terça-feira, 8 de julho de 2008

julho

check up


tem sempre um julho, no curso da vida, que deixa a sensação de fragmento, de corte de faca afiada na pedra – um sentimento de que inexistem estações depois do inverno, de que a vida inverte termômetros.
(Clotilde Zingali: “Bricolagens para geladeira”: 2006, p. 75. Ed: Nova Letra).
í.ta**

4 comentários:

Rubens da Cunha disse...

legal essa seqüencia de textos com o tema julho. Me lembrei de uma canção do Alceu Valença na voz de Bethania, só que o mes é Junho:

Junho
Alceu Valença


Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!

Kevin disse...

Você tem um Blog desde 2006 e só agora divulga ele pra gente?

Guilan disse...

julho me dá uma sensação de inexistência mesmo.

elenice disse...

Amooo