quinta-feira, 31 de julho de 2008

o livro 2

"Um livro tem de ser um machado para o mar gelado de dentro de nós".

Autor: Franz Kafka


Citado em: Alberto Manguel
Livro: Uma história da leitura
Ano: 1997
p. 113.

Editora: Companhia das letras

Í.ta**

terça-feira, 22 de julho de 2008

o livro 1


“Na vitrine da livraria, logo reparou na capa e no título que procurava. No trajeto de sua mirada, abriu caminho na loja sob o nutrido fogo de barragem dos livros-que-você-não-leu que, das mesas e das prateleiras, lançavam-lhe olhares ameaçadores, para intimidá-lo. Por hectares e hectares se estendem os livros-que-você-pode-passar-sem-ler, os livros-feitos-para-outros-usos-que-não-a-leitura, os livros-já-lidos-sem-que-haja-necessidade-de-abri-los – porque-já-pertencem-à-categoria-dos-já-lidos-mesmo-antes-de-ser-escritos. Você transpõe então a primeira fileira de muralhas; mas eis que lhe tomba em cima a infantaria dos livros-que-você-leria-voluntariamente-se-tivesse-várias-vidas-para-viver-mais-infelizmente-são-só-estes-os-dias-que-lhe-restam. Você os escala rapidamente e atravessa a falange dos livros-que-você-tem-a-intenção-de-ler-mas-seria-necessário-primeiro-ler-outros, livros-caros-demais-que-pretende-comprar-quando-baixarem-à-metade-do-preço, livros-idem-acima-quando-saírem-em-edição-de-bolso, livros-que-você-poderia-pedir-emprestados-a-alguém, livros-que-todo-mundo-já-leu-e-é-então-como-se-você-também-os-tivesse-lido. Esquivando-se de seus assaltos, você se encontra enfim sob as torres do fortim, expostos aos esforços de interceptação dos
livros-que-há-muito-tempo-você-tem-intenção-de-ler,
livros-que-procurou-durante-anos-sem-encontrar,
livros-que-tratam-exatamente-do-assunto-que-o-interessa-neste-momento,
livros-que-você-quer-ter-a-seu-lado-em-qualquer-circunstância,
livros-que-você-poderia-separar-para-ler-talvez-no-próximo-verão,
livros-que-você-tem-necessidade-de-alinhar-com-outros-na-mesma-estante,
livros-que-lhe-inspiram-de-repente-uma-curiosidade-frenética-e-pouco-justificável”.
Obra: Se um viajante numa noite de inverno
Autor: Italo Calvino
pp: 10-11
Í.ta**

terça-feira, 8 de julho de 2008

julho

check up


tem sempre um julho, no curso da vida, que deixa a sensação de fragmento, de corte de faca afiada na pedra – um sentimento de que inexistem estações depois do inverno, de que a vida inverte termômetros.
(Clotilde Zingali: “Bricolagens para geladeira”: 2006, p. 75. Ed: Nova Letra).
í.ta**

terça-feira, 1 de julho de 2008

1° de julho

Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei pra ti.

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta um compromisso
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tente
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim.

Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor.

Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração.

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então.

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor.

O que fazes por sonhar
É o mundo que virá, pra ti
e para mim.

Vamos descobrir o mundo juntos, baby
Quero aprender com o teu pequeno grande coração
Meu amor, meu amor.

composição: Renato Russo

í.ta**