quarta-feira, 7 de outubro de 2009

da hilda hilst

para esse momento de seca e esgotamento mental (vem de esgoto mesmo),
dois poeminhas da hilda:
_ _ _ _ _
“Devo continuar a te dizer palavras
Se a poesia apodrece
Entre as ruínas da Casa que é a tua alma?
Ai, Luz que permanece no meu corpo e cara:
Como foi que desaprendi de ser humana?” (p. 57)
______“Empoçada de instantes, cresce a noite
Descosendo as falas. Um poema entre-muros
Quer nascer, de carne jubilosa
E longo corpo escuro. Pergunto-me
Se a perfeição não seria o não dizer
E deixar aquietadas as palavras
Nos noturnos desvãos. Um poema pulsante
____Ainda que imperfeito quer nascer” (p. 60)
_ _ _ _ _
“XVII
_____As barcas afundadas. Cintilantes
Sob o rio. E é assim o poema. Cintilante
E obscura barca ardendo sob as águas.
Palavras eu as fiz nascer
Dentro da tua garganta.
Úmidas algumas, de transparente raiz:
Um molhado de línguas e de dentes.
Outras de geometria. Finas, angulosas
Como são as tuas
Quando falam de poetas, de poesia.
_____As barcas afundadas. Minhas palavras.
Mas poderão arder luas de eternidade.
E doutras, de ironia as tuas
Só através da minha vida vão viver” (p. 58).
_ _ _ _ _
os dois do livro “do desejo”, 2004, editora globo.
_____
í.ta**

2 comentários:

Gabriel Gómez disse...

Í.ta... Casualidade? Coloquei no meu Blog, após alguma reiterada leitura e contagem, os 34 nomes que Hilda Hilst aplica ao órgão sexual feminino na obra “Cartas de um sedutor”). Passa por lá e veja que curioso... Abraço!

Eduardo Silveira disse...

quem dera se todo blogueiro em fase de seca postasse coisas tão sensíveis como são os poemas da hilda.
adorei os poemas, adoro a hilda.

abraço!

PS: 34 nomes diferentes? caracólis, vou lá agora conferir essa!