatoriamente, porque há tantos tão bons, que ficar na escolha do qual é melhor exigirá muito de mim. mesmo assim, são bastantes.

ah, os autores que constam no livro são: abel pereira, afrânio peixoto, alice ruiz, antonio fernando de franceschi, carlos drummond de andrade, carlos vogt, cyro armando catta preta, décio pignatari, erico veríssimo, guilherme de almeida, haroldo de campos, helena kolody, josé lino grunewald, josé paulo paes, lêdo ivo, luís aranha, millôr fernandes, monteiro lobato, oldegar vieira, olga savary, oswald de andrade, paulo leminski, pedro xisto, waldomiro siqueira jr. e acabaram ficando de fora da coletânea joão guimarães rosa, manuel bandeira e mario quintana, o que é uma perda e tanto.
_ _ _ _ _ 
”A moenda


Na dureza insana,
girando, range esmagando
toda a calma da cana” (abel pereira).
______
“Um aeroplano
Em busca de combustível...
Oh! É um mosquito” (afrânio peixoto).
____
“luzes acesas
vozes amigas
chove melhor” (alice ruiz)

“a chuva
nas luzes da casa
uma é minha” (idem)

“por uma fresta
entra toda a vida
que o sol empresta” (idem)

“primavera
até a cadeira
olha pela janela” (idem)

“ouvindo Quintana
minha alma
assobia e chupa cana” (idem)

“rede ao vento
se torce de saudade
sem você dentro” (idem)

“diante do mar
três poetas
e nenhum verso” (idem)

“cerimônia do chá
três convidados
e um mosquito” (idem)
_______
“se o ralo verso
tem halo
é um universo” (antonio fernando de franceschi)
______
“Não tenho dinheiro no banco,
porém,
meu jardim está cheio de rosas” (carlos drummond de andrade)

“O pintor ao meu lado
reclama:
Quando serei falsificado?” (idem)

“Hipótese

E se Deus é canhoto
e criou com a mão esquerda?
Isso explica, talvez, as coisas deste mundo” (idem)
_______
“Falamos tudo e ainda
há o que
silenciar” (carlos vogt)

“Num guardanapo

O movimento do homem
tende infinitamente
para o finito” (idem)

“Ultrarrealismo

A vida
limita
a arte” (idem)
____
“Instantâneo

Na vidraça fresca,
a lagartixa se espicha
e abocanha a mosca” (Cyro Armando Catta Preta)
_________
“Em nosso universo
Breve, passar com pressa! e
Graça, a borboleta” (Décio Pignatari – todos traduções)

“Vento frio, aonde
Quer ir? Instala-se, hirto,
Num talo de grama” (idem)

“Mordidas de pulgas
Na moça bonita: até
Elas ficam belas!” (idem)
_______
“Jardineiro insensato

Passou a vida
A cultivar sem saber
A flor da morte” (Erico Veríssimo)
________
“Infância

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se ‘Agora’” (Guilherme de Almeida)
____
“Os tristes

Em seus caramujos,
os tristes sonham silêncios.
Que ausência os habita?” (Helena Kolody)
______
“Lar

espaço que separa
o volkswagen
da televisão” (José Paulo Paes)

“Teoria da relatividade

devagar se vai longe
mais perto de deus o ateu
do que o monge” (idem)

“Apocalipse

o dia em que cada
habitante da China
tiver o seu volkswagen” (idem)
________
”Dia a dia


Noite? manhã? tarde?
O meu dia é eterno
sem nenhum alarde” (Lêdo Ivo)

“A cama

Amor silencioso!
Só a cama gemia,
parceira insaciável” (idem)

“Esconderijo

A palavra-chave
sempre se esconde
atrás da porta” (idem)
_____
“Jogaste tua ventarola para o céu
Ela ficou presa no azul
Convertida em lua” (Luís Aranha)
_____
”Há colcha mais dura

Que a lousa
Da sepultura?” (Millôr Fernandes)

“Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a lua” (idem)

“Poeminha sem nexo queixa

Liderar não é nada duro:
As perguntas são sempre no presente,
As respostas são todas no futuro” (idem)

“Poeminha fora da estação II – Coragem é isso aí, bicho!

Eu sofro de mimfobia
Tenho medo de mim mesmo
Mas me enfrento todo dia” (idem)
_______
“Um filósofo

Um velho coqueiro
- interrogativamente –
mira-se no brejo” (Oldegar Vieira)
______
“Praia Grande de Arraial do Cabo

Na sala invadida,
devolvida num búzio
memória do mar” (Olga Savary)
_______
“3 de Maio

Aprendi com meu filho de dez ano
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi” (Oswald de Andrade)

“Anacronismo

O português ficou comovido de achar
Um mundo inesperado nas águas
E disse: Estados Unidos do Brasil” (idem)
_______
“Duas folhas na sandália

O outono
também quer andar” (Paulo Leminski)

“a palmeira estremece
palmas para ela
que ela merece” (idem)

“cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença” (idem)

“essa estrada vai longe
mas se for
vai fazer muita falta” (idem).
_____
“na praça da igreja
em graça ou pecado seja
me abraça e festeja” (Pedro Xisto)
____
“Íntimo

Ir e voltar, a esmo,
Estradas abandonadas
dentro de mim mesmo” (Waldomiro Siqueira Jr)

“Erudição

‘Cogito, ergo sum’.
Assim se diz em latim
e em lugar nenhum” (idem)
_ _ _ _ _ 
í.ta**

domingo, 22 de agosto de 2010

pra cá

venham também, 
ó,
tem coisas assim:


"O animal de Calvino

De manhã Calvino dirigia-se à cozinha para dar de comer ao Poema. O bicho devorava tudo: nenhum alimento era desagradável ou esquisito - e tudo para ele parecia ser alimento.
Ao fim do dia, depois de terminadas as tarefas urgentes, o senhor Calvino acariciava-lhe o pêlo com a delicadeza e a hábil distração aparente dos tocadores de harpa. Naqueles instantes, o universo abrandava as rotações ganhando a lentidão inteligente dos pequenos felinos.
Dar banho ao Poema não era fácil; ele como que resistia à limpeza, exigindo de modo saltitante uma liberdade impudica que só a sujidade permite. Mas bem pior ainda era dar ao bicho uma injeção. Era a única altura em que as garras eram dirigidas a Calvino. Aquele animal preferia adoecer, a ser medicado.
Um dia o animal caiu da janela do 2° andar, e morreu.
Calvino, no dia seguinte, adotou outro.
E deu-lhe o mesmo nome".
(Gonçalo M. Tavares, "O senhor Calvino").


e outras mais.

í.ta**

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

narrativa três: por fim


ele veio, sem muita conversa, sem muito explicar, chegou, entrou, tomou conta, beijou aqui, esfregou ali, carregou piano, sacola e um par de tênis e deixou o menino assim, descalço sobre a laje, com as partituras na mão.

í.ta** 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

narrativa dois: sem título

ele é ingênuo ele vai assim dançando por aí cantalorando dois pra lá dois pra cá e não percebe o que vão fazendo dele e então não sabe por que se sente tão pesado e tão cansado vezemquando que é por acreditar tanto assim nos outros que é por querer fazer o bem tanto assim aos outros aí ele vai acumulando histórias acumulando não ele vai carregando histórias vai ficando assim pesado turvo cansado sombrio cabisbaixo tudo culpa deles que entregam vidas como quem troca de chinelo tudo culpa da chuva e de deus porque deus sempre é culpado pr’ele e ele deixa deixa mesmo afinal ele é ingênuo demais para perceber essa exploração toda essa maldade toda que ainda o acusam de fazer ‘inda mais que ele não faz por maldade sabiam na verdade ele não tem consciência de nada do que faz ele é um ser inanimado fazem por ele inclusive um texto e ele deixa e ainda acha o máximo

í.ta**

terça-feira, 17 de agosto de 2010

narrativa um: bordado



foi assim, como quem costura. amarrando dali para lá. eram histórias aquelas. mas ele nem aí. engolindo-as. parecia só contornar. como quem desenha. pelas bordas mesmo. com laços frouxos, misturados. parecia só contornar. só parecia. eram histórias outras que nasciam dali. não das bordas, mas do centro mesmo. dele. embora nascer fosse sempre um perigo. uma possibilidade. era isso o que ele fazia. brotos. pedaços de vida. as que ele levava, as que ele trazia. sim, porque tudo o que vai, volta. melhor ainda retorcido, esmagado, diluído e renascido. sempre um perigo. sempre uma possibilidade. um curso. per. um percurso. um rumo. um re. começo. 

í.ta**

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

virando palavra escrita

Entrevista com Regininha (vulgo, Regina Carvalho).

Que tipos de livros você gosta de ler?
O que gosto mesmo de ler é um tipo de livro que parece estar saindo de moda: é aquele que traga uma boa história bem contada. Vou me grudando nele, e não quero largar enquanto não chego ao fim!

Por que você acredita que livros assim estejam saindo de moda?
A referência é à literatura chamada de erudita. Ela se volta para a narrativa feita de estilo, de sofisticação, de estrutura complicada e linguagem muitas vezes difícil. As narrativas conhecidas como metaficção, principalmente, parecem elaboradas apenas para provar que o autor conhece literatura, são muitas vezes um exercício de pernosticismo ( às vezes de pedantismo!) e acabam enchendo o saco. Parece que escrever – como ler – tem que ser um sofrimento. Pois eu acho que todos os dois deveriam ser um prazer, sempre...

Com que frequência você lê livros?
Leio três ou quatro livros por semana; às vezes mais, às vezes menos (vai depender do livro, é claro), mas a média é esta.

Cite alguns autores e alguns livros favoritos e explique por que para você são favoritos.
1.Machado de Assis: precisa explicar por quê? E sem esperar resposta, digo que é pela lucidez, pela ironia, pela clareza ao olhar a alma humana.
2.Cristovão Tezza: além de considerá-lo romancista competente, como somos amigos, percebo em suas tramas as relações vida X obra, que sempre acho muito interessantes.
3.Philip Roth,americano: constrói,desmonta e reconstrói o universo do escritor, nossa vida pelo avesso. AMO Roth.
4.Cormac McCarthy, americano: um exemplo da boa história bem contada – e usando de recursos de linguagem e estrutura que são, na verdade,simples, e ao mesmo tempo geniais,porque permitem que qualquer leitor possa acompanhar suas narrativas.
5.Juan Rulfo, mexicano: quando li Pedro Páramo, não queria acreditar que pudesse ser verdade,que ele existisse. Daí li Planalto em chamas (ou Chão em chamas, há traduções com esses dois títulos), e quando acabei quase me pus a chorar, pois ele só escreveu esses dois...
6.Tomás Eloy Martinez, argentino: jornalista,seus livros eram muito baseados na realidade. Os últimos dois ( A mão do amo e O cantor de tango) fogem disso,mas continuam de excelente qualidade.
7.José María Árguedas, peruano: dele li apenas Os rios profundos, e foi um deslumbramento, uma das coisas mais bonitas que já li na vida!
8.Enrique Vila-Matas,espanhol: dos autores de metaficção é de longe meu favorito, pois une a cultura literária profunda a um escrever delicioso.
9.Mia Couto, moçambicano: de início muito influenciado por Guimarães Rosa, acabou por esta via chegando a uma qualidade ímpar, com uma linguagem construída com maestria, sem contar a originalidade e a mística africana que retrata.
Há outros, mas acho que basta,né? Porque nem falei dos poetas!

Agora diz um livro que deixou você assim, sem respirar por um bom tempo? E um que você tenha achado uma bela porcaria?
Já citei: Os rios profundos, de José María Árguedas, escritor e antropólogo peruano, me deixou apaixonada.
No dia em que completei 50 anos,tomei a decisão seguinte: não perco mais tempo com porcarias, a menos que a profissão me obrigue. Assim, se o início não agrada, largo o livro mesmo, sem o mínimo remorso. Ih,de porcaria o mundo está cheio, prefiro não citar!

Em que lugares vocês costuma ler? E qual é o seu lugar preferido de leitura?
Isso depende muito do tipo de leitura. No momento leio, por exemplo, Uma história da MPB,do Jairo Severiano.Como é a trabalho, leio na mesa, com bloco de anotações e caneta ao lado. Mas a leitura mais descompromissada é feita em qualquer lugar: no sofá, na cama, no banheiro (sim, leio no banheiro!), na sala de espera do dentista ou do médico, para fugir da Caras e da TV... Tem sempre um livro na bolsa, para alguma emergência.

Você costuma comprar muitos livros? Empresta-os de bibliotecas? Tem o costume de emprestar seus livros a alguém?
Não gosto de ler livros lidos por outras pessoas, manuseados por outros que não eu. Ciúmes mesmo, acho. Ou aquele ranço de homem que só aceita mulher virgem , hehehe. Livro de biblioteca, assim, só se não conseguir obter de outra maneira um livro que tenho que ler. Mas empresto, sim, e sem grandes problemas – embora tenha perdido muitos livros por causa disso.

Quem é a Regininha enquanto leitora?
Acho que o que me diferencia da maioria dos leitores é um grande ecletismo, uma grande ausência de preconceito. Como diz a piada, leio até bula de remédio... Leio os eruditos, leio best-sellers, leio pornografia, leio muita poesia...Mas a leitura favorita para companhia, para entretenimento, a leitura de prazer, é o romance policial. Porque não se dá ares, porque conta boas histórias, porque tem começo e meio e fim, e na sua simplicidade (não é regra sem exceção) cria personagens excepcionais em sua humanidade.

Como você incorporou a prática da leitura? Alguém incentivou, teve um fato marcante?
Não. Na casa da infância ninguém lia. E eu me encarapitava nos galhos da ameixeira grande do quintal, para ler em paz. Mas meu pai me mandava, do Rio, onde morava, livros de presente, de vez em quando, e isso ajudou a motivar mais ainda a tendência leitora em mim. Quando fui morar com ele, foi a glória: tinha a imensa biblioteca do vô Tito Carvalho à disposição, mais de 5000 volumes...

Desde quando você é blogueira? O que o blog representa para você?
Tenho blog há cerca de três anos, ou um pouco mais (Sofro de dislexia cronológica, tu sabes – não tenho noção do tempo real).Começou porque estava me aposentando, e os alunos queriam continuar me tendo como indicadora de livros, filmes, CDs. De vez em quando me canso, tiro o blog do ar, mas depois crio outro. Não tenho grandes elucubrações quanto a isso: ele é uma companhia que me traz outras companhias, nesta vida solitária de quem escreve. É um amigo, sempre à disposição.

Quer falar um pouco também sobre o que a escrita significa para você?
A escrita se tornou atividade essencial: é desabafo, é organização do mundo, é vazão de um lado artista, é divisão de conhecimento, de sentimentos, de lembranças, de razão e desrazão. Às vezes me vejo como personagem de cartum, virando palavra escrita, e não existindo mais de outra forma...

Quer contar também sobre os seus livros-sapos?
Meus sapos são uma diversão, mas são como os poemas: brotam sozinhos, por causa de alguma pessoa que os motive. Nem todo mundo dá sapo: há os sapáveis e os não sapáveis. Semana passada escrevi um, para o cirurgião que me operou, O sapinho cirurgião, pra ver se ele perdoa uma malcriação muito, muito malcriada mesmo que andei lhe fazendo... Não sem certa razão, posso afirmar sem mentir, mas assim mesmo eu não precisava ter exagerado. Como, apesar disso, ele tem sido ótimo comigo, de repente me vejo imaginando um sapo que pega um bisturi mágico e retira a dor de dentro dos outros sapos,e a substitui por alguma coisa bonita... Depois conto se funcionou como pedido de desculpas!


Acrescentando esta pergunta após os comentários-dúvidas de Eduardo, Enzo e Camila, você pode explicar um pouquinho sobre os "livros-sapo"?
Acho que tenho uns doze ou quinze escritos, apenas dois publicados. Há um terceiro já ilustrado, à espera de publicação.
Escrevi o primeiro, O sapo azul, para brincar com amigo muito namorador. Saiu em formato de infantil, e todos têm saído assim. Não penso neles, porém, como infanto-juvenis: apenas aceito o rótulo, porque as pessoas têm necessidade de rotular.
Não penso em crianças quando escrevo, porque não penso em leitor, quando escrevo.
Adultos têm lido e dito: não é história pra criança! Só que as crianças leem e adoram... Porque elas estão muito mais adiantadas no tempo e na compreensão da vida do que os pais imaginam, porque elas são mais avançadas do que se pensa. E mais inteligentes...
Essa coisa de escrever para determinada faixa etária, passar mensagem, ser moralista, etc e tal,usar determinado vocabulário, não serve pra mim. Isso é pra produção comercial, e não é isso que faço. Não desmereço quem faz, pelamor de Deus, só não quero me preocupar com tais coisas.
Me diverte muito transformar certas pessoas em sapos, e criar os detalhes de suas histórias conjugando o imaginário humano com o que pode ser possível pros sapos – com muita liberdade, hehehe..
Assim, como acabei de fazer o sapinho cirurgião, já fiz a sapinha preguiçosa (minha filha quando adolescente), o sapinho jornalista (meu filho e meus alunos), o sapinho dormiloco (um amigo meio em depressão), a sapinha que vai pro céu... Fiz o sapinho João, pro João Bosco, e ele gostou muito. E muitos outros.
Este ano não andei atrás da publicação de nada, estava mais preocupada em resolver os problemas de saúde. Mas ano que vem, quem sabe coloco Verde Charco na rua, com maior regularidade?

Conhecemo-nos em uma oficina de escrita. Era de contos, não? Como é isso de mediar oficinas de escrita? Qual a importância de movimentos assim para um escritor?
Sim, foi numa oficina de contos, da qual participaste sem estares inscrito, pensas que não lembro? Gostaste, foste ficando e participando bastante.
É gostoso mediar, sim, desde que se dê um tempo pra que os alunos possam maturar suas ideias e suas escrevinhações. Intensivos como aquele não funcionam, não... De todo modo, é muito agradável conviver com pessoas que também gostem de escrever (de ler, nem todos gostam...).
Já dei muitas oficinas na própria UFSC,quando ali lecionava – de contos e de crônicas – e vários alunos deram bons contistas; dois viraram cronistas regulares, publicando na imprensa. Pode-se dizer que é um resultado pobre, mas não concordo, não. E observei que a maioria deles se torna LEITOR, um leitor melhor, mais atento, mais ligado. Só isso já faz valer a pena.

Deixe uma frase de (d)efeito aí, sobre leitura, escrita, livros, afins...
A leitura de livros só tem sentido se nos ensina a ler o mundo; e a leitura do mundo só terá sentido se nos ensinar a compreender e aceitar o ser humano.
_ _ _ _ _ 
í.ta**

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

mais caminhos

mais leituras.

mais leitores.

perfis de leitores.

foi isso o que enzo potel escreveu.


"do outro lado da página",

texto em que ele costura as entrevistas
que fez comigo e com cláudia sacavem.

conheçam-me por lá também.
a ele também.
a cláudia também.

sintam-se todos convidados.

í.ta**

domingo, 1 de agosto de 2010

deu cria

essa brincadeira de criar narrativas a partir de trechos de músicas de alguns cantores tá dando cria. 

roberta ávila brotou marisa monte lá no blog dela.
ficou uma lindeza que só!

aqui, já brotei renato russo e cazuza.

costuras de trechos de músicas.
eu acho maravilhoso. faz-nos parar para ouvir com outros ouvidos cada música. 
comigo pelo menos é assim. parei para ouvir tudo de legião e de renato.
tempos depois, ouvi tudo de cazuza e de barão.
agora, após ler roberta, não paro de ouvir marisa e tribalistas.

quem mais vai brotar o que mais?

í.ta**