quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um texto de cada vez


Vivo o presente presente com um pé no presente futuro. Os fatos passados em mim não se fixam feito tatuagens. São elementos formadores, e não delimitadores, do que sou hoje. Também, não aguardo com ansiedade o que está por acontecer, mas sim planejo alguns possíveis acontecimentos futuros. Ora ocorrem, ora outros interrompem o programado. Sem crise. Viver é estar sujeito ao imprevisto.
(É importante que em nenhum momento deste texto as afirmações nele expressadas sejam generalizadas. Escrever sobre si mesmo nunca é um acerto. Fatos são devidamente guardados, outros levemente alterados, e alguns – poucos, talvez – apresentados com certa veracidade. Escrever é um ato de fuga).
Há duas práticas que me acompanham há um tempo ainda recente, mas que, creio eu, continuarão a me fazer companhia, pelo bem que em mim provocam. Refiro-me à leitura e à escrita, pois se hoje me afirmo pouco ansioso e tranqüilo no viver o presente presente é em função das leituras e dos escritos que já fiz e faço.
Alguns livros e escritos próprios muito representam quem já fui e quem sou. Há uma pausa presente no ato de ler e de escrever que causam em mim uma sensação de segurança muito gostosa. Sinto necessidade de sentir isto. A rotina diária consome todos, e minha fuga significa estas duas práticas. Cada leitura provocando um sentimento – ou amenizando-o –, cada texto escancarando marcas. Um texto de cada vez. Cada coisa ao seu tempo.
A conotação de tempo está, para mim, diretamente ligada à produção leitora e escrita que faço. São fugas, e são encontros comigo mesmo. Justificam muito bem a afirmação primeira deste texto. A inutilidade me atrai. Minhas ações não prescindem de resultados imediatos. As melhores coisas da vida não servem para nada, e nem precisam.
í.ta**

2 comentários:

Í.ta** disse...

mais um resultado das aulas de estudos semânticos e pragmáticos.

a coisa até que rende na faculdade...

Anônimo disse...

E a inutilidade não atrai só a você, atrai a todos. Já não chegastes a pensar que o unítil fosse feio para ser admiriado? Um dia cheguei à conclusão de que ele era feito para isso mesmo, mas a admiriação não faria com que deixasse de ser inútil, afinal é um consequência da inutilidade...
Rafael (Não equeça de mim)