quinta-feira, 18 de março de 2010

delineando. aparando arestas.

tô eu bolando nova carta aqui pro blog. uma carta a todos que estão pitaqueando a conversa sobre livros, práticas de leituras, literatura boa ou ruim. é assunto para não se chegar à conclusão nenhuma. pelo contário. é assunto para se conversar mais e mais.
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pois então, enquanto me embolo em minha carta por aqui, regininha já lançou no blog dela um novo escrito, costurando algumas opiniões lançadas nas cartas cá e acolá.
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e, já que minha cartinha inda não fica pronta, lanço aqui a dela. e assim damos continuidade à boa prosa. ah, e até coloco a imagem que ela colocou no blog dela. amei!
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As cartas pro Italo, as dele pra mim, e os comentários recíprocos e mais alguns, especialmente os da Roberta, me conduziram ao óbvio. E já sei, por larga experiência, que o que é óbvio pra mim pode não ser evidente pros outros. E é bom tocar nisso.
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Uma vez li em Antonio Candido: "a leitura de um poema [expressa em publicação] é a soma de todas as leituras que se fizer sobre ele". A partir daí, adotei este princípio para tudo que leia: não existe A LEITURA, aquela definitiva, e cada uma acrescenta algum elemento para aprofundar/ampliar minha opinião, porque cada uma parte de uma outra perspectiva, se baseia em outro repertório, enfatiza momentos diversos do que foi lido.
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Italo, Roberta e eu servimos bem para ilustrar isso. Italo e eu temos a mesma formação, mas completada em momentos bem diferentes,em universidades diferentes. Ensinar literatura, pra mim, sempre foi uma atividade essencial dentro de minha tarefa na UFSC,que era a de ensinar redação. Se me perguntam o que ensinava lá, respondo: leitura e produção de textos. Não dá pra ensinar um sem o outro, só que era leitura de livros para adultos, incluindo muitas grandes reportagens. Leio infanto-juvenis de forma muito aleatória, porque escrevo infanto-juvenis, mas nunca me preocupei em sistematizar tais leituras. Só que elas são processadas pelos critérios acumulados ao longo desses anos todos de aprender para ensinar.
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Italo ensina literatura infantil para as próprias crianças, pesquisa leitura. Assim, pra ele é importante ter esse universo organizado, atualizando tanto os autores como os teóricos. Roberta é jornalista, foi minha aluna, é muito ligada em artes, gosta de ler e lê muito, mas eu diria que é leitora mais "normal". Assim, seus pitacos são de extrema relevância pros outros dois.
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Saber em que mundo - contextualizar - um autor viveu/vive é importante para a leitura de sua obra. Posso ler Tolstoi sem saber que era conde, rico proprietário de terras...e anarquista convicto. Vou amar seus livros da mesma forma. Mas saber quem ele era e o que pensava ajuda a compreender o COMO e o PORQUÊ do que escreveu. (E não vejo contradição entre ser rico e ser anarquista, façam-me o favor, se pensarmos o anarquismo de forma ampla,como a recusa em aceitar governos...É o óbvio, mas há tanto desconhecimento sobre o anarquismo enquanto ideologia, razão de eu dizer isso: e me perdoem a obviedade!).E mesmo em Tolstoi os gostos são diversos:Italo declarou preferir Ana Kariênina; eu prefiro Guerra e Paz...
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Assim também com os leitores, que o estudo dos leitores é bem mais recente. Somos aqui três leitores, cada um com sua formação, sua experiência de vida, sua forma de reagir aos estímulos, seu gosto pessoal. E tratamos de enriquecer uns aos outros com nossas opiniões, expondo a cara a tapa. Até que não muito, né mesmo?

2 comentários:

Regina Carvalho disse...

Folgado, hehehe...Mas é bom demais esse tecer todo! bj

Roberta Ávila disse...

Ítalo, queria te fazer umas perguntas sobre literatura infantil, mas preferia que fosse por email. Você pode me passar o seu ou entrar em contato comigo?

rvc.avila@gmail.com

Obrigada!

bjos