segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

o ler 2 (ser leitor)


“Sempre existe algo de inquietante, ao mesmo tempo estranho e familiar, na imagem concentrada de alguém que lê, uma misteriosa intensidade que a literatura fixou inúmeras vezes. O sujeito se isolou, parece separado do real" (p. 25).
(...)
“O leitor, entendido como um decifrador, como intérprete, muitas vezes foi uma sinédoque ou uma alegoria do intelectual. A figura do sujeito que lê faz parte da construção da figura do intelectual no sentido moderno. Não só como letrado, mas como alguém que enfrenta o mundo numa relação que em princípio é mediada por um tipo específico de saber. A leitura funciona como um modelo geral de construção do sentido. A indecisão do intelectual é sempre a incerteza quanto à interpretação, quanto às múltiplas possibilidades de leitura” (p. 98).
(...)
“(...) o leitor é aquele que está em busca do sentido da experiência perdida” (p. 100).

(Ricardo Piglia, O último leitor, Companhia das letras: 2006)

Í.ta**

3 comentários:

Pedro disse...

Discordo dele em um único ponto desse texto:

Pra mim, o leitor é a representação única de alguém que vive a realidade.

Se nada nesse mundo pode ser codificado, transformado em sentido, decodificado e reconstituído, então não sei mais em qual realidade estou.

Abraço!

TOOP disse...

Não só em busca das experiências perdidas, mas também das ainda não vividas.
Coisa de experimentar aos poucos algo que se quer muito... nada que algumas paginas não ajudem.
;)

Regininha disse...

Eu AMO o PIGLIA, mesmo quando não concordo com ele, porque amo qualquer um que me leve a pensar/pesar o que diz...
Já li este livro quando saiu, e continuo gostando dele.
Mas BABO com tuas ilustrações, cara, são uma graça!