sábado, 10 de outubro de 2009

poetas e poemas



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li dois livrinhos de poemas de dois autores dos quais não havia lido nada: wilson bueno e antonio cicero.
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do wilson bueno li o livro “pequeno tratado de brinquedos”, da coleção catatau, da editora iluminuras. um livro repleto de tankans. (tankam é um estilo de escrita japonesa. dizem que o tankam é o pai do kaihai, uma vez que este são os três primeiros versos daquele. o tankam, então, é composto por cinco versos, três na primeira estrofe, e dois na segunda. e, assim como o haikai, explora a construção de imagens nos poucos versos, e exige esforço do leitor numa possível construção de sentidos para os versos-imagéticos).
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achei alguns tankans difíceis de compreender. outros mais acessíveis. mas isso vai da bagagem leitora do leitor. percebi que a minha ainda não é compatível com o cara, não. aliás, com nenhum dos dois autores.
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mesmo assim, pesquei algumas coisinhas muito, muito bem feitas, olha só:
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“indiscrição
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lua na vidraça
espia dentro do quarto
o corpo da moça
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o corpo dentro do corpo
o quarto dentro do quarto”
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“vigília
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anda a noite longa
daqui até o alvorecer
uma lua tonta
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depois fica só um som
no algodão dessa manhã”
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“modigliani
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quantos homens longos
moram num homem apenas?
- só o homem e um poema
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sob paletós derrotados
os dúbios cabides choram”
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_ _ _ _ _e do antonio cícero eu li o livro “a cidade e os livros”. peguei-o pelo título mesmo. e são poemas muitíssimo bem escritos. de uma construção formal e poética primorosa. e também repleto de significâncias (neologismo proposital):
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começa com um poeminha de epígrafe, escrito por rose ausländer, que diz assim:
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“Espaço
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Ainda há espaço
para um poema
_________Ainda é o poema
um espaço
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Onde se pode
respirar".
_ _ _ _ _ _e daí, do cícero, encontrei coisas belas assim:
___“lugares que antes eu nem conhecia
abriam-se em esquinas infinitas
de ruas doravante prolongáveis
por todas as cidades que existiam.
Eu só sentira algo semelhante
ao perceber que os livros dos adultos
também me interessavam: que em princípio
haviam sido escritos para mim
os livros todos. Hoje é diferente,
pois todas as cidades encolheram,
são previsíveis, dão claustrofobia
e até dariam tédio, se não fossem
os livros infinitos que contêm”,
(do poema homônimo ao livro).
_ _ _ _ _
“Merde de Poete
________Quem gosta de poesia ‘visceral’,
ou seja, porca, preguiçosa, lerda,
que vá ao fundo e seja literal,
pedindo ao poeta, em vez de poemas, merda”.
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______í.ta**

5 comentários:

Camila F. disse...

Interessantes e Belos...Fiquei com vontade de ler.
Um abraço!
Camila

Eduardo Silveira disse...

o wilson bueno não conheço.. agora o Cícero, sim. É poeta e letrista.
Muito bom! Gostei dos poemas..mas vou puxar a sardinha para o cícero. Dos contemporâneos, é um dos meus preferidos.
Abraço!

Atriz disse...

indéditos para mim e muito bons mesmo!

gostei dos 2!

bjs! Gisele

Rafael Reinehr disse...

Ítalo, tenho um convite a lhe fazer. Terias interesse em participar da comunidade de blogs d´O Pensador Selvagem? (http://opensadorselvagem.org e opsblog.org).

Se há interesse, por favor mande um sinal de fumaça por aqui: http://reinehr.org/contato/contacts/rafael-reinehr

Abraço.

Elaine Lemos disse...

Sabe, Ítalo, queria saber ler como você. Assim tanto.

Um beijo.