sábado, 5 de junho de 2010

mais poetas: um silêncio que verbaliza

gabriel gómez é contista. antes, é borgeano. conhecedor impecável de tudo sobre borges. vida e obra mesmo. um primor de conhecimento. digo que é contista pelo seus dois primeiros livros publicados: “A culpa é do livro” e “Borges e outras ficções”. só clicar ali que ‘cês saem nos textos que já escrevi – e publiquei – sobre a escrita de gabriel.

é amigo “ao vivo”, antes de amigo “blogueiro”. conhecemo-nos cá por jaraguá, em uma das feiras de livro. e por outras vezes cá estivemos. e outra, a mais recente, em floripa, quando do lançamento do seu terceiro livro, “Cerimônias do silêncio”, o primeiro livro da coleção de poesia “Câmera-verso”, organizado pela Design Editora, do Carlos Henrique Schroeder.

então, gabriel, além de contista, borgeano e amigo, é poeta. poeta que, assim como contista, vai na palavra, em sua estrutura, e a remexe por completo, e a vira do avesso mesmo, assim, ó: “Queda: o balão caiu no céu”. querem outra prova, é: “Prova: Estranho / Um adjetivo, / uma palavra, / (que se junta a esta) outra, / uma voz que articula. / Vírgulas, / pontos. // Pausas. // Eu continuo escrevendo / no ar / com meus cadarços / e me deixo dizer / pelo silêncio”.

o silêncio. as cerimônias deste silêncio. um silêncio que palavra. ou que emudece mesmo: “O pior: Tinha para dizer-me / o pior dos silêncios. // Então calou”. às vezes, sem cerimônia nenhuma: “Fim: Cansado de ouvir-se, encheu seu revólver de silêncios, e, / sem parar de falar, / o apontou para sua boca / (...)”.

como escreveu o rubens da cunha, na primeira frase da orelha do livro (alô, regininha, eu continuo lendo e relendo orelhas – de livro), “’Tem muito silêncio queimando aqui’, afirma um dos poemas de Gabriel Gómez”. silêncios que queimam também aqui, ó, nós, leitores. jogados aos silêncios que são nossos. talvez só nossos mesmo. talvez nossos – meus e teus. mas assim, ó, inabitados: “Pronto: Debaixo das palavras / havia / este / silêncio inabitado”.

pois que habitemos estes e outros silêncios. é preciso. do livro do gabriel, ou dos livros do gabriel. ou de outros tantos livros que contenham o silêncio de quem escreve o silêncio de quem lê. porque, lembremo-nos, o livro que você escreve nunca é o livro que eu leio. uma “Pequena ação: A pequena ação transcorre sem linguagem / O falso silêncio acaba aqui / e não se parece com nenhuma palavra”.

resta-nos a procura mesmo.

do silêncio.

da palavra.

daquilo que silencia mesmo palavrando.

ou que palavra mesmo silenciando.

í.ta**

6 comentários:

Roberta Ávila disse...

adorei! a proposta e o poeta =D

Bjo bjo

Nydia Bonetti disse...

beleza de projeto, ítalo. e de poeta - silêncios que queimam, silêncios que calam, silêncios que falam - de todos eles, o poeta se farta. vou correndo conhecer o blog. abraço!

Enzo Potel disse...

"Queda: o balão caiu no céu”

demaaaais!

Eduardo Silveira disse...

esse eu conheço um pouco. gostei bastante de ´a culpa é do livro´
é bom contista e bom poeta. e bom blogueiro. ^^

Gabriel Gómez disse...

Puxa... que faço agora com este silêncio? Obrigado Italo... obrigado Roberta, Enzo, Eduardo por ser melhores que aquilo que estava oculto em cada uma das diferentes interpretações da palavra... Obrigado. Espero cada um de vocês no Blog para compartilhar o que se esconde embaixo de cada uma delas...
Abraço!

Gabriel Gómez disse...

Em tempo: obrigado Nydia pelas palavras aqui e no meu blog.