quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

palavra (um)

Antes do nome

Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o 'de', o 'aliás',
o 'o', o 'porém' e o 'que', esta incompreensível
muleta que me apóia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.

Autora: Adélia Prado,
Livro: Bagagem,
Ano: 2007
p. 20
Editora Record.

í.ta**

2 comentários:

Anônimo disse...

Caro Poeta li BAGAGEM já faz um tempo. Agora deu vontade de reler.
Adélia é tudibom não é mesmo?
Abraço grande da Fatima de Laguna

Anônimo disse...

Eu sei que tá meio tarde, mas Feliz ano novo, Ita
Rafael