sexta-feira, 2 de abril de 2010

tipologias de leitores

Tava eu lendo umas coisitas teóricas sobre práticas de leitura e sobre a questão dos professores serem, ou não, sujeitos-leitores, quando me deparei com um texto em que a autora, com um embasamento teórico bem apresentável, indica uma “tipologia de leitores”, na qual ela classifica os professores participantes da pesquisa dela em “grupos de leitores”. Algo bem interessante de se pensar, nos tipos de leitores que somos. Porém, com a relevância de não nos limitarmos a essas categorias, uma vez que a leitura – e consequentemente os leitores – não pode ser pensada somente dentro de categorias.
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Identifiquei-me em três das tipologias apresentadas pela autora (inclusive, preciso fazer referência a ela, ora pois: Ângela da Rocha Rolla, Doutora em Teoria Literária/PUCRS). E importante ressaltar que as descrições dessas tipologias apresentam como fundamento as vozes dos professores por ela entrevistados para a pesquisa.
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Leitor compulsivo: É eclético: da história em quadrinhos ao último lançamento de um escritor valorizado pela crítica, tudo lhe desperta a curiosidade. Lê o que lhe cai nas mãos, mas mostra um espírito crítico em relação aos textos, emitindo opiniões a respeito de autores e obras. Tem livro espalhado por toda a casa, a leitura está em primeiro plano: são pilhas de livros que compra ou pede emprestado. Adora frequentar bibliotecas ou tem a sua própria. Lê de tudo a toda hora, lê no ônibus, no banheiro, lê na hora de dormir. Qualquer minuto livre que tem, ocupa nessa atividade. Às vezes até esquece que tem corpo, embriaga-se com a leitura.
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Leitor profissional: Não é um leitor ingênuo, ele lê para analisar estilos, buscando o valor estético das obras. A leitura literária e a produção de textos fazem parte de seu cotidiano profissional, são o instrumento do seu trabalho. Suas leituras constituem-se de obras técnicas sobre teoria literária e obras literárias de autores clássicos e modernos. Frequenta livrarias e círculos de leitores, tem um apreço especial por livros, que adquire com frequência, na medida de suas condições financeiras. Lê ficção para fundamentar as atividades voltadas ao ensino de literatura, oficinas de leitura, redação de artigos, projetos de pesquisa e também para seu lazer. A produção de textos é exigência do trabalho profissional, que apresenta oportunidades de realização de palestras, conferências, defesas de tese, publicações, etc. Faz leituras informativas, técnicas e literárias. É um iniciado em estudos literários. A leitura é prioritária na sua vida, constituindo-se não em trabalho penoso, mas em atividade realizadas com prazer.
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Leitor escolar: Lê com um objetivo principal: indicar obras literárias para os alunos. Há uma preocupação com o trabalho didático, que absorve toda a sua disponibilidade para a leitura. Esta se reveste de obrigatoriedade, com a finalidade única de desenvolver seu trabalho docente, que consiste na análise e comentário das obras solicitadas, cujo assunto não diz respeito aos seus interesses, nem ao seu gosto literário, principalmente quando se trata de literatura infantojuvenil. Por força da necessidade imediata e do pouco tempo disponível, realiza leituras rápidas, sem fruição. As leituras escolares não são consideradas leituras de lazer, para as quais na há espaço no cotidiano desse leitor.
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Há, ainda:
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Leitor Diletante: É um leitor ingênuo, que lê sem conhecimento prévio, por puro prazer. Tem um livro de ficção na cabeceira. Lê obras de autores consagrados ou popularmente conhecidos. Prefere literatura de consumo fácil: histórias de amor e de suspense, enredos de folhetim. Gosta também de ler poesia e literatura intimista. Os critérios de escolha para ler são aleatórios, ao sabor do momento. Não possui bagagem teórica para avaliar as leituras que realiza, escolhendo obras de acordo com critérios pessoais, em que predomina o gosto. Faz pouca leitura informativa, predomina a ficção.
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Leitor apressado: Caracteriza-se por ser um sujeito dinâmico, muito ocupado com o trabalho, que lhe deixe poucas horas diárias de lazer. Lê para se informar dos acontecimentos recentes e para se atualizar em assuntos diversos como política, religião, pedagogia, psicologia, espiritismo, etc. Dedica pouco tempo à leitura, passando os olhos em notícias de jornal, artigos de revistas, crônicas. Compra jornal diariamente e assina uma revista mensal, ou pede emprestado. Não lê ficção ou lê eventualmente.
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Leitor superficial: Lê eventualmente, sem privilegiar um tipo de leitura. Não manifesta preocupação com o valor estético das obras, nem mesmo as avalia. Escolhe os textos ao acaso, o que lhe cai nas mãos, geralmente a literatura de massa ou gêneros já consagrados, como o romance romântico. Não costuma realizar leituras para aprimoramento profissional, preferindo as de caráter utilitário e informativo: o poder da mente, o milagre das plantas, o exoterismo, o espiritismo, etc. Conhece poucos escritores e se limita a poucas obras. A leitura não é prioritária na sua vida.
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Leitor técnico: Faz leituras para estudo do trabalho docente ou de algum curso de especialização que está realizando. São leituras técnicas que versam sobre assuntos relativos às disciplinas que está cursando como aluno ou para aprofundamento teórico no campo profissional: Linguística, Direito, Gramática do Texto, Pedagogia, Educação. As leituras informativas se reduzem a uma rápida olhada no jornal do dia, sem espaço para as reportagens de revistas. A leitura literária está ausente, raramente lê ficção, porque a leitura científica lhe toma todo o tempo disponível. O contato com os livros é diário, o ritmo da leitura é acelerado, há uma preocupação com o cumprimento de tarefas. O leitor técnico não considera a leitura que realiza uma atividade prazerosa, é um trabalho cansativo, que faz por obrigação. Ele lê pressionado pelas circunstâncias do trabalho profissional ou do curso de pós-graduação. A preocupação com a defasagem em termos de leitura literária existe, mas não é resolvida.
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Não-leitor: Com uma história de vida distante dos livros, sem valorização da família na primeira infância, o não-leitor apresenta um comportamento avesso à leitura literária. Tem um contato esporádico com periódicos, que lê para se informar dos acontecimentos recentes e não consegue acompanhar um texto ficcional até o fim. Não dispõe de uma biblioteca, estando a leitura como lazer distante do seu cotidiano, que também dispensa hábitos culturais como cinema, teatro, músicas, esporte e outros. Profissionalmente, não demonstra interesse em ascender na carreira, limitando-se a executar suas tarefas docentes, sem buscar inovações.
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E eu lanço aqui a proposta de que os leitores deste blog possam registrar com quais tipologias se identificam, em que tipos de leitores acreditam que se encaixam. Enfim, coloquei isto aqui para pensarmos um pouco nos leitores que somos, ou que ainda podemos ser.
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í.ta**

11 comentários:

Regina Carvalho disse...

Ai,modeusi, que o compulsivo sou eu, tal e qual. E leio MESMO no banheiro! Tem sempre algumacoisa lá, de plantão. Colega de UFSC jurava pros alunos que eu tinha estante até no banheiro, hehehe... (Pior é que eles acreditavam. Mas acho que, se não fosse a umidade,teria, sim). E sou mesmo eclética, nas leituras. Tá certinha a descrição!
bj

Enzo Potel disse...

eu sou profissional!

e tenho pavor de diletantes!!!

italo, faltou um tipo de leitor que conheci bem em livraria: é aquele que só lê romances com final feliz, que negam totalmente a qualidade da obra se as coisas não terminam bem.
em geral são mulheres, com mais de trinta anos, que passaram pela fase "sabrina", encontraram Jane Austen (endeusaram logo em seguida), e agora compram desvairadamente os livros de Norah Roberts, Judith Mc Naught, Barbara DelinsKy - Essas autoras escrevem mais de dois livros por ano, grossos (esse tipo de leitora não aceita livro pequeno!) e caros!!

E COMO VENDE!
sugestão de nome para esse tipo de leitora:

otnip ed atlaf

kkkk

Roberta Ávila disse...

Para horror do Enzo, acho que fico entre o diletante e o compulsivo, depende da fase.

E Jane Austen é mto bom.

Bjão

Lara Amaral disse...

Sou Leitor Diletante, rs, mas vou melhorar.

Obrigada pela visita e comentário lá no meu blog.

Território Nenhum disse...

me identifiquei com alguns elementos do profissional, do técnico e atualmente do apressado!rs

abraço

Eduardo Silveira disse...

ítalo,

curiosamente (ou nem tanto, já que temos idade semelhante e fazemos o mesmocurso), também divido-me entre as 3 categorias de leitores apontadas por você como suas. Só vou acresentar (e sei que vale pra vc tbém) uma correção para meu caso: leio bastante coisa infantojuvenil, pensando em possíveis indicações/trabalhos em sala com eles, mas apesar dessa atitude ser revestida por uma "obrigatoriedade", sinto muito prazer em lê-los e, mais que isso, os livros infantojuvenis dividem espaço com o romance, a poesia, o teatro, entre os meus gêneros preferidos para lazer, sem dever nada a nenhum deles no quesito qualidade.

essa chuva de livros pós-sabrina descrito pelo enzo me irrita também. Minhas visitas às livrarias tem rareado, em parte por esse predomínio maciço.
Quanto aos diletantes, até que não são tão ruins assim, né. Poesia e literatura intimista... tá ótimo, quem dera se a maioria fosse assim.
E a Roberta aqui em cima tem razão: Jane Austen é muito bom, tem gostinho de machado de assis (tão afiada quanto), só que com menos balanço. ;)

Abraço!

Canteiro Pessoal disse...

Ítalo, interessante o post! Voltarei aqui durante a semana para exprimir que tipo de tipologia me enquadro, identifico.

paz!

Priscila Cáliga

Mara faturi disse...

Chegando por aqui pelo "Curta" ( do qual sou leitora e escritora)...Adorando tudo!
*Qto ao tipo de leitor;sou "profissional e compulsiva"
Abraço!

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

Gostei destas características dos diversos leitores... hehe

Aninha Kita disse...

Olá! Descobri seu blog hoje, já li algumas postagens, até que esta me atraiu a comentar.
Ah, claro, melhor me apresentar: sou a Ana, que está interessada no seu projeto "Círculos de Leitura", na UNIVILLE.
Talvez por estar numa fase antecedente a maioria dos leitores de seu blog, não vejo mal nenhum em me identificar plenamente com o tipo "Leitor Diletante", só não acredito nessa necessidade dele não ter "conhecimento prévio". O quanto se aproveita de uma leitura não está na facilidade ou dificuldade de seu consumo, mas na forma que fará sua leitura, analisará a obra, trabalhará com o que pode ser absorvido, com o que deve ser abstraido, e até (por que não?) com o que pode ser transmitido e produzido a partir.
Ainda consigo ver algumas características de minha leitura nos tipos "compulsivo" e "profissional", embora haja muito que não se encaixe a mim.

Gosto do prazer da leitura, da capacidade de uma ficção fazer sentido com nossa própria história, da beleza ou crueldade das figuras de linguagem, adoro a ambiguidade de sentidos e as múltiplas interpretações, além, é claro, de ser adoradora compulsiva da fluidez da literatura poética (não necessariamente em versos).

Gostei muito do blog, passarei mais por aqui.
Ana

Anônimo disse...

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