quarta-feira, 14 de outubro de 2009

a leitura como mediação

artigo publicado por mim, hoje, no jornal "hoje", que circula por jaraguá do sul e região.
o título do post é o título do artigo.
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A leitura como mediação___Ítalo Puccini*_____É do Daniel Pennac, escritor francês, estudioso das práticas de leitura e do que significa, ou pode significar, o ato de ler, a afirmação de que “O verbo ler não suporta o imperativo”. É com essa frase que ele inicia seu livro “Como um romance”, um livro de ensaios sobre a leitura e suas (im)possibilidades, escrito de uma forma muito íntima e segura, cativante para o leitor.
Em toda a primeira parte do livro, chamada de “Nascimento do alquimista”, Pennac discorre sobre a formação do sujeito-leitor, deixando claro que o contato inicial com a leitura ocorre primeiramente na forma da leitura ouvida, no momento da contação de uma história.
E é aí que faz sentido a afirmação inicial de Pennac. O contato inicial de um sujeito com a prática da leitura não pode comportar o imperativo: leia. Ao contrário. Esse contato precisa ser mediado e cuidado com atenção por alguém que já tenha afinidade com tal prática. A leitura deve significar segurança ao sujeito que a está conhecendo, uma vez que se encontra na voz dessa pessoa mediadora a entonação que demarca o real e o ficcional no que é lido, preparando, dessa forma, um leitor que será capaz de uma leitura “entrelinhas”, que é a verdadeira leitura.
É de se perguntar o que será que acontece para que uma criança que antes pedia a alguém para lhe contar determinadas histórias, e que buscava desvendar mistérios de personagens e cenários, ao aprender a ler e ao se ver diante de obrigações de leituras, torna inverso seu sentimento por aquele ato? E aí o autor francês propõe pensares que levam a refletir sobre tal situação: talvez porque ela não tenha aprendido o ato em si, mas somente o gesto do ato. Talvez porque a leitura tenha, de fato, se tornado dogmática: é necessário ler, e pronto. Ou seja, talvez porque esta criança tenha sido abandonada quando mais precisava de alguém para auxiliá-la a compreender por que aquele ato, outrora encantador, tornou-se obrigatório e enfadonho.
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* Escritor e professor de Literatura
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í.ta**

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