terça-feira, 11 de agosto de 2009

surpresa

voltei há pouco do postinho de saúde que tem aqui perto de casa. gripei-me no domingo. gripe comum mesmo, com febre baixa e escassa, coriza, e agora tosse. já tô medicado para os próximos dias. rumo à cura!
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o fato é que: lá no postinho, durante a uma hora em que por lá fiquei, despretenciosamente relendo alguns contos do joão gilberto noll, meus olhos brilharam ao encontrar dois livros. isso mesmo, dois livros.
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já começa por aí: encontrar dois livros num postinho miudinho de saúde. dois livros que, quero acreditar nisso, estavam sendo lidos pelas pessoas que lá trabalham. eu não acho nada comum encontrar um livro de literatura em postinhos de saúde. aliás, eu acho tão incomum quanto encontrar um vascaíno-de-segunda no meio da torcida do flamengo. dois livros, então, num mesmo posto, achei o máximo! para um viciado em leitura como eu, que lê onde dá e onde não dá, foi o suficiente para abrir um sorriso besta. lembrei-me muito das leituras que fiz do manguel e do chartier, nas quais eles apresentavam, fazendo referência às diferentes práticas de leitura do texto escrito, os diferentes lugares de leitura com os quais podemos nos deparar, e que influenciam nas leituras que fazemos.
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ainda por cima, eram dois livros que, de uma forma ou de outra, marcaram-me muito, muito. o primeiro que vi era um best-seller, "a menina que roubava livros", que, quando eu o li, há dois anos, amei. encantei-me pela relação da menina com o livro, e com a morte. e o outro era um espírita, "quando chega a hora", o primeiro livro que eu li de um fôlego só, há longínquos sete anos. é o único livro espírita do qual não me desfiz até hoje. depois dele li um catatau de livros desse estilo. aprofundei-me legal nessa doutrina. agora não mais. em nenhuma. mas este livro ficou. e me marca até hoje. diz o ditado que a primeira vez a gente não esquece, não é..
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pois é, foi isso. depois de me deparar com os livros, de lembrar das leituras que deles eu fiz, dos momentos em que tive eles em minhas mãos... depois dessa nostalgia, voltei-me à realidade, ao postinho, ao meu estado gripal, e às conversas que aconteciam entre os outros pacientes naquele ambiente: "é, a vida tem altos e baixos", dizia uma lá, enquanto a outra dava detalhes do dia em que atendeu a uma ligação de uma outra mulher no celular do marido, e do barraco que fizera, em casa, e na rua.
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tentei me concentrar novamente no noll, mas não deu...
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coisas da vida, eu diria.
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í.ta**

2 comentários:

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Hehehehehe... Coisas da vida...

Agora ocorreu-me que seria bom reler "O cego e a dançarina".

Fui...

Miozete disse...

A vida é sacana. Ouço uma voz por aí rindo da gente!