segunda-feira, 24 de agosto de 2009

mais um na lista...

não costumo ler revistas semanais. não tenho saco para elas. quando no meu ensino médio, eu até assinava a “veja”, e dava conta de ler mais a “época” e a “istoé”. enjoei-me. porém, sempre que posso, folheio-as, passo os olhos por elas, para quem sabe garimpar algo que preste, uma vez que tenho acesso a elas lá na biblio do sesc.
______e hoje folheei a “época”. e costumo dar mais atenção às partes finais dessas revistas, onde têm aquelas resenhas de livros, filmes, músicas, e afins. tudo coisa encomendada, percebe-se. tudo coisa comercial. tudo farinha do mesmo saco. tudo marketing. haja saco!
_________aí, vendo o índice da revista, tinha lá a foto de um escritor, um tal de david wroblewski, e uma frase dele, em aspas: “contos não podem mudar a vida de ninguém”.
_________pronto. era só o que me faltava, pensei. fui direto para a página 201 (percebem a quantidade de páginas que essas revistas têm? como se tudo aquilo fosse conteúdo que prestasse! metade das páginas é só de propagandas). e lá nessa página, quase ao final da revista, tomei conhecimento do mais novo fenômeno literário no mundo, esse tal ali de sobrenome difícil. lançou agora o primeiro livro, pela editora intrínseca, com 528 páginas, ao preço de 39,90. preciso dizer que é mais um bestseller para a lista dos mais vendidos que aparecem nessas mesmas revistas? só pela quantidade de páginas e preço assim tabelado já dá para saber. para bom entendedor... ah, e ainda o cara é apadrinhado pelo stephen king, recebeu maravilhosas críticas dos jornais americanos, e o livro dele já chegará ao brasil com o status de “clássico moderno da literatura”. gente, dai-me forças!
______aí fui ler a matéria sobre o cara, e a pequena entrevista que ele deu, na qual há aquela afirmação dele: “Você não ouve dizer ‘aquele conto mudou a minha vida’. Mas já ouviu que muitos romances transformaram a vida de várias pessoas”. e mais acima ele ainda disse: “Mas a razão pela qual amamos romances é porque vivemos com eles por dias e dias, e não há como transformá-los em pequenos textos para a internet”.
____eu ando colérico com algumas coisas relacionadas a essa coisa da importância de ler, do que ler, do tal hábito da leitura. ora hábito! se é hábito é porque é algo mecânico, que se faz sem muito pensar, e tudo o que a leitura não pode ser é isso. ando colérico com fenômenos de vendas, desde os tradicionais paulos coelhos aos recentes stephenie meyers, que conseguem atrair milhões de leitores com uma série de livros repetitivos, que vão moldando as pobres cabecinhas, e as levando a acreditar que só aquilo é bom e que presta. e agora, pra variar, surge outro. e se não fosse esse outro, seria um outro qualquer. qualquer mesmo, porque são pessoas nem aí pra nada, que ganham destaque com livros de fórmulas superprontas.
_______aí eu ainda tenho que me deparar com uma declaração dessas, de que os contos não transformam a vida de ninguém, não marcam a ninguém. ora, só se esse cara não lê ou não sabe ler contos. ou só lê romances com receita pronta como os que ele escreve, coisas como daniele stell e sidney sheldon! eu não posso concordar que contos como os do dalton trevisan, por exemplo, não marquem a vida das pessoas. e os do machado, então, os do guimarães, aquelas coisas mais bem feitas do mundo? os contos do marçal aquino, para voltar à literatura contemporânea. do luiz vilela. do hemingway, para citar estrangeiros.
_________o desabafo já tá muito grande aqui. e eu ainda tô remoendo muita coisa para escrever sobre literatura de massa. deixa eu só “argonizar” minhas ideias. antes, acho que preciso mesmo deixar de folhear coisas assim. ou não, ou é bom, para manter acessa a chama da cólera (inclusive, recentemente me debrucei no raduan nassar, naquela belezura de “um copo de cólera” e de “lavoura arcaica”. ah, mas o raduan não deve marcar a vida das pessoas que nem esse escritor aí, então deixa pra lá).
____ó, céus!
_______í.ta**

7 comentários:

Eduardo Silveira disse...

Barbaridade, que ritmo, hein!
haha, tá difícil de aconpanhar!.
No findi, leio tudo com mais calma, o conteúdo me parece bem legal.

Eduardo Silveira disse...

*acompanhar (paranóia com ortografia) :P

Wagner Rengel disse...

caro amigo,
Obrigado pelo comentário lá no "desisto". Você já deve estar sabendo, mas, se puder aparecer por aqui na I Bienal do Livro de Curitiba. Acredito que estará muito bom... Até porquê Parati fica muito mais longe né... http://www.bienaldolivrocuritiba.com.br
Abraço,
Wagner.

Camila F. disse...

Oi Ítalo...Essas pessoas sempre vão existir mesmo. Não tem jeito. Mas passam e não deixam marca nenhuma, daqui a alguns anos ninguém lembra mais. Só pemanece aquilo que possui sentimento, poesia. Acredito que muitos contos, por serem breves e, por isso, intensos, permanecem em nós por muito tempo. Os contos de Lygia Fagundes Telles, por exemplo, tem o estranho poder de me deixar com uma sensação esquisita por dias..rsrs
Até! E obrigada pela visita também!! =)

Eduardo Silveira disse...

Ítalo!

Bicho, vc sabe ler pensamento?
Assino embaixo do que vc disse.
Além disso, sobre aqueles primeiros 3 paragrafos... eu sou igual a vc,mas igual mesmo!

e esse cara? que absurdo!!
Antes ser um escritor medíocre quietinho..
mas esse cara abre a boca para um disparate desse!
E poesia? então ela não presta pra nada também, já que também é curta.
¬¬

quando a gente acha que já ouviu tudo nessa vida...

:P

Sapinha Ilhoa disse...

Temos aí assunto pra longa conversa, parceirinho!
Porque há diferenciação também entre eles.
E sou fanzoca do Stephen King, mas de ANTES do acidente. Depois disso,ficou chato, "garrei nojo",como dizem na Paraíba..
bj.

clotilde zingali disse...

grande Ítalo! muito boa a matéria do jornal :))