terça-feira, 3 de novembro de 2009

nem sempre há uma identificação com uma história

há uns meses, li dois livros da portuga inês pedrosa: “fica comigo esta noite”, livro de contos (escrevi sobre) e “nas tuas mãos”, um romance muitíssimo bem desenvolvido (também escrevi sobre).
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então, depois dessas duas leituras, e por ter me apaixonado pela escrita dela e pelos livros, fui atrás de outros livros dessa autora. e comprei “a instrução dos amantes” e “fazes-me falta”.
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esperei. resolvi esperar para lê-los. para lê-la novamente. agora é que voltei a ela. gosto de pensar e de sentir a leitura como isto, como um deixar o tempo guiar também, como pensar cada livro em um determinado momento.
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não sei se fiz bem ou não. creio que sim. acontece que a leitura que fiz de “a instrução dos amantes” não foi das melhores, não. li-o com calma, pouco a pouco, quase que capítulo a capítulo, pausando sempre entre essas divisórias no romance. durei uma semana com o livro, e não o entendi patavinas! eis o fato. a história de cláudia, de ricardo, de dinis e de isabel. e ainda dos personagens paralelos, cada qual com sua história própria sendo desvendada, não me levou a nada. não me fez sair do lugar.
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não foi por falta de voltar páginas, não. fiz isso, sim. muitas vezes. mas não deu. cheguei ao final da história sem compreendê-la, sem conseguir dizer algo sobre ela. e, o que mais me chamou a atenção, foi que a narrativa que eu tanto havia gostado nos outros dois livros, neste ela se repetiu, e eu não gostei nada, nada disso.
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e eu vim, antes de ler este livro da inês pedrosa, de leituras muito descritivas e intimistas, tal qual “a instrução dos amantes”. li daniel galera ao cubo. três romances dele. li e estou lendo joão cabral de melo neto. li e estou lendo italo calvino. tudo antes de encarar os amantes e suas instruções. mas não deu.
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enfim. guardei o livro. precisava deixá-lo ali guardado. em outro momento voltarei a ele, creio. antes, vou encarar, ainda não sei bem se já, ou se esperarei um pouco, o “fazes-me falta”.
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ah, e durante tudo isso estive lendo e relendo o “como um romance”, do daniel pennac. e algo de que mais gostei nesse muito bem escrito livro dele foi dos “direitos do leitor” prescritos por ele. direitos como o de não-ler, de pular páginas, de interromper a leitura no meio do caminho, de reler, de ler qualquer coisa, de calar. e, acrescento, de não gostar do que se lê, ou de não se identificar numa primeira leitura. mas de se permitir tentar novamente. ou não. cada leitor constroi sua história de leituras. é preciso se respeitar isto. assim como é preciso pensar a leitura como direitos do leitor.
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í.ta**

3 comentários:

Eduardo Silveira disse...

Como bem disse o Pennac em seu livro, o leitor tem esse direito de largar um livro e retomá-lo quando quiser. O caso descrito por vc acontece bastante.
Quanto à Inês, não conhecia ela.
Na verdade, ignoro a escrita de muitos portugueses. Só li o Saramago e uma poeta, a Haterly. Há tantos nomes mas li poucos.
vai ver a estrutura do livro da inês é que é meio experimental. será isso?
de vez em quando nos deparamos com livros assim, que mais parece um jogo do autor com seus leitores. Tenho uma queda por esses romances experimentais, mas não sei se é o caso. A gente se fala e recupera isso.


Abraçoo!

Cris Tarcia disse...

Ola!

Eu também adoro ler, aqui é um cantinho ideal para uma boa leitura

Um abraço

Priscila Lopes disse...

ai, deixa eu te recomendar um, então: as mãos, do Manoel Ricardo Lima. Delícia de livro: levezinho, você lê em poucas horas, sem frear.