quinta-feira, 26 de junho de 2008

literatura: novidade e impessoalidade

"Querer escrever algo 'novo' é uma estupidez; resta-nos escrever sobre nós, sobre nossas obsessões, angústias, temas recorrentes – a escritura é pessoal, é corporal –, e se meu texto se parece com o de outros escritores, tanto faz: parece que temos algo em comum, e isso me aproxima deles, e é bom. Querer escrever algo próprio, meu, cujos temas e provocações são sempre os mesmos, é uma desculpa para não tentar algo novo, outro texto, outro trabalho, e corro o risco de, por preguiça, não escrever nada mais sério, mais trabalhado do que as coisas que escrevo agora.
Dizer que a literatura não deve ser 'pessoal' é falso. A literatura é inteiramente pessoal, mas como não posso sentar com alguém num bar e, de repente, começar a conversar sobre o tempo e a morte, escrevo, e alguém vai ler, e vai pensar sobre o tempo e a morte. A literatura é uma contradição: não falo com ninguém sobre o tempo e a morte, escrevo sobre isso, e reclamo depois que, por não ser lido, não consigo discutir sobre esses temas com ninguém".
retirado do site do Renato Tapado, há muito, muito tempo.
Í.ta**

4 comentários:

Í.ta** disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Í.ta** disse...

na falta de uma escrita pessoal propícia para o blog, (porque as escritas continuam ocorrendo, porém para fins diferentes) recorro-me às palavras de outros, palavras estas que muito me significam.

Suzana Mafra disse...

Ítalo

bom vê-lo em blog em blocos de gotas de orvalho em caracteres impressos e também nos empréstimos de outros poetas, como neste achado de Renato Tapado, agora destampado e estampado por você.

Abraços poéticos

Rubens da Cunha disse...

muito interessante essa consideração. concordo com ela.
abraços