quinta-feira, 30 de julho de 2009

surpresas

a quinta-feira amanheceu ensolarada e quente. mas, no meio da tarde, o tempo virou, e à noite já chovia barbaridade. tanto que foi a primeira vez em que voltamos de táxi para o hotel. e assim o tempo ficou na sexta-feira, quando fomos somente pela manhã para o congresso, que se encerrava às 12h. depois, gastamos a tarde de sexta no maior shopping da américa do sul, o dom pedro, já que nosso ônibus de volta para joinville era somente às 19h. haja pernas! mas foi legal, bastante descontraído. fez-nos bem para dar aquela relaxada antes de encarar mais oito horas de viagem.
bom, mas sobre a quinta-feira, foi, para mim, o dia das surpresas. pela manhã foi horroroso. “caímos”, eu e leila, numa mesa redonda cujo título era “escrita, imagem, criação: diferir”. interessamo-nos pelo tema, mas, na prática, foi algo completamente fora do que imaginávamos. era um travesti do peru (ou de outro lugar?? Agora não lembro!) que lá estava para apresentar um vídeo que ele fizera, sobre três travestis, e um pouco de suas vidas. ok, apesar de ter boiado a maior parte do vídeo, tava tranqüilo, esperando o cara falar sobre o vídeo e a questão da escrita, da imagem e da criação. aí, foi dada a ele a oportunidade de falar, e, ao se pronunciar do microfone, ele simplesmente abriu a perguntas. ou seja, ficamos, de fato, a ver navios, sem explicação nenhuma do que aquilo significava!
cansamo-nos e de lá saímos. encontramos um laboratório de informática no prédio da educação, onde estávamos. e por ali gastamos nossa manhã, colocando as caixas de e-mail meio que em dia, e fuçando outras inutilidades básicas.
dali, rumamos para o centro de convenções, onde tivera uma mesa-redonda com a marisa lajolo e a regina zilbermann. não ficamos para esta mesa porque o tema era especificamente sobre os trinta anos do cole, e achávamos que não seria interessante. azar o nosso! mas, por fim, ainda consegui chegar na regina zilbermann e conhecê-la. ela foi de uma simpatia encantadora!
à tarde, as professoras rosana e taiza apresentaram suas pesquisas. eu e leila, como pupilos das duas, acompanhamos as apresentações. e aí que me surpreendi, muito positivamente, pois, por mais que as professoras já tivessem falado sobre suas pesquisas, eu não havia assimilado tão bem quanto fora ali, assistindo-as. a rosana falou sobre a pesquisa que vem fazendo com professores de ensino fundamental, suas práticas de leitura, e como lidam com a questão da alfabetização e do letramento no trabalho em sala de aula (aí focando a questão dos gêneros discursivos para se alcançar isto). e a taiza discorreu sobre todas as atividades que o proler realiza. olhamo-nos, eu, leila e rosana, e falamos: taiza, tu trabalha pra caramba! de fato, é coisa pra dedéu o que o proler faz: exibição de filmes, formação de escritores, mediação de leitura, contação de histórias, dentre outras.
no início da noite era a conferência internacional, no ginásio da unicamp. para lá nos dirigimos, protegendo-nos da chuva como dava.
e sentamo-nos nas arquibancadas do ginásio para ver um tal de xosé antonio neira cruz falar. não tínhamos ouvido falar dele em nenhuma outra oportunidade, e aí foi uma outra surpresa maravilhosa que tivemos. a fala desse escritor (que é da galícia, portanto, galeno) foi de emocionar. com o tema “leitura e memória” ele desenvolveu sua fala resgatando sua formação como leitor, as leituras que o marcaram, e o quanto elas influenciaram em sua formação como pessoa. tanto emocionou-nos que, ao término de sua fala, olhamo-nos com os olhos marejados. e sem palavras, claro.
corri para o estande da editora que vendia o último livro lançado por ele, chamado “o arminho dorme”, e comprei-o. naturalmente depois foi atrás do autógrafo. uma belíssima história, sobre a qual escreverei aqui em outro momento. comecei a lê-la naquela noite mesmo no hotel. e na viagem de volta a finalizei. assim como a fala dele, o final do livro é de marejar os olhos. e de silenciar o leitor. há momentos, sim, em que o melhor é apenas sentir, e não pensar. aquele fora um.

í.ta**

7 comentários:

Camila disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rosane disse...

Ítalo, bom é qdo um amigo vai ao COLE e depois respinga um tanto de novidades do mundo dos livros na gente. Comecei a ler o livro "Todo mundo devia escrever" e já estou achando ótima sua leitura. O francês é muito sério e cheio de moral para escrever e nos convencer do título. Seus relatos estão ótimos. Eita memória boa a sua. Abraço grande, Rosane.

Rubens da Cunha disse...

legal, belo relato de viagem,
bela cara nova. orgulhoso por estar na estante :))
abraços

Regina Carvalho disse...

Galeno é nome de um amigo meu! Quem é da Galícia é galego,mesmo sem ser loiro...
Gostei dos relatos!
bj

Í.ta** disse...

rê,
muitíssimo obrigado pela correção
^^

Atriz disse...

Oi Italo! vc mudou de blog? parece que era outro nome....

vc e suas novidades literárias. muito bom!

bj! Gisele

www.inventandoagentesai.blogspot.com

sidnei olívio disse...

Ítalo, obrigado pela visita no Concretos&... Gostei muito daqui tb (inclusive do ópio do povo)e virei mais vezes. Abraço.