sábado, 13 de fevereiro de 2010

o texto à espera do leitor

“O texto é uma máquina preguiçosa que espera muita colaboração da parte do leitor”.
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esta frase do umberto eco, no seu livro "seis passeios pelo bosque da ficção" não me sai da cabeça. acompanha-me por todos os escritos e por todas as leituras. as pesquisas que desenvolvo, sobre o tema leitura, tem como base a ideia apresentada por eco, e também por iser, de que o leitor é o pressuposto do texto, de que é o leitor quem confere ao texto sua existência. sem este, aquele não passa de um nada, de um emaranhado de letras sem significado algum. é o leitor quem confere ao texto um significado, um sentido próprio. é por isso que cada texto possui inúmeras leituras, pois "entre leitor e texto desencadeia-se um processo discursivo de decifração, interpretação, reflexão e reavaliação de conceitos absolutamente renovados a cada leitura. Nenhuma atividade humana permite, até hoje, a espécie de diálogo atemporal que a leitura proporciona”, citando lucília garcez no livro "Casa da leitura 2".
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e isto tudo aqui escrito tem um objetivo. levar o leitor destas linhas à leitura de um conto. do conto "a dama e o tigre", do escritor frank. r. stockton. para comprovar o quanto um texto precisa de um leitor para ter sentido.
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não me cabe explicar o conto. o seu começo, o seu desenrolar, o seu final. ou a falta de um final. não me cabe entregar o conto assim, não. cabe-me linká-lo aqui:
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eu relutei a ler este conto. encontrei-o na revista "Literatura - Conhecimento Prático". é um conto um pouco longo. foram quatro páginas da revista. talvez não tão longo assim. relutei. mas quando o li, fiquei embasbacado. tanto que o coloco aqui, à disponibilidade dos leitores destas linhas o conhecerem, e daí compreenderem um pouco mais das citações feitas acima.
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e ainda, para quem se sentir encorajado, coloque no espaço de comentário deste post a sua solução para o conto. lendo-o, vocês entenderão. eu só não coloco minha solução agora, pois seria entregar demais a história.
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í.ta**

3 comentários:

Enzo Potel disse...

deus do céu, italo! que texto maravilhoso é esse?! obrigado por fazê-lo figurar aqui!
Li com o coração na boca. Já to na estante virtual atrás do autor e, assim como na livraria cultura, só há três livros em inglês!

bom, minha resposta é uma pergunta. O homem realmente abriria a porta indicada pela princesa? o quanto ele conhece dessa mulher é que vai dizer qual porta ele decidirá abrir, e se ele partilha da mesma opinião que ela.

quero saber sua opinião, manda por mail?!

abraço!

ps:outro conto que sou louco para ler é Wakefield. Olha essa resenha:

No conto intitulado “Wakefield”, publicado pela primeira vez em 1835, Nathaniel Hawthorne nos relata a história de um homem que, sem maiores explicações, decide abandonar sua mulher de modo repentino, dedicando-se com afinco a uma espécie de exílio absolutamente voluntário. Curioso é que, apesar do afastamento, Wakefield, personagem do conto, opta por morar próximo a sua casa anterior, para assim poder acompanhar passo a passo os acontecimentos que cercam o lar do qual antes fazia parte. Subitamente, passados vinte anos desde sua decisão inicial, Wakefield resolve enfim retomar a vida que havia abandonado, sem, contudo, se dedicar a justificativas acerca do parêntese por ele mesmo imposto. Resumidamente, a narrativa parece enfatizar a impossibilidade de uma decodificação imediata dos motivos de Wakefield, ou seja, o inexplicável deve assim permanecer – o conto se sustenta justamente a partir da irresolução do relato.

Cultivador de Lagartas disse...

Como já havia te dito, ler o teu blog quase sempre é uma catarse. Parabéns.
É tudo muito interessante.

Território Nenhum disse...

Li há algum tempo Seis passeios pelo bosque. Ensaios deliciosos! Pelo visto você está cada vez mais dentro do bosque. Parabéns!
abs