domingo, 13 de junho de 2010

sem título

eu sempre quis escrever um poema com sapatos.
vesti-los
e andar por aí a amaciá-los,
como que fazendo brotar dali um poema.

porque o poema, quando brota,
traz consigo um susto,
um estranhamento,
como de quem veste sapatos
para fazê-los,
ou usá-los,

poema e sapato.

mesmo que incompleto,
mesmo que sem sola,
eu sempre quis escrever um poema com sapatos.

ítalo puccini.

16 comentários:

Aninha Kita disse...

Que lindo! *-*
A simplicidade poética é tão mágica! Rápida, sutil e encantadora!

Beijo!
Ana

Eduardo Silveira disse...

pois eu descalcei os meus pra entrar nesse blog aconchegante. adorei o poema! simples e leve como um bom sapato.

abraçón!

Lara Amaral disse...

Tá aí uma metáfora que amei. Amaciá-los pisando, ainda assim, prezando-os.

Beijos.

Michele Andrea Mondek disse...

Assim que comecei a ler esse poema veio na minha cabeça a pintura "Sapatos" de Van Gohg, que particularmanete adoro.
Parabéns. O poema é simples e cativante.
O blog ficou genial, e agora tem até Currículo Lattes!

Beijos

Ana Lucia Franco disse...

Ita!

Amei, forma e conteúdo..

um beijo!

Gabriel Gómez disse...

Ítalo...
Teu lindo poema e os sapatos bem que poderiam ficar do lado ao meu "Sola"... Lembras do meu livro "Borges e outras ficções"?
Veja:
E os poemas têm que ser gastos. E os poemas têm que ser gastos, copiados, repetidos, até esgotar os sentidos e as palavras. E os poemas têm que ser gastos, copiados, repetidos, até esgotar os sentidos e as palavras, com letras, olhares, bocas e tintas. E os poemas têm que ser gastos, copiados, repetidos, até esgotar os sentidos e as palavras, com letras, olhares, bocas e tintas de canetas e solas de sapatos nas calçadas de flores e barro. E os poemas têm que ser gastos, copiados, repetidos, até esgotar os sentidos e as palavras, com letras, olhares, bocas e tintas de canetas e solas de sapatos nas calçadas de flores e barro que abrem fendas e curam outras consumidas, deterioradas. E os poemas têm que ser gastos, copiados, repetidos, até esgotar os sentidos e as palavras, com letras, olhares, bocas e tintas de canetas e solas de sapatos nas calçadas de flores e barro que abrem fendas e curam outras consumidas, deterioradas como amor, povo, fome e pátria.

Grande abraço!

Território Nenhum disse...

Adorei!
abs
Záia

Moni. disse...

Nada mais pertinente. Pra que não pare, não canse nem faça calos.

Um poema de sapatos. Versos andarilhos. Poesia sem fronteiras...

Amei isso. Mesmo, mesmo.

Beijo, beijo.

Priscila disse...

Italo, adorei. Eu sempre quis também; até que escrevi um e comecei a "sempre querer" escrever sobre outra coisa.

Abraço,
Priscilalopes.com

Kaah. disse...

adooreiii =)

Mary disse...

Lindo, Ítalo. :)

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

tirar os sapatos, mudar a rotina para que as palavras sejam mais sentidas

Canteiro Pessoal disse...

Ítalo, realmente, fino e cortante, uma composição fluindo pelas veias. Também, peço-te perdão pela minha ausência em teu espaço. Muito breve pousarei com a qualidade merecida.

Abraços querido.

Priscila Cáliga

Nydia Bonetti disse...

Com absoluta certeza, este é um dos poemas mais bonitos que li nos últimos tempos. Muito, muito bom, Ítalo. Beijos!

Roberta Ávila disse...

Dos teus passos

Um poema com sapatos
conversa de botas batidas
coisa assim de gente amiga,
testemunha e companhia.

Um poema com sapatos
que conte
ninguém sabe o quê
porque não conta, caminha
e a leitura dos passos
essa é lenta,
leva uma vida.

Trajeto errante, metamorfose
que se erra
ao caminhar.

Um poema com sapatos
que se escreve enquanto anda
para atravessar a distância
não importa a ignorância
da gente se conhecer meio assim.

Um passo é um passo,
mesmo aqui, parados no mesmo lugar.
Não importa se as pegadas não existem.

A marca fica e ponto final.

clotilde zingali disse...

gostei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!que lindo misturar sapato e poesia :) me senti descalça... andando leve na lírica que vc desenhou :)