quinta-feira, 6 de agosto de 2009

o desejo de transver

artigo publicado por mim no jornal "hoje", que circula em jaraguá do sul e região. publicado na última terça-feira, 04.08. o título do artigo é o título deste post.
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"Há duas semanas, estive presente no 17º Congresso de Leitura do País, o COLE, realizado na Unicamp, em Campinas. Congresso este que reúne o que há de mais atual em atividades de disseminação da leitura Brasil afora, e em pesquisas sobre a leitura em si e suas diferentes práticas. E, dentre tantos escritores e estudiosos da leitura no país que por lá estiveram, e aos quais tive o prazer de ver, ouvir, e até conhecer, um me chamou muito a atenção, tanto por sua fala, quanto por sua simpatia no trato com o público. Foi o Ignácio de Loyola Brandão, o autor de livros como “Não verás país nenhum”, “O homem que odiava segunda-feira” e “O menino que vendia palavras”.
A fala do Ignácio foi de uma descontração impressionante. Ele demonstrava se sentir em casa, como se estivesse sentado num confortável sofá batendo papo conosco, os ouvintes mais que atentos. Para isso, ele não se utilizou de nenhum texto previamente preparado para o congresso. Falava o que lhe vinha à mente, circulando pelo espaço destinado aos conferencistas e contando “causos” de sua vida de leitor e de escritor. Mas causos pra lá de interessantes, com um tom humorístico elevado, dos quais transbordava sabedoria. Uma sabedoria da vida, não dos livros de auto-ajuda encomendados. Uma sabedoria do dia-a-dia, encontrada nas pessoas com as quais aprendemos a (con)viver e nos registros escritos com os quais nos deparamos.
Tive o prazer de conhecer um pouquinho da formação do Ignácio de Loyola leitor (e, consequentemente, escritor). De alguns fatos pitorescos que marcaram a vida daquele sujeito que aprendeu, e assim disse, que para escrever é preciso, antes de mais nada, estar atento à vida que pulsa ao nosso redor: aos espaços pelos quais circulamos, ao tempo pelo qual somos consumidos, e às pessoas com as quais esbarramos, dia sim, outro também.
O tema do COLE vinha dos versos do Manoel de Barros: “O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo”. E isso o atento escritor Ignácio de Loyola Brandão soube dizer. E me chamou muita atenção a simplicidade deste escritor em afirmar que a literatura está ao nosso alcance mais do que imaginamos, aqui ao nosso lado, e que, para fazer uso dela, é preciso um punhado de imaginação, de criação, de olhar para além daquilo que vemos. E também que, por mais que não queiramos dela fazer uso, a única coisa que não podemos fazer é podar dos demais – e principalmente das crianças – essa imaginação com a qual é possível transformar, e consequentemente transver, o mundo em que vivemos".
í.ta**

2 comentários:

Enzo Potel disse...

legal receber o texto por mail, Ita!

merci!!

Jessica disse...

puxa, que interessante! Parabéns pelo trabalho!