quinta-feira, 13 de agosto de 2009

o contar histórias: de novo

encontrei este dizer do mario vargas llosa no livro "pensar a leitura: complexidade", organizado pela eliana yunes. encontrei-o no texto maravilhoso do francisco gregório filho, de nome "práticas leitoras (de cor... coração): algumas vivências de um contador de histórias", p. 150. segue:
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"Como para as sociedades, para o indivíduo também (o contar histórias) é uma atividade primordial, uma necessidade da existência, uma maneira de suportar a vida. Por que o homem necessita de contar e contar-se histórias? Talvez porque (...) dessa forma lute contra a morte e os fracassos, adquira uma certa ilusão de permanência e desagravo: é uma maneira de recuperar, dentro de um sistema que a memória estrutura com a ajuda da fantasia, esse passado que quando era experiência vivida tinha a aparência do caos. O conto, a ficção gozam daquilo que a vida vivida - em sua vertiginosa complexidade e imprevisibilidade - sempre carece: uma ordem, uma coerência, uma perspectiva, um tempo fechado que permite determinar a hierarquia das coisas e dos fatos, o valor das pessoas, os efeitos e as causas, os vínculos entre as ações. Para conhecer o que somos, como indivíduos e como povos, não temos outro recurso senão sair de nós mesmos e, ajudados pela memória e pela imaginação, projetar-nos nessas 'ficções' que fazem do que somos algo paradoxalmente igual e diferente de nós. A ficção é homem 'completo', em sua verdade e sua mentira confundidas. (...) Inventar não é, quase sempre, outra coisa que tomar-se certa desforra da vida que nos custa a viver, aperfeiçoando-a ou envilecendo-a de acordo com nossos apetites e nossos rancores; é refazer a experiência, retificar a estórial real na direção que nossos desejos frustrados, nossos sonhos esfarrapados, nossa alegria ou nossa cólera reclamam".
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í.ta**

2 comentários:

Linda Simões disse...

Contar histórias é contar a própria vida...

Renato Russo é GRANDE...


Obrigada pela visita.


Bj

Miozete disse...

Gosto da história dos outros. De conhecer o que viveram e o que sentiram. Isso me ajuda a encontrar mais sentido na minha própria história, em minhas ações e reações. E gosto de visitar as mesmas histórias, muitas vezes, tentando encontrar os detalhes perdidos na primeira vez. Só os mesmos sentimentos que eu acho que não voltam, mas alguns, é bons mesmo que fiquem para trás, enquanto outros a gente transforma em saudade. [viajando um pouco enquanto uma voz ao fundo fala sobre "administração do sistema de cabeamento estruturado] ha!