sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

enquanto não brota mais nada...

"Caçar em vão
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Às vezes escreve-se a cavalo.
Arremetendo, com toda a carga.
Saltando obstáculos ou não.
Atropelando tudo, passando
por cima sem puxar o freio
-a galope - no susto, disparado
sobre as pedras, fora da margem
feito só de patas, sem cabeça
nem tempo de ler no pensamento
o que corre ou o que empaca:
sem ter a calma e o cálculo
de quem colhe e cata feijão".
_____
Armando Freitas Filho.

5 comentários:

Maeles Geisler disse...

aqui me sinto em casa...
bom esse canto de poesia. me alegra muito.

enquanto não brota mais nada....

obrigada amigo, agradeço seu carinho.

Eduardo Silveira disse...

é meu amigo, tempo de entressafra para os lados do meu blog tbém.

Belo poema. Dialoga com esse aqui, do João Cabral de Melo Neto:

CATAR FEIJÃO

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
[...]


o A. F. Filho é um daqueles bons poetas da década de 70 que não muito lembrados hje. Legal vc pescar esse texto.

Abraço!

Rubens da Cunha disse...

Cabral virou-se no túmulo, eu diria :))

Juliano disse...

OI MEU AMIGO!!!!!!!!!

ESTOU VISITANDO O SEU BLOG, ESPETACULAR!!!!!!!! DIVINO!!!!!! ESTOU GOSTANDO MUIIIIIIITO DE SER UM BLOGUEIRO E DE PARTILHAR HISTÓRIAS COM PESSOAS ESPECIAIS COMO VOCE.

UM GRAAAAAANDE ABRAÇO,
JULIANO.

Camila. disse...

Gosto das tuas escolhas.
Do teu olho literário.
Gosto mesmo. E esse poema confirma tudo isso.

Beijoca.