terça-feira, 30 de março de 2010

da adélia prado

“A poesia me pega com sua roda dentada,
me força a escutar imóvel
o seu discurso esdrúxulo.
Me abraça detrás do muro, levanta
a saia pra eu ver, amorosa e doida.
Acontece a má coisa, eu lhe digo,
também sou filho de Deus,
me deixa desesperar.
Ela responde passando
língua quente em meu pescoço,
fala pau pra me acalmar,
fala pedra, geometria,
se descuida e fica meiga,
aproveito pra me safar.
Eu corro ela corre mais,
eu grito ela grita mais,
sete demônios mais forte.
Me pega a ponta do pé
e vem até na cabeça,
fazendo sulcos profundos.
É de ferro a roda dentada dela”.
___
Autora: Adélia Prado,
Livro: Bagagem,
Ano: 2007
p. 62
Editora Record.
_ _ _ _ _
í.ta**

5 comentários:

Canteiro Pessoal disse...

Ítalo, digo que é sempre maravilhoso deparar com teus pousos ao meu jardim que não é mais secreto.

Abraços ave rara!

Priscila Cáliga

Ensaios & Garatujas disse...

Me sinto um "leitor compulsivo". Simplesmente me sinto sem metade do mundo se não possuir um livro toda semana para ler. Mas me considero um tanto quanto "chato" pra livros, gêneros de ação, romances, os chamados "literaturas de massa" não conseguem me prender muito, geralmente não chego ao fim desses.

Anônimo disse...

Adélia Prado tem o dom de nos fazer flutuar....!

bj! gisele

Anônimo disse...

Adélia Prado tem o dom de nos fazer flutuar....!

bj! gisele

Nydia Bonetti disse...

Ítalo

Será um prazer e uma alegria ver meus versos por aqui... Beijo!

Nydia